O Governo Lula venceu 2025. Conquistou indicadores recorde de emprego, inflação e renda. Implementou novas políticas públicas, como o Agora Tem Especialistas, Pé de Meia, Gás do Povo, Isenção de Imposto de Renda, IPI Zero, a CNH do Brasil, entre tantas outras, que consolidam o legado e o projeto político do Partido dos Trabalhadores. Não foi mais do mesmo. Foi mais do novo. Mas a tarefa agora é vencer 2026.
“Por que a opinião pública não acompanha esse legado tão pujante? Se as pessoas conhecem os programas [sociais], por que a aprovação do governo [Lula 3] não acompanha?”, questionou Thiago César Santos, secretário-executivo da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), durante a mesa “Comunicação, Democracia e Soberania”, realizada na quinta-feira, 5, no primeiro dia das comemorações do aniversário de 46 anos do PT, em Salvador.
Na avaliação da Secom, a resposta está na busca de uma reconexão com o sentimento das pessoas. A expectativa, em 2026, é que o PT e o Governo Lula consolidem a luta contra privilégios. “Devemos seguir nessa toada o ano inteiro, governo e partido”, defendeu Thiago Santos. Além disso, é preciso enfatizar a credibilidade da economia brasileira – medidas como o PIX – e enfrentar sem medo, com clareza e transparência, o debate contra o crime organizado.
Otávio Antunes, estrategista de comunicação do PT há mais de uma década, afirmou que é preciso começar a disputa de 2026 por 2026. Não adianta, segundo ele, ter como base a eleição passada. A eleição, pontuou, é sempre um “plebiscito do incumbente”, de quem está no cargo. “Em 2022 era um plebiscito do Bolsonaro. Em 2026 é um plebiscito do Lula. A eleição é sobre o Lula e sobre o que nós fizemos”, disse.
Porém, acrescentou Antunes, não basta lembrar o que foi o bolsonarismo e suas consequências nefastas, nem apresentar números, ou tampouco apenas comparar os dois governos. É preciso ir além. “É defender uma causa. O bolsonarismo, quando era atacado, sempre defendia uma causa [como liberação de armas, o tema da família]”, explicou o publicitário.
“Nossa base social é muito boa de briga. E temos um Titã entre nós, que é o Lula. A gente se comunica bem”, afirmou. Mas é preciso organizar o debate para defender o legado do partido e dos governos Lula, sintetizou. Mostrar, segundo ele, o quão furado é o discurso “antissistema” do bolsonarismo, da extrema direita. “O sistema não é o Supremo Tribunal Federal, o governo. O sistema são eles. Eles que protegem a elite, protegem bancos, protegem privilégios, protegem as bets. E transferem o custo para o povo. Estamos, agora, enfrentando privilégios seculares”, enfatizou Otávio Antunes.
Idealizador da campanha Taxação das BBB (Bilionários, Bancos e Bets), Antunes conduziu a comunicação para essa seara da indignação contra os privilégios, que mobiliza a maior parte da população. “Nós surgirmos para enfrentar o sistema. O sistema não são as instituições democráticas. O sistema são os que querem tomar o Estado para si. Quem nasceu pra colocar o povo no orçamento foi o PT”, sentenciou o estrategista.
Colonialismo digital
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o PT está “renovando as frentes de batalha” e tem orgulho de sua história. Ele ponderou que vivemos a quadra mais desafiadora do cenário internacional, o que complica substancialmente a luta da esquerda no mundo.
Essa luta, afirmou Éden, não terminará com as eleições de outubro. “As big techs influenciam a tomada de decisão de países inteiros, coletivos e indivíduos”, criticou, denunciando a era de um colonialismo digital promovido pelos megaconglomerados tecnológicos. “Não existe neutralidade nas redes sociais. Não podemos acreditar nesta ilusão”, defendeu.
Éden Valadares também reiterou que o PT não pode entrar na eleição de 2026 aceitando o discurso dos opositores de que o governo é o sistema e o status quo. “Essa democracia não atendeu nenhum dos problemas da humanidade, em canto algum”, disse, referindo-se à crise global do capitalismo. O secretário afirmou, ainda, que o PT precisa ser firme na defesa pela regulação das big techs, e deixara claro que não se trata de nenhum tipo de censura, mas de uma medida crucial para enfrentar esse novo colapso da modernidade.
Paulo Okamotto, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo, explicou o funcionamento do Pode Espalhar, uma rede própria do PT que conecta dirigentes e militantes. A base do projeto é o combate à desinformação em larga escala, que corrompe a democracia. O Pode Espalhar aposta dos militantes como multiplicadores da verdade.
“Como políticos, nossa grande tarefa é convencer a sociedade de nossos projetos, nossos valores. Portanto, a gente precisa permanentemente se capacitar”, defendeu.
Da Rede PT de Comunicação.