A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão do campo progressista no mundo. “O que que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”, questionou Lula.
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O presidente descreveu sua jornada pessoal, revelando como a versão inicial à política se tornou na profunda verdade de que “a tristeza de quem não gosta de política é que é governada por quem gosta”. Ele lembrou a criação do PT a partir da percepção da ausência de trabalhadores no Congresso Nacional, apontando que a organização popular foi a chave para a classe trabalhadora alcançar a Presidência da República, um feito antes considerado “humanamente impossível”.
Lula também lembrou a fundação do Fórum de São Paulo, que logrou prosperar em reunir a esquerda latino-americana em torno da organização dos trabalhadores. “Foi assim que nós criamos o Fórum de São Paulo. Da República Dominicana tinha 15 organizações de esquerda. A Argentina tinha umas 20 organizações de esquerda e ninguém falava com ninguém”.
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Ameaças à democracia
A cerne do discurso de Lula foi um chamado à ação e à reflexão. Ele instou cada cidadão e líder a se perguntar diariamente: “O que a gente vai fazer pela democracia? O que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular?”
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A provocação mais incisiva do presidente, contudo, foi dirigida ao próprio campo democrático e de esquerda. “O que me inquieta hoje é a gente responde para nós mesmos aonde é que os democratas erraram, em que momento a esquerda errou, por que nós permitimos que a extrema direita cresça com a força que está crescendo? É virtude deles ou é incompetência nossa?”, questionou.
Lula criticou a tendência de alguns governos, mesmo de esquerda, de priorizar os interesses “dos inimigos” – como a cobrança do mercado e as demandas da imprensa – em detrimento da base popular que os elegeu. “Muitas vezes os nossos concorrentes que foram pra rua, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados por nós setores e radicais. E a gente começa a não dar atenção a eles e dar atenção àqueles que falam bem da gente. Esse é o fracasso da democracia”, lamentou.
Para o presidente, a resposta ao avanço do negacionismo, do extremismo e do discurso fascista deve surgir de uma avaliação honesta. “Nós temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Como é que nós estamos exercendo a democracia em nossos países? Se a gente encontrar essa resposta, a gente volta a vencer a direita, sabe? Se a gente não encontrar resposta, a gente vai continuar sendo sufocado.”
Da Redação