Partido dos Trabalhadores

Arnoldo Campos detalha papel da Conab na saída do Brasil do Mapa da Fome

Ao Café PT, diretor de operações da Conab afirma que determinação do governo Lula e coordenação de políticas públicas foram decisivas para que o país deixasse o Mapa da Fome pela segunda vez

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“Diversos países adotam políticas inspiradas na nossa experiência. Não por acaso, o Brasil lidera hoje a Aliança Global contra a Fome”, destacou.

Em entrevista ao Café PT nesta segunda-feira (4), o diretor de operações e abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Arnoldo Campos, ressaltou que a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 28 de julho, só foi possível graças à determinação política e à integração de ações promovidas pelo governo do presidente Lula.

“Sem vontade política não acontece naturalmente. É necessário ter uma ação proativa, mobilizar governo federal, estados, municípios, sociedade e setor privado para atuar de forma coordenada”, afirmou Campos.

Ele lembrou sua trajetória desde a implementação do programa Fome Zero em 2003, passando pelo Brasil Sem Miséria, até o atual Brasil Sem Fome. Segundo o diretor, a continuidade foi essencial para consolidar resultados.

Campos destacou a importância do Cadastro Único e do Bolsa Família como instrumentos centrais na estratégia. “O Cadastro Único foi uma revolução. Pela primeira vez, estados e municípios passaram a utilizar a mesma base, permitindo que cada família fosse vista em várias dimensões”, explicou.

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O diretor da Conab também citou a valorização do salário mínimo, a aposentadoria rural, a fiscalização do trabalho e programas de alimentação escolar como medidas decisivas para a redução da insegurança alimentar.

Papel estratégico da Conab

Na entrevista, Campos ressaltou que a Conab é uma ferramenta essencial do governo federal para o combate à fome. A companhia executa, por exemplo, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra produtos da agricultura familiar e os destina a cozinhas solidárias, comunidades indígenas, quilombolas e famílias em situação de rua.

“Abastecemos cozinhas solidárias em todo o país com alimentos adquiridos da agricultura familiar. Por isso, a Conab precisa ser fortalecida, porque cumpre papel decisivo na segurança alimentar e nutricional”, disse.

Referência internacional no combate à fome

Campos lembrou que, a partir dos resultados alcançados, o Brasil tornou-se referência mundial. Delegações de governos da América Latina, África e Ásia vieram ao país conhecer programas como o Bolsa Família e o PAA.

“Diversos países adotam políticas inspiradas na nossa experiência. Não por acaso, o Brasil lidera hoje a Aliança Global contra a Fome”, destacou.

Questionado sobre o retorno do Brasil ao Mapa da Fome em 2021, Arnoldo Campos afirmou que o desmonte das políticas sociais pelo governo de Bolsonaro foi determinante, e não apenas a pandemia.

“O Brasil não ficou sem alimentos. O problema foi a falta de renda e de apoio às famílias. O orçamento do PAA, por exemplo, caiu de mais de R$ 1 bilhão para menos de R$ 30 milhões”, explicou.

Ele ressaltou que, com o retorno de Lula ao governo, houve retomada imediata da prioridade no combate à fome. “Criamos uma secretaria extraordinária e, com as lições aprendidas, conseguimos sair até antes do previsto”, completou.

Necessidade de políticas de Estado

Para Arnoldo Campos, o maior desafio agora é garantir que o Brasil não volte ao Mapa da Fome. Ele defendeu que o país estabeleça um “pacto civilizatório” que assegure a manutenção das políticas sociais independentemente do governante de plantão.

“O Bolsa Família mostra isso: mais de 70% dos filhos das primeiras gerações já não estão no programa, porque conseguiram estudar e melhorar de vida. É preciso enraizar políticas de Estado, mas a vontade política de cada governo continua sendo determinante”, afirmou.

Da Redação