No 8º Congresso Nacional do PT, que será realizado entre 24 e 26 de abril, o partido fará também reflexões sobre suas regras internas e o estatuto. Em entrevista à Rede PT de Comunicação, o dirigente Valter Pomar, Subsecretário de Atualização Estatutária, responsável pela condução desse debate no Congresso, faz também uma reflexão histórica sobre as transformações políticas nos últimos 46 anos que justificam a revisão e uma reflexão mais profunda sobre o estatuto.
O Partido dos Trabalhadores, criado nos anos 1980, ainda sob a bipolaridade geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética, manteve a sua força política, a despeito das transformações históricas e sociais e da ascensão do neoliberalismo, diz Pomar.
“O PT se afirmou claramente como um partido socialista, vocacionado a transformar profundamente a sociedade brasileira, tendo como agente dessa transformação a classe trabalhadora. E se propôs a construir um partido de massas, um partido democrático internamente e um partido que acreditava na luta social como sendo o principal veículo de transformação do Brasil”, reforça Valter Pomar. Quando Lula chega à Presidência da República em 2002, pela primeira vez, observa o dirigente, a classe operária tinha passado por várias transformações, assim como o mundo.
“A vitória de 2002 foi uma vitória em condições muito diferentes daquelas de que teria sido a vitória de 1989. E isso tem implicações (…) Então, quando a gente chega à Presidência da República, a gente chega com o corpo meio deformado. Ou seja, a parte eleitoral institucional musculosa e as outras partes perdendo vigor”, diagnostica Pomar.
Na opinião do subsecretário, houve um recuo “da organização social, um recuo do ponto de vista da militância no sentido anos 80, um recuo no debate de ideias, sem que isso implicasse numa redução da nossa força eleitoral, aparentemente”.
No entanto, pontua, o golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e a ascensão da extrema direita, que para Pomar já é sinalizada com os primeiros questionamentos eleitorais de 2015, obriga o PT a fazer reflexões profundas sobre a sua organização militante.
“A direita tradicional brasileira apoiou o golpe contra a presidenta Dilma, apoiou a condenação e a prisão do Lula, apoiou a vitória do Bolsonaro, apoiou boa parte da gestão do Bolsonaro, com a mesma pegada que levou o Juscelino e levou o Ulisses Guimarães em 1964 a votar no militar para substituir o Goulart”, diz, sobre a perpetuação desta visão autoritária e antidemocrática em diferentes períodos da história brasileira.
Esse avanço da extrema direita e do fascismo exige uma forte organização do PT, defende Pomar. “Se isso não mudar, ou seja, se a gente não voltar a ter força social organizada, um partido militante e um partido orientado por ideias adequadas a este momento histórico que a gente está vivendo, que é um momento de guerras, de extrema direita, de fascismo, de instabilidade, o que vai acontecer é que mais cedo ou mais tarde a gente vai ser derrotado de novo.”
Na entrevista, Valter Pomar também reforça a importância de o PT se consolidar como antissistema. “Se existe alguma coisa antissistema no Brasil é a classe trabalhadora, são os pobres, são os lascados, são os oprimidos que o PT expressa.” É fundamental, afirma ele, que o Partido dos Trabalhadores reforce sua autoridade para defender a posição contra o sistema elitista que está nas instituições brasileiras há séculos e faça o confronto com a hipocrisia da extrema direita. “Nós é que temos autoridade para defender uma posição antissistema e nós é que podemos fazer uma posição antissistema, que realmente interesse o povo. Se a gente não fizer isso, a extrema direita fará hipocrisia e vai enganar o povo, com enganou em 2022, em 2018, em outros momentos.”
Para Pomar, o 8º Congresso Nacional do PT é uma tentativa de responder a esses desafios e fortalecer a defesa da classe trabalhadora, que a despeito das mudanças históricas, segue precarizada e afastada das instituições tradicionais. “Como viabilizar que as pessoas da classe trabalhadora possam fazer política? Ou seja, o partido tem que funcionar de uma maneira que permita a essas pessoas se engajar, participar (…) Há inúmeras questões que precisam ser alteradas no funcionamento do PT, mas com essa ideia fundamental, que é de garantir que a classe trabalhadora possa participar do seu partido. Esse tem que ser o objetivo”, conclui.
Confira aqui a entrevista, no Canal do PT no YouTube:
Rede PT de Comunicação.