No berço do Partido dos Trabalhadores – o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo – o agora ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou que vai disputar o governo de São Paulo. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira, 19, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros e parlamentares da velha guarda petista do estado, como José Dirceu, Rui Falcão, Arlindo Chinaglia e Carlos Zarattini.
Tanto Lula quanto Haddad enfatizaram a simbologia de lançar a pré-candidatura no sindicato do ABC Paulista: a luta pela democracia e a resistência ao autoritarismo, um cenário que se repete agora em 2026 com o avanço da extrema direita no Brasil e no mundo.
“A situação política do Brasil é tão grave, a situação política do mundo é tão grave, que se a gente não pegar as melhores pessoas para fazer a luta pela democracia, corremos o risco de entregar a democracia, outra vez, aos fascistas”, afirmou Lula, ao discursar.
O presidente destacou que o Sindicato dos Metalúrgicos representa o início da sua vida política e do PT. “Aqui é o início de uma trajetória política que ajudou a construir a história da democracia e deste país”, frisou Lula.
Bem humorado, Lula disse que Haddad tinha manifestado o desejo de deixar o Ministério da Fazenda para “estudar, sair um pouco da política, fazer num sei o quê”. “Mas Haddad resolveu, outra vez, colocar o nome dele à disposição para ser governador do estado de São Paulo nesta eleição. Ele vai ser o futuro governador de São Paulo”, afirmou Lula. O presidente destacou que, além de Haddad estar “muito mais do que preparado” para a disputa eleitoral, ele foi “o ministro da Fazenda mais exitoso que esse país já teve”.
“Nunca fiz da política profissão”, diz ex-ministro
Haddad fez uma distinção entre as vitórias eleitorais e as vitórias políticas, destacando que a despeito de “nunca ter feito da política” a sua profissão, sempre compreendeu a atividade política como uma razão de vida cidadã.
As disputas em São Paulo e a nacional, destacou, serão possivelmente os maiores desafios políticos que ele e o presidente Lula enfrentarão em suas trajetórias. Ex-ministro da Fazenda, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Haddad disse que não se pode “colocar em risco a soberania, a democracia e o incipiente Estado de bem-estar social que estamos construindo desde a redemocratização” do Brasil.
O ex-ministro deixou claro que a decisão foi tomada a partir de conversas com Lula e da definição do melhor arranjo político para a disputa eleitoral em São Paulo. Ele enfatizou, ainda, que a decisão de disputar não significa sacrifício, como alardeiam alguns profissionais da imprensa, e tampouco há qualquer tipo de barganha para aceitar a disputa.
“Eu não aceito viver num país tão desigual. Dedicar uma parte da minha vida a essa causa jamais vai ser visto por mim como um sacrifício”, afirmou. Segundo Haddad, quem diz que ele se sacrifica ao aceitar disputar o governo não o conhece: “Se me conhecesse, jamais diria que entrar no ringue para essa causa é um sacrifício. Para mim, é um grande privilégio.”
Haddad também afastou especulações sobre seu futuro político. “No meu caso nunca existiu barganha. Disputo eleição para ganhar. É como vou disputar essa eleição”, disse, sob aplausos de militantes e sindicalistas que foram convidados para acompanhar o pronunciamento.
“Insisto em dizer: a vitória política é sempre possível. Basta se apresentar de cara limpa, com bom projeto, que vai despertar a consciência das pessoas”, disse o ex-ministro. Segundo ele, São Paulo precisa “efetivamente despertar da inércia que está contaminando as estruturas do estado e da capital”.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, avaliou que “momento é de avanço do pensamento autoritário, avanço da ultra direita e, infelizmente, do fascismo”. A disputa eleitoral, enfatizou, será crucial para definir se o Brasil continuará trilhando um caminho de organização das políticas públicas para ser um país “justo, igualitário, de oportunidades e igualdade”, ou se vamos negar a soberania, a democracia e perpetuar um projeto em que serão mantidos privilégios aos privilegiados.
Lula: É preciso avaliar o mundo
O presidente Lula destacou a capacidade de diálogo de Haddad com o Congresso e a aprovação da reforma tributária como um dos maiores êxitos do governo. Mas reconheceu que apesar de todos os avanços econômicos obtidos com a gestão de Haddad na Fazenda, como controle da inflação, geração de empregos, melhora da renda, a percepção das pessoas sobre a economia não é favorável.
“Tem tantas coisas que conquistamos, mas o povo quer mais, porque está mais endividado. O padrão de consumo mudou”, afirmou o presidente. É preciso fazer uma avaliação do mundo, disse Lula, para compreender as nuances que envolvem a disputa eleitoral neste ano.
A eleição de 2026, destacou o presidente, “não é uma eleição normal”: “É a eleição da democracia contra o fascismo; da liberdade contra opressão; da liberdade de imprensa contra a mentira”, afirmou.
Fator Alckmin
Após elogiar a lealdade e a competência de Geraldo Alckmin, Lula disse que está de braços abertos para recebê-lo como vice, mas deixou claro que haverá uma costura entre o ex-governador de São Paulo e o ex-prefeito. Lula afirmou que Alckmin e Haddad precisam conversar. O presidente deixou no ar a possibilidade de Alckmin ser um dos nomes para a chapa ao Senado.
“O Haddad vai ganhar essa eleição. Conte conosco pra gente percorrer a geografia de São Paulo”, afirmou Alckmin. Segundo o vice-presidente, Haddad vai “apresentar a melhor plataforma e o melhor programa” para que o estado saia da inércia e abrace um “grande projeto de desenvolvimento, humanista, com alma e com sentimento”.
Da Rede PT de Comunicação.