O programa Café PT desta segunda-feira (10) recebeu o secretário nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, Saulo Dias. Durante a entrevista, ele abordou, principalmente, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 2025, a COP30 (que se inicia hoje, em Belém, no Pará), e a transição ecológica imperativa ao planeta.
“A COP é o maior evento que trata a questão climática do mundo. É transformar o Brasil no centro do debate mundial sobre as mudanças climáticas, sobre as questões ambientais”, resumiu o secretário, antes de definir Belém como “a capital do mundo”, enquanto durar a conferência da ONU.
Na sequência, Saulo elogiou os números alcançados pelo governo federal em termos de preservação. Até julho de 2025, na Amazônia e no Cerrado, houve queda de 74% e 62% no desmatamento, respectivamente, ante os dados de 2022, último ano da administração Bolsonaro.
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“Esse é o primeiro sinal que nós passamos ao mundo de que as questões climáticas, ambientais, também são uma prioridade para o governo Lula. Nos últimos, principalmente durante o último período de governo, o sistema de proteção ambiental foi todo desmontado. O Ibama, o ICMBio e todos os órgãos de controle ambiental foram desmontados”, lamentou.
“Nós retomamos nesses últimos três anos. E uma demonstração disso é o desmatamento caindo, as queimadas diminuindo. Tudo isso é um reflexo de uma política socioecológica do governo do presidente Lula. Mas ainda é só começo”, acrescentou, ao pregar desmatamento zero no Brasil como meta a ser conquistada.
COP30
O secretário de Meio Ambiente do PT também destrinchou as duas questões principais da COP30, segundo sua própria avaliação. Para Saulo, o negacionismo ambiental é uma delas, por causa da nocividade à existência humana. Em segundo lugar, impõe-se o financiamento ambiental. “Nós temos que achar uma forma de financiar a transição ecológica”, argumentou.
“Eu acredito que, se conseguirmos avançar nesses dois pontos, sair de lá com uma resposta, vai ser um grande avanço para a humanidade, não é só para o Brasil”, disse. “Eu acho que essa COP precisa mostrar para o mundo que existe como fazer isso: existe como desenvolver um país, existe como acabar com a fome, com a pobreza, sem degradar o meio ambiente”, concluiu.
Transição verde
Sobre a transição ecológica imperativa ao planeta, Saulo ponderou ser complexa a relação com o grande capital nessa tarefa. “Você acaba entrando em uma situação de confronto, até por conta, muitas vezes, de informação mesmo”, explicou.
“Aqui no Brasil, vou dar um exemplo: nós, hoje, temos uma grande frota de veículos que são elétricos, e não à combustão. Então, os combustíveis fósseis, eles têm que ser desativados gradualmente, mas com uma certa rapidez, aqui no Brasil”, pontuou.
“Outra coisa: nós temos uma vocação, aqui no Brasil, de produção de energia limpa, que é a energia eólica, energia solar, os biocombustíveis que nós também investimos muito aqui no Brasil. Mas a intenção é que, daqui a um tempo, todos os automóveis que ainda sejam à combustão, eles funcionem com biocombustíveis. Isso é uma forma de fazer uma transição”, acrescentou.
O secretário do PT ainda falou da reverberação que o processo de descarbonização – especialmente o atrelado à produção de energia limpa – exerce sobre a economia e sobre o mercado de trabalho.
“Com isso, você incentiva a agricultura familiar para a plantação daqueles insumos que vão se transformar em biocombustíveis. Você desenvolve toda uma cadeia de pesquisas. Você desenvolve a própria economia, ela gira em torno de novos acontecimentos”, apontou.
Da Redação