Antes de embarcar rumo a Barcelona, na Espanha, onde participa de encontro internacional com líderes progressistas do mundo inteiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira, 16. Na conversa, Lula tratou de assuntos de relevância e foi elogiado pelo periódico por conta da vitalidade, lucidez e disposição para fazer política.
Entre as principais preocupações do petista, a desordem promovida no mundo pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, foi a que mais recebeu críticas.
“Trump não tem o direito de se levantar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não foi eleito para isso e a constituição dele não permite”, condenou. A frase do presidente brasileiro foi estampada na capa do período europeu.
Na percepção de Lula, o sistema de governança global não corresponde mais à atual correlação de forças entre os países. O presidente argumentou que somente uma reforma do Conselho de Segurança das Organização Nações Unidas (ONU) poderia garantir a paz mundial. “Nossa querida ONU não tem força para absolutamente nada”, avaliou.
“Nem a invasão do Iraque, nem a da França e do Reino Unido na Líbia, nem a do Putin na Ucrânia, nem a matança de Israel em Gaza passaram pelo Conselho de Segurança. Os senhores da paz se tornaram os senhores da guerra. Na África, há países com mais de 120 milhões de habitantes e nenhum está no Conselho de Segurança. Nem Brasil, Alemanha, Índia. […] E o direito de veto tem que acabar”, afirmou.
O presidente também lamentou o cenário internacional complicado, com muitos conflitos sendo travados, mas garantiu que não teme uma intervenção de Washington no Brasil, por considerar “algo tão absurdo”. “Este país, pela primeira vez na história, teve um ex-presidente preso e quatro generais de quatro estrelas encarcerados. Aqui, a democracia funciona, é um exemplo para os EUA. Minha guerra é a do argumento“, rebateu.
Temores de uma guerra mundial
Lula enumerou os conflitos pelo mundo e criticou os vultosos orçamentos militares dos países, algo perto de US$ 3 trilhões em 2025. Com a metade desse valor, contabilizou o petista, seria possível acabar com o analfabetismo e com a crise energética. O presidente reiterou que o Brasil se mantém pacífico, apesar da corrida armamentista em curso.
“Nós acreditamos no desarmamento e promulgamos em 1988 uma Constituição que proíbe a fabricação de armas nucleares. E o que aconteceu? Os Estados Unidos não se desarmaram, nem a Rússia. A China fabricou. E Índia. E Paquistão. E Coreia do Norte. E nós estamos quase desprotegidos com uma fronteira terrestre de 16,8 mil km e outros 8,5 mil de costa”, ponderou. “Eu não quero investir em armas, mas em livros, alimentação e emprego“, completou.
Sobre a possibilidade de um conflito mundial entre superpotências, Lula foi categórico: “Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia 10 vezes pior que a segunda”.
Eleições de outubro
Em relação às eleições presidenciais em outubro, Lula contou estar determinado a não permitir a volta da extrema direita ao poder. De acordo com ele, a população prefere a democracia e, por isso, o bolsonarismo não deve prevalecer. “Tenho essa convicção. E o fato da sociedade brasileira estar dividida também não é novidade. Nunca ganhei eleição no primeiro turno. E o mundo está polarizado ainda mais”, observou.
“Minha responsabilidade é procurar que chegue ao povo brasileiro a informação correta, para que, no dia que tenha que decidir, não faça com fake news. Essa é a minha obrigação”, acrescentou o presidente.
Lula confirmou ao El País que será candidato à reeleição. “Estou me preparando para o quarto mandato com a convicção de que é plenamente possível. Não podemos permitir que este país volte a ser destruído como foi durante quatro anos. Estou muito, muito, muito comprometido”, repetiu.
Assista à entrevista de Lula ao El País clicando aqui.
Da Rede PT de Comunicação, com informações do El País.