As tentativas e o “sim” de Bolsonaro
Antes de chegar à aprovação final, Vorcaro enfrentou uma resistência silenciosa. Em 2017, o banqueiro tentou assumir o controle acionário do banco praticamente sozinho, com 91,87% de participação, de acordo com comunicado público, mas em janeiro de 2019 topou colocar mais sete pessoas na sociedade para uma nova investida. Ao que tudo indica, os critérios não foram atendidos, já que Vorcaro não teve retorno positivo do BC nas duas tentativas.
A decisão definitiva aparece no Diário Oficial da União somente em outubro de 2019, quando a Diretoria Colegiada autorizou a transferência do controle societário para Vorcaro e mais dois sócios. Roberto Campos Neto havia assumido o Banco Central em fevereiro daquele ano, indicado por Jair Bolsonaro.
Antes da troca de controle, o banco passou por uma reorganização interna, com entrada de novos sócios e aumento significativo de capital, que saltou de R$ 80,4 milhões para R$ 180,4 milhões, o que hoje levanta questionamentos sobre a origem dos recursos.
Com o controle consolidado, Vorcaro promoveu uma transformação completa da instituição. Em 2021, o Banco Máxima deixou de existir formalmente e deu lugar ao Banco Master.
O ambiente criado por Bolsonaro e a expansão acelerada
O crescimento acelerado do Master ocorre justamente entre 2019 e 2022, período marcado por mudanças no ambiente regulatório. Sob a gestão de Campos Neto, diretor indicado por Jair Bolsonaro, o sistema financeiro passou por flexibilizações que, segundo especialistas e denúncias encaminhadas a órgãos de controle e ao Congresso, reduziram exigências prudenciais e facilitaram a expansão de bancos de médio porte.
Isso permitiu que instituições como o Master ampliassem operações de crédito com menor necessidade de capital próprio, além de ofertarem produtos com alta rentabilidade para captar recursos no mercado. Mesmo diante de sinais de alerta sobre a sustentabilidade desse modelo, o Banco Central não adotou medidas imediatas de contenção.
Ao protocolar notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta semana, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apontou que havia sinais claros de fragilidade financeira ao longo dos anos, sem que o Banco Central adotasse medidas mais duras, como intervenção ou direção fiscal.
A representação destaca ainda que alertas sobre os riscos da instituição foram feitos por agentes do próprio sistema financeiro e por entidades como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mas não resultaram em qualquer ação da autoridade monetária.
A virada com Lula e Galípolo
A partir de 2023, já no governo do presidente Lula, o cenário começou a mudar, com uma atuação rigorosa de órgãos de controle e mudanças na condução da política econômica. Em 2025, Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central, e a instituição passou a olhar com mais rigor para o modelo de negócios do Master.
Técnicos do BC começaram a identificar inconsistências, questionar a qualidade dos ativos e intensificar a fiscalização sobre o Master. Paralelamente, as suspeitas também avançaram na esfera criminal, com investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, bem como Regime Especial de Administração Temporária (RAET) do Banco Master Múltiplo S/A, instituições integrantes do Conglomerado Master.
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