A Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal lançou o Guia da Candidata, uma ferramenta estratégica desenvolvida para mulheres que buscam transformar projetos em atuação política efetiva. O material surge como um roteiro prático e jurídico em um cenário onde a política ainda é marcada por profundas desigualdades de gênero, raça e classe.
De acordo com a líder do PT no Senado, Augusta Brito (PT/CE), procuradora especial da Mulher na Casa, a iniciativa é um passo fundamental para a democracia.“O Guia da Candidata foi elaborado para ampliar o acesso à informação e fortalecer a participação feminina no processo eleitoral. O acesso à informação reduz riscos, amplia a autonomia e fortalece a capacidade de mulheres ocuparem os espaços que historicamente lhes foram negados”, reflete a parlamentar.
Por mais mulheres na política
No Brasil, as desigualdades de gênero na política ainda são relevantes. A edição do mapa “Mulheres na política: 2025” mostra que os homens continuam a superar as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo.
As mulheres enfrentam dificuldades maiores de acesso a financiamento, redes de apoio, visibilidade, bem como são alvos mais frequentes de ataques, desinformação e violência política. O Brasil segue a tendência dos últimos anos e continua mal posicionado: o país ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres e a 53ª posição no ranking de representação ministerial, como mostra estudo recente publicado pela ONU Mulheres.
“Essa publicação oferece um roteiro para enfrentar essas desigualdades, orientando sobre como evitar candidaturas fictícias, garantir o cumprimento das cotas de recursos, acionar redes de apoio e utilizar os instrumentos legais disponíveis para denunciar irregularidades”, ressalta a senadora.
Conteúdo e Estrutura do Guia
O material foi planejado pelo Senado para ser utilizado tanto para consultas rápidas quanto para estudos aprofundados. Ele abrange desde a fase inicial de preparação da candidatura até o período pós-eleição, oferecendo suporte às candidatas e a suas equipes de campanha.
Entre os principais temas abordados, destacam-se:
–Pré-candidatura e Registro: orientações sobre condições de elegibilidade, como idade mínima, filiação partidária e domicílio eleitoral, além de alertas sobre prazos do calendário eleitoral;
–Financiamento e Cotas: explicações detalhadas sobre o fundo eleitoral e partidário, garantindo que as mulheres saibam como acessar os 30% dos recursos destinados por lei às suas campanhas;
–Combate a Fraudes: diretrizes para identificar e evitar “candidaturas laranjas”, orientando as mulheres a exigirem suporte real dos partidos para que suas disputas sejam competitivas;
–Comunicação e Redes Sociais: ferramentas para construir uma identidade política e regras sobre o que é permitido na propaganda eleitoral, incluindo o uso ético de tecnologias e o combate às fake news.
Segurança e Proteção
O material ainda destina especial atenção à violência política de gênero. O guia define os tipos de violência (moral, psicológica, física e digital) e apresenta canais de denúncia e redes de apoio jurídico e psicológico. A senadora Augusta Brito reforça que a presença feminina é o que qualifica o debate público. “A democracia brasileira se fortalece quando mais mulheres participam ativamente das decisões do país”, declara Augusta Brito.
O Guia da Candidata foi elaborado pensando em dar suporte a todas as mulheres — negras, indígenas, trans, rurais e de periferia — que desejam ocupar espaços de poder com segurança e autonomia.
”Como procuradora especial da mulher do Senado e líder do PT, reafirmo o compromisso de incentivar, proteger e dar visibilidade às candidaturas femininas, porque a democracia brasileira se fortalece quando mais mulheres participam ativamente das decisões do país”, conclui.
Da Rede PT de Comunicação.