A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga denúncias de ilegalidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) ouviu, nesta quinta-feira (9), o presidente da Mitsubishi do Brasil, Robert Rittscher.
Os senadores pretendiam apurar se houve irregularidades na decisão do Carf de reduzir uma dívida da empresa de R$ 266 milhões para menos de R$ 1 milhão. A Mitsubishi contratou a empresa Marcondes & Mautoni como consultora para este processo.
De acordo com Rittscher, a Mitsubishi pagou mais de R$ 40 milhões para a Marcondes & Mautoni por serviços prestados. A consultora é alvo da Operação Zelotes, da Polícia Federal, como uma das intermediárias no pagamento de propinas para funcionários do Carf.
Segundo o senador José Pimentel (PT-CE), e-mails entre os investigados por envolvimento na fraude apontam que as negociações como se fossem disputas de futebol.
“Esse grupo gosta muito de futebol. O linguajar dele é Brasília versus Goiás. Goiás ganhou de tanto, Brasília perdeu de tanto. Aqui há um conjunto de meios que não é da empresa (Mitsubishi). Esse é um linguajar utilizado entre os vários autores que atuaram dentro do Carf e que fizeram parte dessas tratativas”.
A CPI vai solicitar a quebra dos sigilos telefônico e telemático de Rittscher, a ser votado na próxima reunião do colegiado. “É muito difícil acreditar que ele não possui nenhuma relação com alguns dos investigados na Zelotes”, afirmou a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM), que é relatora da Comissão.
O colegiado também aprovou o requerimento de Pimentel para a convocação do ex-presidente do Carf, Otacílio Cartaxo. Também terão que prestar esclarecimentos o presidente do Conselho de Administração da Engevix Engenharia, Cristiano Kok e o executivo-chefe da Huawei do Brasil, Jason Zhao.
A CPI também aprovou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Leonardo Manzan, Adriana Ribeiro, Gegliane Pinto, Paulo Cortez e Jorge Victor Rodrigues. A Receita Federal terá de informar a lista de empresas das quais participam como sócios.
A suspeita é de que participassem do esquema de propina, pois atuaram como conselheiros ou consultores do Carf.
Ford – A CPI decidiu suspender o depoimento do presidente da Ford, Steven Armstrong, previsto para esta quinta. De acordo com Graziottin, a empresa receberá uma lista com questionamentos e, só depois de respondidos, os parlamentares decidirão sobre a necessidade de depoimento. Segundo Pimentel, a Ford teria sido vítima de uma tentativa de achaque que custaria bilhões à empresa.
Por Cristina Sena, da Agência PT de Notícias
CPI do Carf pede quebra de sigilo do presidente da Mitsubishi no Brasil
Empresa contratou consultoria investigada pela Operação Zelotes por pagamento de propina
Brasília- DF 09-07-2015 Presidente da Mitsubishi, Robert Rittscher durante depoimento a CPI do CARF. (Foto: Lula Marques/AgênciaPT)