Partido dos Trabalhadores

Edinho: “Setoriais do PT são estratégicos e devem dialogar com a sociedade”

PT deu a largada para início dos encontros setoriais nesta quinta-feira (27) em ato virtual que contou com a participação de centenas de militantes, coordenadores/as, secretários/as nacionais e lideranças

Anderson Barbosa

Presidente do PT, Edinho Silva, durante sua fala aos participantes do ato nacional on line de abertura dos encontros setoriais

Centenas de representantes, coordenadores e dirigentes que compõem os 17 Setoriais que atuam no Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras participaram, na noite desta quinta-feira (27), do ato virtual de abertura dos encontros setoriais nacionais. O evento online marcou o início da etapa nacional do processo setorial no PT, após a realização de 526 encontros setoriais estaduais que mobilizaram mais de 70 mil filiados e filiadas no país. Na etapa nacional serão debatidos temas relevantes relacionados às políticas setoriais e realizada a eleição de suas novas coordenações nacionais.

O ato contou com a participação de Edinho Silva, presidente nacional do PT; Márcia Lopes, ministra das Mulheres do governo Lula; Paulo Okamoto, presidente da Fundação Perseu Abramo; Lucinha Barbosa, secretária nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais; Laércio Ribeiro, secretário nacional de Organização; Henrique Fontana, secretário-geral nacional; Anne Moura, secretária nacional de Mulheres; e também a senadora Tereza Leitão (PT-PE), além de coordenadores/as de setoriais, secretários/as setoriais e dirigentes e lideranças nacionais do PT.

“Importância estratégica e trabalho na base”
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou em sua fala a importância estratégica dos setoriais para o PT. “Os setoriais têm um papel estratégico, uma importância estratégica nessa missão de organização da base; os setoriais efetivamente têm que ter capilaridade, quando não são apenas um espaço de controle do aparelho. Eles têm que ser um setorial nacional, estadual, municipal, zonal, regional, mas têm que estar implantados na base da sociedade. Então, nós temos que enfrentar esse desafio, nós temos que fazer esse debate agora nos encontros setoriais. De forma fraternal, mas nós temos que fazer. E também os setoriais têm que ser um espaço de construção das políticas públicas, mas de forma real, naquilo que efetivamente dialoga com a sociedade”, ressaltou o presidente.

Edinho Silva também vinculou os atuais debates ao momento vivido pelo PT na construção do seu 8º Congresso, no ano que vem. “Nós estamos vivendo um momento especial, que é o momento da construção do nosso congresso. E eu não tenho nenhuma dúvida do momento importante que o PT vive. Na Executiva Nacional houve o debate sobre se deveríamos fazer congresso em ano eleitoral ou não. Evidente que tem que fazer, porque esse partido, da forma como está organizado hoje, vai perder a sua potência. Nós temos que enfrentar o debate sobre que partido queremos construir”, argumentou.

Edinho aproveitou também para destacar a necessidade de o PT discutir, no 8º Congresso, a revisão de seu estatuto e de seu programa partidário. “O congresso tem que ser o momento de nós revisarmos o nosso estatuto, de revisar o nosso programa partidário; tem que ser o momento de construir os subsídios para o programa de governo do presidente Lula e tem que ser também o momento de construção da tática política do PT. Quais são os nossos aliados? Quem são os nossos aliados estratégicos? Quem são os nossos aliados táticos? Portanto, que a gente possa reafirmar o PT como o partido do orçamento participativo, da democracia direta, da organização da sociedade pela base”, afirmou.

O presidente do PT enumerou ainda as bandeiras e lutas que o PT deve defender no cenário político atual. “O PT tem que entrar na luta, de forma efetiva, pelo fim da jornada 6 por 1, porque essa é a nossa luta: defender a classe trabalhadora, defender o tempo consumido pelo trabalho para que o trabalhador também tenha direito ao lazer, à família, à educação e a todos os direitos que os outros segmentos da sociedade têm. O PT tem que ser o partido da Tarifa Zero e não pode ser só discurso; temos que começar a construir isso nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. O PT tem que ser o partido da ciência e tecnologia como instrumento da nossa capacidade de construção e distribuição de riqueza. O PT tem que ser o partido que defende o modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia Legal”, destacou.

Ouça abaixo a íntegra do discurso do presidente Edinho Silva durante o ato.

Democracia interna, mobilização e papel social
Durante sua fala, a secretária nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais, Lucinha Barbosa, destacou que o PT é o único partido no Brasil que possui um processo de participação democrático e transparente por meio dos setoriais, que representam os mais diversos campos da sociedade brasileira. “Estamos vivendo um dos debates mais democráticos dentro do PT, com os encontros setoriais que foram realizados nos estados, e agora estamos fazendo a abertura oficial dos encontros nacionais”, ressaltou. Lucinha lembrou que esse processo é um dos grandes instrumentos políticos exclusivos do PT entre todos os demais partidos do país.

O secretário nacional de Organização, Laércio Ribeiro, fez uma avaliação bastante positiva de todo o processo até aqui e destacou a contribuição coletiva e a mobilização do partido em uma série de encontros estaduais, que contaram com a participação de milhares de militantes petistas. “Nós tivemos, nesse processo, 526 encontros e mais de 78 mil pessoas participando dos encontros. E vamos lembrar que temos pela frente um processo à parte, que é o Congresso Nacional do PT, em abril do ano que vem, e que será o nosso próximo debate. Sei que em cada canto do país há um companheiro e uma companheira prontos para contribuir na construção do nosso projeto político para o Brasil.”

Já o secretário-geral nacional, Henrique Fontana, lembrou da importância do momento político para a preparação do PT para o enfrentamento eleitoral em 2026. “Nós estamos fazendo um processo de renovação das nossas coordenações setoriais em um dos momentos mais decisivos da história do Brasil. Temos a responsabilidade de organizar o processo eleitoral e de organizar as nossas chapas. Eu sei que vocês têm papel ativo de conversar com os nossos companheiros e companheiras que desejam participar das chapas de deputado estadual e federal, já que uma de nossas principais tarefas no próximo período, além de reeleger o presidente Lula, é ampliar nossas bancadas nos estados e no Congresso Nacional.”

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamoto, defendeu que os setoriais atuem efetivamente no trabalho de base. “Eu defendo que os setoriais tenham a função de produzir conhecimento, de atualizar o programa partidário, mas também têm uma grande missão de fazer o trabalho de base. O companheiro Henrique Fontana lembrou que tivemos uma grande vitória com o projeto do Lula em relação à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, mas tivemos, nesta quinta-feira, uma grande derrota na questão do meio ambiente, quando o Congresso derrubou vários vetos do presidente. E nós, infelizmente, não temos a capacidade de mobilização necessária para evitar que uma derrota dessa seja imposta ao povo brasileiro”, reforçou Okamoto.

Falando em nome das secretarias setoriais nacionais, a secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura, fez a defesa dessas instâncias partidárias que dialogam com a sociedade e os movimentos sociais. “As secretarias setoriais são pilares estratégicos da nossa organização interna. Elas garantem que o PT permaneça enraizado na sociedade, conectado com as lutas do povo, com capacidade de acumular e formular política pública, dialogando com o Brasil como um todo. Elas cumprem esse papel de interlocução com os movimentos sociais. Cada secretaria tem uma questão específica e suas próprias diversidades”, defendeu Anne.

Veja aqui o calendário dos encontros das coordenações nacionais dos setoriais

Da Redação