Em mais uma vitória dos estudantes, CPI da Merenda é aprovada

Deputados do PSDB, envolvidos no esquema, resistiam. Aprovação só foi possível por mobilização de estudantes secundaristas, que ocuparam plenário

Em sessão extraordinária, os deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovaram na noite da quarta-feira (25) um projeto de resolução que permite a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Merenda.

A CPI vai investigar os contratos firmados por cooperativas de agricultura familiar e empresas privadas para o fornecimento de merenda para escolas do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). A ação de agentes públicos e políticos no esquema, como o deputado estadual Fernando Capez (PSDB)  que já é alvo de investigação pelo Ministério Público, na Operação Alba Branca, também será investigada pela comissão.

Políticos diretamente ligados à gestão do governador tucano, como Luiz Roberto dos Santos, ex-chefe da Casa Civil do governo estadualtambém teriam participação no esquema de propinas em troca de contratos de fornecimento de merenda escolar nas escolas estaduais. Januário Montone, secretário de gestão dos governos de Serra e Kassab, teria recebido R$ 600 mil no esquema. 

A votação do projeto de resolução foi necessária porque o regulamento da Casa prevê o funcionamento simultâneo de cinco CPIs e já havia esse número em tramitação na Alesp.

A CPI da Merenda deverá ser composta por nove deputados e deve durar 120 dias.

Ocupação
No começo de maio, a Alesp foi ocupada durante três dias por estudantes secundaristas que cobravam a criação da CPI. Dias após a reintegração de posse, os deputados decidiram assinar e protocolar o requerimento que pedia a instalação da CPI da Merenda. No entanto, ainda era necessária a aprovação do requerimento, o que só ocorreu agora em plenário.

Máfia da Merenda
A operação Alba Branca foi deflagrada no dia 19 de janeiro. A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual de São Paulo investigam um esquema de fraude na compra de alimentos para merenda escolar do governo paulista. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto, entre 2013 e 2015, as fraudes nas contratações da merenda chegaram a R$ 7 milhões, sendo R$ 700 mil destinados ao pagamento de propina e comissões ilícitas.

Segundo funcionário da Coaf que denunciou a fraude, a cooperativa contratava “lobistas” que atuavam junto aos governos e prefeituras, pagando propina a agentes públicos em troca de favorecimento em contratos.  O maior deles é com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. 

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações da Agência Brasil

 

Tópicos:

LEIA TAMBÉM:

Mais notícias

PT Cast