Partido dos Trabalhadores

Para Pimenta e Gleisi, o que está em jogo é a democracia

Em discursos na Esplanada dos Ministérios, petistas expressarem apoio a Lula e pediram que o Supremo Tribunal Federal cumpra a Constituição

Alessandra Dantas

Gleisi defendeu que o País precisa do cumprimento da Constituição em sua integridade, para que a democracia seja reforçada

Ao discursar para manifestantes que ocupam a Esplanada dos Ministérios, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), reafirmou sua confiança no Brasil retomar a normalidade democrática e dimensionou a importância e a abrangência da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mérito do habeas corpus em favor do ex-presidente Lula.

“O que está em jogo é muito mais que isso. O que está em jogo é se vamos ou não respeitar a democracia. O que está em jogo é se vai prevalecer o desejo do constituinte originário ou se o Brasil vai se curvar ao desejo golpista, aos interesses das multinacionais, que não querem que Lula volte a governar o País”, detalhou.

Pimenta lembrou que o medo dos opositores de Lula se justifica na incapacidade de vencerem nas urnas. Por isso, segundo Pimenta, recorrem à única saída possível para eles, que é privar o ex-presidente de sua liberdade e impedi-lo de participar das eleições. “Sabem que não ganham, que são nossos fregueses nas urnas”, reforçou.

O líder petista classificou o dia de hoje como um momento histórico único, que marca uma jornada em favor da democracia e contra o avanço do fascismo e do autoritarismo de extrema-direita. “O povo está mobilizado e nas ruas, e estou otimista de que vamos vencer e que a Constituição vai ser respeitada”, disse.

A presidenta Nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), ao discursar também para a multidão, reforçou igualmente que – para além do julgamento do habeas corpus de Lula – está em jogo o Estado democrático de direito. “O artigo 5º da Carta Magna é claro, ao definir que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, reafirmou.

Gleisi defendeu que o País precisa do cumprimento da Constituição em sua integridade, para que a democracia seja reforçada. “Hoje, o que temos no STF não é apenas o habeas corpus de Lula. Claro que é também, porque o ex-presidente, como qualquer outro cidadão, tem o direito de recorrer a todas as instâncias, ainda mais quando se sabe que não há provas contra ele e, portanto, não há crime. Mas o que está em jogo no STF é o direito de todos os brasileiros”, explicou.

Manifestantes são a “voz, o coração e as pernas de Lula”, discursa Erika Kokay

Parlamentares da Bancada do PT no Congresso se uniram a milhares de manifestantes que ocupam a Esplanada do Ministérios na tarde desta quarta-feira (4) para expressarem apoio ao ex-presidente Lula e pedir que o Supremo Tribunal Federal cumpra a Constituição.

Em alto e bom som, a deputado Erika Kokay (PT-DF) afirmou que aquela multidão que estava ali era a voz, o coração e as pernas do Lula. “Lula você costuma dizer que não se prende a esperança, e que se prendesse você, seus sonhos e voz continuariam. Pois estamos aqui para reafirmar que somos a sua voz em defesa da democracia, em sua defesa e em defesa do Brasil”.

Erika disse que são os militantes, integrantes de movimentos sociais, trabalhistas e da sociedade civil e líderes do campo democrático popular os verdadeiros defensores da pátria. “É hipocrisia usar verde e amarelo, dizer que defende a pátria e entregar a Eletrobras, entregar o pré-sal, permitir que o País seja saqueado. Os verdadeiros defensores da nação, da soberania nacional, da democracia e da Constituição somos nós. E estamos aqui para dizer que não vamos permitir que a Constituição seja rasgada”.

A deputada Luizianne Lins (PT-CE) destacou que Lula é símbolo maior da esperança, da luta pelo Brasil. “Eles querem condenar todos nós. Querem a violência, mas nós estamos resistindo. Somos cria das ruas, não somos como os amarelos do outro lado, que já estão indo embora”, afirmou, se referindo aos manifestantes do MBL, que em pequenos grupos também se manifestavam na Esplanada.

Luizianne alertou ainda que o Brasil não será mais o mesmo depois de o julgamento do habeas corpus de Lula. “Estamos lutando incansavelmente para que o STF faça justiça, para que se cumpra o que está na Constituição. Mas, independentemente do resultado, a luta não acaba aqui. Temos grandes desafios pela frente para colocar o País nos trilhos do futuro”.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) criticou o pedido de intervenção militar estampando em uma faixa dos manifestantes contrários à democracia. “Quem pede intervenção é porque não consegue ganhar eleição. Foi assim em 1954, quando a direita pediu intervenção e levou Getúlio Vargas ao suicídio, foi assim quando tentaram evitar a posse de Juscelino Kubistchek, foi assim no golpe contra João Goulart. Ai, nós ganhamos em 2002, 2006, 2010 e 2014, mostrando a força da democracia. Agora, querem intervenção, mas o povo brasileiro é de luta e não aceita mais a exploração da nação, não aceita a entrega do Brasil”.

Zarattini concluiu afirmando que tem certeza de que o País vai marchar para a democracia. “Vamos vencer em 2018 sob o comando de Lula que, desde a década de 70 vem unificando a luta dos brasileiros. Que fundou a Central Única dos Trabalhadores, que criou o PT, que enfrentou com garra todos esses momentos. Lula vai ser presidente desse País de novo”.

Para o deputado Bonh Gass (PT-RS)o STF não pode rasgar a Constituição. Ele destacou ainda que o objetivo dos que querem prender Lula, sem crime e sem prova, não é combater a corrupção. “Se fosse, o senador tucano Aécio Neves já estaria condenado e com Michel Temer não seria diferente”, afirmou lembrando que a Procuradoria-Geral da República precisa fazer a terceira denúncia contra Temer. “Se hoje não querem Lula é porque eles não têm candidato, é porque sabem que vão perder nas urnas. No dia 15 de agosto estaremos registando o nome de Lula para disputar as eleições. Vamos voltar a ter esperança”.

 

Do PT na Câmara