Partido dos Trabalhadores

Lula: combate a facções, tarifas e “nova era” industrial no NE

Presidente confirmou que Estado do Ceará será o berço do primeiro híbrido da GM no Brasil. Na televisão, ele também previu fim de sobretaxas dos EUA

Ricardo Stuckert/PR

Lula defendeu ainda a aprovação da PEC da Segurança Pública para definir claramente o papel da União e permitir que o governo federal coloque "dinheiro e inteligência" no combate ao crime nos estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, na manhã desta quarta-feira, uma entrevista exclusiva ao telejornal Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares (afiliada da Rede Globo). Cumprindo agenda no estado para a inauguração do Polo Automotivo, Lula aproveitou a conversa para detalhar novos investimentos, comentar os bastidores de sua relação com Donald Trump e fazer um duro discurso contra a violência doméstica.

O ponto central da visita foi a confirmação de que o Ceará será o berço da produção do primeiro carro híbrido da General Motors (GM) no Brasil. “É o começo de uma nova era de desenvolvimento industrial no estado”, celebrou o presidente. Além do setor automotivo, foi anunciada a implantação de um Data Center no complexo portuário industrial, com aporte de quase R$ 200 milhões e foco em sustentabilidade, utilizando energia renovável e água de reuso.

Ainda no campo econômico, Lula exaltou os indicadores nacionais, citando o crescimento do PIB acima de 3%, o controle da inflação e o desemprego em baixa histórica. Ele classificou a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil como uma medida fundamental de justiça social.

Para a educação no estado, as novidades incluem a distribuição de computadores para docentes e a criação de uma “carteirinha” para professores, assegurando descontos em serviços e cultura.

Diálogo com Trump e segurança pública

Questionado sobre o anúncio de sobretaxas pelos Estados Unidos, Lula revelou detalhes de seu recente telefonema com o presidente eleito Donald Trump, demonstrando otimismo quanto à revogação das tarifas. “Toda vez que converso com o Trump, me surpreende. (…) Eu fiz questão de dizer para ele: nós temos dois Trump, o da televisão e o da conversa pessoal. A química entre nós rolou de verdade”, relatou, brincando que seu “sorrisinho de Monalisa” indica boas novidades.

A conversa com o republicano serviu de gancho para o tema da segurança. Lula mencionou ter proposto cooperação de inteligência para combater criminosos brasileiros que lavam dinheiro nos EUA. O presidente reconheceu a gravidade das facções, admitindo que elas estão “se profissionalizando e se internacionalizando”, e defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública para que a União possa investir “dinheiro e inteligência” nos estados. “O crime organizado hoje está na indústria, na política, no judiciário, na polícia, no futebol e nas bets”, alertou.

No momento mais contundente da entrevista, Lula abordou a escalada da violência contra a mulher. Citando casos recentes de brutalidade, convocou um “movimento de homens” para dar um basta nas agressões. “Se um homem não gosta de uma mulher, se separa. A mão da gente foi feita para trabalhar e fazer cafuné, não para fazer violência”, desabafou, finalizando com um recado direto: “Quem bater em mulher, não precisa votar em mim”.

Na área da saúde, o presidente foi enfático ao condenar o movimento antivacina, chamando de “irresponsáveis” os disseminadores de desinformação. “Vamos vacinar o povo brasileiro e todas as crianças. É uma questão de honra”, pontuou.