Partido dos Trabalhadores

As demandas e vozes de trabalhadores por aplicativos, ouvidos pelo PT e por Lula

Rede PT de Comunicação ouviu trabalhadores e lideranças que estiveram em Brasília. Eles conseguiram deter a votação de um projeto ruim, mas sugerem novas ideias

Site do PT

Representantes dos trabalhadores fizeram reuniões no Congresso e no Palácio do Planalto, para impedir votação do PLP 152.

Aos 24 anos, Rejane Pereira Silva sabe bem os percalços do trabalho como entregadora por aplicativo em Juiz de Fora, Minas Gerais. Com medo das oscilações nos preços dos combustíveis, consequência direta da guerra promovida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, Rejane aumentou as horas de trabalho. Questionada pela reportagem da Rede PT de Comunicação sobre como essa condição poderia ser atenuada, ela foi categórica: “As taxas [de entrega] aumentarem”.

“Porque, por exemplo, se a gasolina sobe, as taxas se mantêm as mesmas. Com isso, a minha carga horária de trabalho aumenta e me atrapalha na minha rotina, estudar, treinar. Se um dia eu trabalhei oito horas, hoje eu trabalho 12 horas para bater a mesma meta”, expõe Rejane.

A entregadora mineira esteve em Brasília, na terça-feira, 14, para protestar contra as mudanças que foram embutidas no Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 na Câmara dos Deputados. A medida regulamenta o trabalho nas plataformas, mas o texto final do relator Augusto Coutinho (Republicanos-PE) foi considerado muito ruim pelos trabalhadores. O PT e o Governo Lula também se empenharam para adiar a votação.

A mobilização nacional e a possibilidade de greve obrigaram o relator a concordar com o adiamento e retirar o projeto de pauta.

Reunião na Câmara dos Deputados

As lideranças dos entregadores e motoristas por aplicativos foram recebidas na Câmara para uma reunião convocada pela Federação PSOL-Rede, com a presença dos deputados federais Reimont e Erika Kokay, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT). Nicolas Souza Santos, secretário da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos (Anea), esteve no encontro e contou à Rede PT de Comunicação sobre as conversas com os parlamentares.

“Eles consideraram que o movimento foi uma vitória, por ter forçado o relator a retirar o projeto”, relatou. Nicolas, no entanto, manifestou o receio de a categoria ser surpreendida “no meio da noite” com uma votação inesperada. “Regimentalmente, não teve retirada de pauta, não teve arquivamento. Se quiser voltar amanhã, volta”, acrescentou.

“Se o Governo Federal decidir, por exemplo, um projeto de lei construído com a categoria, ele tem capacidade de mandar, com urgência constitucional, votar em 90 dias. Ele tem capacidade de fazer uma medida provisória. Enfim, tem caminho aberto suficiente para isso, tanto para a gente seguir resistindo, quanto para a gente tentar avançar”, sugeriu Nicolas.

O secretário da Anea também participou de reuniões no Palácio do Planalto com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

“A gente quer comida, diversão e arte”

Membro da Associação de Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (Ammejuf), o recordista de entrega por aplicativo André Luiz Carvalho Morisson, 35 anos, se orgulha da sua  performance sobre a bicicleta. “Eu tenho a minha conta no iFood desde 2020 e tenho 5,5 mil entregas. Fora os outros aplicativos, né?”, brincou. E muito embora não sofra com a alta dos combustíveis como pode acontecer com outros colegas de profissão, já que depende da força física para trabalhar, André tem outras demandas para tornar sua rotina mais digna.

“Por exemplo, no PLP 152, a taxa de R$ 8,50: para motos, são 3 km, para bicicleta, são 4 km, pelo mesmo valor. Hoje em dia, por exemplo, a taxa mínima para moto é R$ 7,50. Para bicicleta, é R$ 7. Bicicleta não tem tantos gastos quanto a moto, mas a gente também tem muito gasto com alimentação, porque o iFood não banca nada”, argumentou o entregador. “Qualquer almoço é R$ 30, qualquer lanche é R$ 20”, reclamou, em seguida.

André ainda sugeriu que o próprio iFood pensasse em vouchers de alimentação para contribuir com os entregadores ciclistas. “Já que eles dizem que o trabalhador é autônomo, acredito que, de repente, a pessoa trabalhando mais de 12 horas, seis dias por semana, não é autônomo e deveria ter alguns direitos“, conclui.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Câmara.