Partido dos Trabalhadores

Laisy Moriére: Dia Internacional das Mulheres Negras da América Latina e Caribe

O dia 25 de julho, referência na luta  das mulheres negras da América Latina e Caribe, não deve ser visto só como um marco

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Laisy Moriére, secretária de Mulheres do PT

Somos todas mulheres. Somos todas iguais. Lamentavelmente, não!! A despeito da natureza humana de mulheres e homens, iguais em sua essência, somos uma sociedade edificada sobre pilares de dominações, injustiças e desigualdades. Algumas com nuances ainda mais marcantes e cruéis do que outras, como as que são naturalmente impostas em decorrência de gênero e de raça.

Se nascer sob a marca do gênero feminino já pressupõe uma vida de grandes e permanentes lutas pela conquista de reconhecimento, de autonomia, dignidade e respeito, nascer mulher e negra é ainda mais desafiador e requer ainda mais resistência. É isso o que o dia 25 de julho tem como propósito anunciar e denunciar: a luta e a resistência contra a opressão de gênero, de raça e de classe.

Numa sociedade historicamente desigual, o fosso a que são lançadas as mulheres negras é ainda mais profundo e repleto de desafios e entraves do que o já profundo e desafiador fosso a que são lançadas as mulheres de modo geral. Qualquer estatística vai apontar que quando se fala em discriminação e violência contra a mulher, as negras são as maiores vítimas, a exemplo do crescimento da mortalidade  de mulheres divulgado recentemente pelo IPEA em seu Atlas da Violência 2017: enquanto a mortalidade de não-negras (brancas, amarelas e indígenas) caiu 7,4% entre 2005 e 2015, entre as mulheres negras a porcentagem subiu 22%.

Os índices superiores em que figuram as mulheres negras nas estatísticas se repetem na falta de acesso aos serviços de saúde, na dificuldade de ingressar no mercado de trabalho, nas menores remunerações, nos baixos níveis de escolaridade dentre tantos outros indicadores das desigualdades sociais.

O dia 25 de julho, referência na luta das mulheres negras da América Latina e Caribe, não deve ser visto só como um marco, uma data em que vozes se unem para fazer ressoar a indignação  e a força daquelas que são maioria entre a maioria da sociedade. É uma evocação, um chamado, uma conclamação, um grito  com o intuito de se fazer enxergar e reforçar uma  história de resistência há muito travada contra o preconceito, a desigualdade, o machismo, a discriminação, as injustiças, o racismo que, usando a expressão da historiadora Joelma Santos, se alimenta com o sangue da população negra. É um brado para a guerra que todas e todos nós devemos ter coragem de enfrentar se queremos, de fato, construir a sociedade justa e igualitária que alimentam nossas mais profundas e sinceras utopias.

Laisy Moriere é Secretária Nacional de Mulheres do PT