Partido dos Trabalhadores

PT propõe estatal para defender riquezas minerais de cobiça estrangeira

Além de proteger as chamadas terras raras, projeto de lei cria regime para incentivar exploração no Brasil com a garantia de distribuição justa dos recursos

A bancada do PT na Câmara dos Deputados deu um passo importante para proteger as riquezas estratégicas do país e impedir que o Brasil continue sendo tratado apenas como fornecedor de matéria-prima para potências estrangeiras. O partido protocolou, por meio do líder da bancada, deputado Pedro Uczai (PT-SC), um projeto de lei que cria a TerraBras, empresa pública destinada a gerir minerais críticos e estratégicos e garantir a soberania nacional sobre esses recursos.

O projeto é fundamental porque as terras raras tornaram-se peça-chave na economia global e na disputa entre grandes potências. Recentemente, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou a intenção de entregar a exploração desses minerais aos Estados Unidos.

O texto propõe uma mudança estrutural no modelo de exploração mineral. Em vez de manter o sistema atual, no qual empresas exploram recursos e o Estado se limita a arrecadar tributos, o projeto cria o regime de partilha da produção mineral, semelhante ao adotado no pré-sal.

Nesse modelo, a União deixa de ser espectadora e passa a ser sócia direta da exploração, recebendo parte da produção dos minerais extraídos. O percentual de participação pode variar entre 10% e 80%, garantindo retorno mais justo para a sociedade brasileira.

Além disso, o projeto estabelece mecanismos para estimular a industrialização no país, exigindo conteúdo nacional, incentivando o beneficiamento dos minerais em território brasileiro e reduzindo a exportação de matéria-prima sem valor agregado.

“Essa mudança de paradigma contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas complexas, gerando empregos qualificados, promovendo transferência de tecnologia e aumentando a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional”, ressalta o deputado Pedro Uczai.

Outro ponto central é a segurança nacional. Em um cenário de disputa global por recursos estratégicos, o texto impõe regras para evitar que esses minerais sejam utilizados em atividades contrárias aos interesses do país, incluindo restrições à exportação para fins ligados à indústria bélica.

As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica. Apesar do nome, não são necessariamente escassas. A denominação está relacionada à complexidade de extração, separação e refino, que exige tecnologia avançada e alto controle ambiental.

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TerraBras: Estado no comando das riquezas

O projeto autoriza a criação da Empresa Brasileira de Mineração de Terras Raras (TerraBras), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, recolocando o Estado brasileiro no centro da estratégia para o setor.

A estatal terá papel estratégico em toda a cadeia produtiva:

– Pesquisa e exploração de minerais críticos;
– Extração, beneficiamento e comercialização;
– Desenvolvimento tecnológico;
– Formação de reservas estratégicas nacionais;
– Atuação em cadeias globais de valor.

A proposta prevê ainda que a TerraBras tenha participação relevante nos projetos, com contratos que podem garantir no mínimo 50% da produção em determinadas operações, além de exigir transferência de tecnologia e fortalecimento da indústria nacional .

A criação da empresa pública representa uma correção ao modelo adotado nos últimos anos na gestão de Jair Bolsonaro, marcada pela redução do papel do Estado e pela abertura desordenada ao capital estrangeiro em setores estratégicos.

Ao colocar o Estado como protagonista, o projeto busca assegurar que a riqueza gerada pelos minerais estratégicos permaneça no país e seja revertida em desenvolvimento econômico, inovação e melhoria da qualidade de vida da população.

Da Rede PT de Comunicação.