Os filiados do Partido dos Trabalhadores (PT) no exterior participaram entre os dias 21 e 23 de novembro do VII Encontro de Núcleos do Exterior, Enptex, em Roma, capital da Itália. O evento reuniu delegados de 17 núcleos petistas que vivem nos quatro continentes do globo e consolidou a presença do Partido dos Trabalhadores em 26 países.
Participaram 41 delegados presenciais e 35 virtuais, sendo a ampla maioria composta por mulheres, uma marca da militância internacional, tradicionalmente conduzida e organizada por elas. O VII Enptex foi organizado pelos núcleos de Roma, Bolonha e Alemanha. Na solenidade de abertura, compareceram representantes de partidos aliados na Itália, reforçando o caráter internacional do evento.
A secretária-adjunta da Secretaria de Relações Internacionais do PT, Misiara Oliveira, que foi a Roma para acompanhar os trabalhos e participou de todo o Encontro, destacou que a militância petista no exterior vai “somar esforços com os partidos e movimentos sociais progressistas nos diferentes países para o enfrentamento ao fascismo e à extrema direita, para a defesa da democracia e preparar as condições para a reeleição do presidente Lula”.
Após a solenidade de abertura, o grupo seguiu até o histórico prédio da Embaixada Brasileira em Roma, onde foi recebido pelo embaixador Renato Mosca para uma visita guiada. O diplomata ressaltou o trabalho de parceria entre o núcleo petista e a embaixada, que chamou de “trabalho de conscientização, de divulgação e de troca de conhecimentos”. “Estar próximo da comunidade brasileira é até uma obrigação legal nossa”, afirmou Mosca.
Debates e organização partidária
Os trabalhos do encontro começaram no sábado pela manhã, com mensagens de dirigentes e membros da executiva e do Diretório Nacional. O presidente do PT, Edinho Silva, destacou a importância da mobilização internacional em um “momento tão difícil da nossa história, quando o fascismo avança no mundo, na mesma forma que avança no Brasil, quando o grande embate desse será o fascismo contra a democracia”. Silva também ressaltou a importância da “reeleição do presidente Lula em 26, para que, derrotando o fascismo no Brasil, nós possamos influenciar a disputa política também em outros continentes, principalmente na Europa, na disputa de rumos nos Estados Unidos, em toda a América Latina e na América do Sul”.
O secretário de Relações Internacionais do PT, Humberto Costa, analisou o cenário internacional atual, destacando que “o projeto neoliberal vive um processo de colapso e que o capitalismo e a direita procuraram encontrar caminhos por onde possam garantir essa hegemonia política e econômica do capitalismo no mundo e, como tal, buscam novos caminhos para perpetuar a exploração dos trabalhadores e perpetuar a hegemonia do capital financeiro internacional”.
Costa também alertou sobre as eleições de 2026: “Não pensem que a eleição do ano que vem será uma coisa fácil. Não pensem que Trump e os Estados Unidos não vão tentar interferir nesse processo. Seja pela ação subterrânea de organizações como a CIA, seja garantindo recursos de financiamento para a extrema direita fazer a disputa eleitoral”.
Misiara Oliveira reafirmou a importância da ação política dos núcleos de petistas no exterior. “O Sétimo Encontro é um marco da maturidade e da consolidação da organização da militância do PT no Exterior. Nosso time está preparado para os desafios colocados, em especial no enfrentamento à extrema direita, e a reeleição do nosso Projeto liderado pelo Presidente Lula. Além disso, nossos companheiros e companheiras no exterior tem investido no diálogo com as comunidades brasileiras em cada país, na defesa de seus direitos e na organização para a tratativa de temas que impactam na vida da população brasileira no exterior”, destacou ela.
O presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, destacou o trabalho da fundação, que “continua produzindo mais conhecimento, produzindo mais práticas políticas novas, produzindo inovação para melhorar o nosso desempenho partidário”.
O vice-presidente nacional do PT, Jilmar Tatto, escolhido como secretário executivo do 8º Congresso do partido que será realizado em abril de 2026, e o dirigente nacional José Dirceu, que vai coordenar as discussões temáticas para o evento, também enviaram mensagens de saudação.
Durante todo o dia, seguiram-se debates entre os delegados e delegadas sobre eixos temáticos previamente elaborados, com vistas à atualização da Carta de Madrid, escrita em 2023 durante o encontro anterior na Espanha, documento guia da atuação no exterior.
Carta de Roma
Ao final do encontro, foi votada e concluída a Carta de Roma, que está sendo editada para divulgação. Misiara Oliveira, que assumiu a tarefa de conduzir a mesa de trabalhos de votação e consolidação do conteúdo da Carta, enfatizou o papel estratégico dos núcleos: “Os nossos núcleos do PT no exterior têm uma contribuição fundamental de organizar a nossa militância, mas mais do que isso, dialogar com a comunidade brasileira em diáspora”, declarou.
A coordenadora do núcleo de Roma, Gislaine Marins, fez um balanço positivo sobre o evento, marcado pelo ineditismo de ter três núcleos coordenando o encontro. Para a coordenadora, que também é professora do ensino superior na Itália, a militância no exterior “termina motivada e focada nas eleições de 2026 para reeleger Lula presidente. Concluímos com a certeza de que vamos continuar na luta, contribuindo para a construção do maior partido de massa do mundo e oferecendo tudo o que estiver ao nosso alcance para reforçar a nossa democracia”, disse.
Da Redação, com Fernanda Otero (Roma)