Partido dos Trabalhadores

Com novo Plano Nacional de Educação, Brasil melhora qualidade da escola pública

Sancionado por Lula, plano com metas para os próximos 10 anos amplia visão da educação integral e aborda temas contemporâneos: o digital e o ambiental

Sumaia Vilela - Agência Brasil

PNE traça metas até 2036 e tem como prioridade garantir 80% da alfabetização de crianças no tempo certo.

Principal instrumento de planejamento educacional do país, o PNE orienta as ações da União, estados e municípios ao longo de dez anos, da educação infantil à pós-graduação. O novo plano se estrutura em três pilares: acesso, qualidade e equidade. Ele traz como diferencial o monitoramento das metas a cada dois anos, com base em indicadores e dados públicos.

A proposta também inaugura mecanismos mais concretos de acompanhamento, como planos bienais de ação, fortalecendo a capacidade do Estado de corrigir rumos e garantir que as metas saiam do papel.

Com foco na qualidade do ensino, o PNE amplia a visão sobre educação integral, que passa a envolver não apenas mais tempo na escola, mas uma formação completa, com acesso a atividades culturais, esportivas e científicas. O plano também estabelece metas para ampliar o ensino técnico, fortalecer o ensino superior e garantir melhores condições de infraestrutura, conectividade e aprendizagem nas escolas públicas.

Alfabetização no tempo certo é ponto central

 

Para a professora e pesquisadora em educação Mariana Reis, um dos principais avanços do plano está na centralidade da alfabetização como política estruturante. “O grande cerne desse novo PNE é a questão da alfabetização de 80% das crianças e jovens até 2030. Isso é um ganho extremamente significativo para a educação brasileira”, afirma.

O plano também retoma uma pauta histórica dos governos progressistas ao prever a ampliação do investimento público em educação, com aumento gradual até 10% do Produto Interno Bruto (PIB), além da adoção de parâmetros como o Custo Aluno-Qualidade (CAQ), que busca assegurar condições mínimas de ensino em todo o país.

A valorização dos profissionais da educação, marca dos governos do PT, ganha destaque no novo plano, com diretrizes para carreira, formação e remuneração. No entanto, a efetivação dessas medidas ainda enfrenta resistência em parte dos entes federativos. “A equiparação salarial precisa impactar a vida do professor, mas muitas vezes é barrada por estados e municípios que não cumprem o piso”, pontua Mariana.

Enfrentar a evasão escolar

 

Outro eixo estratégico é o enfrentamento da evasão escolar, especialmente no ensino médio, com políticas que articulam permanência, qualidade e perspectiva de futuro para os jovens. “Se não houver um professor qualificado e comprometido com o processo de ensino-aprendizagem, o jovem evade. A qualificação docente é fundamental para manter esse estudante na escola”, explica Mariana.

Segundo Mariana, o novo PNE representa uma virada de rumo após anos de desmonte das políticas públicas. “É muito importante que o Brasil tenha um plano como esse, que assegure alfabetização plena e uma formação integral. É uma conquista, mas seguimos atentos às lacunas que ainda precisam ser enfrentadas”, conclui.

Indígenas, quilombolas, estudantes do campo

 

O plano também incorpora temas contemporâneos, como educação digital e ambiental, e prevê políticas específicas para populações historicamente marginalizadas, como estudantes da educação indígena, quilombola, do campo e da educação especial, reforçando o compromisso com a inclusão e a justiça social.

Conselheira e presidente da câmara de educação básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Givânia Maria da Silva, afirma que o novo PNE supera algumas questões do plano anterior, especialmente por ter uma meta com capacidade de monitorar os resultados de forma mais específica. 

Givânia, que é liderança histórica do Quilombo Conceição das Crioulas – em Salgueiro (PE), membro fundadora e coordenadora do colégio nacional de educação da CONAQ, destaca ainda que esse é um grande ganho para a população indígena e quilombola, pois o plano anterior não permitia um monitoramento nítido das ações.

Segundo a conselheira, o plano é um instrumento importante e que a luta continuará para garantir a implementação e o monitoramento efetivo. Ela acredita que o monitoramento, com a participação do movimento, é fundamental para enxergar os resultados. 

Embora não seja o plano dos sonhos, diz ela, é o plano possível, e a luta é para que ele se torne realidade e supere as grandes desigualdades regionais, etárias e raciais. “Eu sou otimista. Acho que, apesar de todos os ataques, a gente tem um instrumento importante na mão e que a gente vai continuar na luta para que a gente não deixe se perder os avanços que a gente já deu na construção desse plano e precisamos dar agora na implementação dele e no monitoramento”, afirma.

A educadora aponta dois grandes desafios do PNE: a votação dos planos estaduais e municipais, que segundo ela, muitas vezes são deficientes, e a implementação em si, já que a política de educação acontece nos estados e municípios. Givânia enfatiza que a implementação é um grande desafio devido ao racismo estrutural que ainda opera nessa política. Para ela, a capacidade da sociedade civil e das organizações de monitorar essa implementação será o grande embate dos próximos 10 anos.

A sanção do PNE 2026-2036 marca mais um passo na reconstrução do Brasil, recolocando a educação como prioridade estratégica para o desenvolvimento soberano, a redução das desigualdades e a construção de um país mais justo.

Rede PT de Comunicação.