O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o Governo Federal está com estudos ativos para lidar com o endividamento da população brasileira, apontado por ele como um dos principais entraves para a melhora da percepção da sociedade sobre a situação econômica atual.
A fala foi feita hoje, 26, durante o evento de reinauguração de uma fábrica da montadora Caoa em Anápolis (Goiás) e do lançamento de uma nova linha de produção automotiva em território nacional pelo grupo– em parceria com a empresa chinesa Changan.
Segundo Lula, apesar dos indicadores positivos da economia, o alto volume de dívidas contribui para um “clima de desconfiança” entre os brasileiros. “A economia está bem, mas o povo está endividado”, reconheceu. O presidente apontou que as mudanças nos hábitos de consumo, sem que as transações exijam dinheiro físico. O uso constante de cartão de crédito e de celulares para pagamentos eletrônicos, observou o presidente, seria uma das causas conectada ao problema.
“O celular está transformando o ser humano em algoritmo. As pessoas não conseguem mais viver sem isso. A gente pede comida pelo celular, a gente paga a conta pelo celular. Parece que não é nada. Mas, quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos fica grande”, ressaltou.
Lula afirmou estar estudando medidas com o Ministério da Fazenda para conter o fenômeno do endividamento que prejudica milhares de famílias do país. “Eu pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver o problema das dívidas das pessoas. Eu não quero que as pessoas deixem de se endividar para ter uma coisa nova na vida, eu não estou pedindo isso. O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que vocês devem”, explicou o presidente.
O presidente enfatizou, também, a necessidade de educação financeira para que as pessoas consigam administrar melhor os salários. Isso é outro ponto sob análise da Fazenda, destacou.
A agenda do presidente no estado goiano também foi marcada por anúncios no setor industrial e de parcerias internacionais para ampliar a modernização tecnológica, capacidade produtiva e o estímulo do desenvolvimento econômico no país.
Mais dignidade e cabeça erguida
Ao lado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o presidente participou da reinauguração da fábrica e do lançamento do modelo Uni-T, primeiro veículo da parceria entre Caoa e Changan totalmente produzido no Brasil.
“Não tem coisa mais gratificante para um país do que a economia poder oferecer ao povo a possibilidade de crescimento, geração de emprego e a possibilidade das pessoas viverem com mais dignidade e de cabeça erguida”, afirmou o presidente.
O co-presidente executivo do grupo Caoa, Carlos Philippe Luchesi de Oliveira Andrade, destacou que o novo modelo simboliza um marco para a indústria nacional, ao unir tecnologia global e produção local. Geraldo Alckmin afirmou que o presidente “está reconstruindo a indústria brasileira” e citou uma semana de anúncios relevantes, como avanços nos setores aeronáutico e ferroviário.
Já Durigan defendeu que o país vive um momento de crescimento em diversos setores, com foco em produtividade, inovação e justiça social.
Em seu discurso, Lula também ressaltou o papel da parceria chinesa no desenvolvimento tecnológico do Brasil, classificando-a como o “melhor” parceiro do país. Ele ainda abordou o cenário internacional e afirmou que o governo segue atuando para evitar que conflitos externos impactem o custo de vida no Brasil. “Nós não vamos deixar a irresponsabilidade da guerra do Irã chegar no preço da alface, da cebola e do feijão que o povo brasileiro come”, disse.
Valorização da indústria farmacêutica nacional
Seguindo sua agenda em Anápolis, o presidente Lula visitou o complexo industrial da Brainfarma, o maior polo farmacêutico do Brasil, com o intuito de conhecer o espaço em que será produzida, pela primeira vez na América Latina, a escopolamina, Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do medicamento Buscopan.
O projeto de produção nacional integra as diretrizes da Nova Indústria Brasil e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco na internalização de IFAs essenciais, reduzindo o risco de problemas com casos de desabastecimento global desses ingredientes. Ele foi concebido com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que realizou um investimento total de R$ 250 milhões no polo farmacêutico.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional está diretamente ligado ao acesso da população a medicamentos, trazendo o valor de programas como o Programa Farmácia Popular do Brasil na vida dos brasileiros.
Durante a visita, também foi apresentada a produção da Losartana Potássica, medicamento utilizado no controle da hipertensão que é um dos mais distribuídos da política pública. Padilha ressaltou a importância da integração entre o agronegócio e a indústria da saúde, com a produção nacional de matérias-primas para medicamentos. Para ele, “saúde não é gasto, é investimento”.
Em seu discurso, o presidente reforçou a defesa do acesso universal a medicamentos e criticou a disseminação de desinformação. “Todo mundo tem o direito de ter o remédio para salvar a sua vida”, disse. A visita terminou com Lula e Alckmin recebendo a vacina contra o vírus da Influenza, marcando o início da campanha de vacinação do Governo Federal contra a gripe em 2026.
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