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Abertura de seminário da JPT debate necessidade de renovação

Gleisi fala em Seminário da Juventude do PT

A necessidade de se adaptar à nova realidade do mundo do trabalho, com uma renovação não só das práticas políticas mas também das lideranças, assim como a importância da resistência frente ao novo governo que se avizinha, foram os focos do debate na mesa de abertura do Seminário “Organizar e Resistir – Jamais poderão deter a chegada da primavera”, promovido pela juventude do PT e que teve início neste sábado (1º), seguindo até a segunda-feira (3).

Participaram da mesa de abertura e discussões a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann; o presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann; o deputado federal Paulo Pimenta; o secretário nacional sindical, Paulo Cayres; a secretária nacional LGBT, Janaína de Oliveira; a secretária de mulheres, Anne Karolyne; o secretário de finanças, Emidio de Souza; além do secretário nacional de juventude, Ronald Sorriso, que coordenou a discussão.

A senadora Gleisi Hoffmann lembrou que em seus pouco mais de 500 anos de história, o Brasil foi na maior parte do tempo uma colônia, depois império e república, com poucos períodos de democracia.  “O maior período de democracia se iniciou em 1988 com a constituinte, e nós sabemos o que foi construir aquela constituinte”, afirmou.

“A gente começa a ter os direitos daquela Constituição na prática só com os governos do PT. O direito à alimentação só tivemos com o presidente Lula. No Brasil, a fome era uma paisagem, as pessoas achavam natural”, destacou ela.

Gleisi falou sobre as contradições presentes em todas as sociedades e como a história e os movimentos sociais não avançam de maneira linear, mas com idas e vindas, mas que é preciso analisar cada momento e agora é tempo de resistência.

“Não temos uma receita pronta para a luta, temos visões de bons enfrentamentos, mas isso tem que ser feito no dia a dia, na caminhada. José Martí falava que resistir é tão forte quanto avançar.”

“Às vezes a gente quer fazer luta com mais força, mas se não tiver acúmulo, é temerário, as pessoas podem perder a vida, a dignidade. Estamos em momento de resistência e a resistência é luta e é bonita.”

Segundo Gleisi, o PT, assim como qualquer outro partido ou qualquer outra forma de organização social, está sujeito às mesmas contradições que existem na sociedade, e por isso destacou que a participação da juventude é fundamental.

“Por isso fazemos um chamado forte à juventude, que participe, grite. Se não fizerem isso, vamos nos acomodar, precisamos da juventude para nos renovarmos”.

O deputado Paulo Pimenta afirmou que “temos muitas maneiras de abordar os desafios, diferentes formas de pensar a conjuntura”. Ele relembrou que, se nos anos 70 e 80, os ícones nos quais a esquerda mundial se inspirava eram figuras como Che Guevara, Lênin, ou Sandino, hoje o próprio Partido dos Trabalhadores e Lula servem de inspiração a jovens por todo o mundo.

“A experiência do PT e dos nossos governos, somos no mundo uma referência histórica da possibilidade da transformação de um país com o Brasil”, destacou.

Ele ainda refletiu sobre o que faltou nos anos de governo enquanto organização partidária para mostrar à população que os avanços conquistados foram frutos de políticas sociais e não da propagada meritocracia, e finalizou afirmando que a renovação se impõe como necessidade.

“Quando PT foi concebido e pensado, no final dos anos 1970, Lula tinha 28 anos. Pensamos o partido, com organização, comunicação e formação, para um mundo que já faz 40 anos. O mundo é outro. Nós precisamos repensar nosso partido para o mundo que vivemos hoje. Com a forma de comunicação de hoje. Com a política de formação para a realidade de hoje.”

“Isso não quer dizer que os valores fundamentais não permaneçam. Se não nos adequarmos rapidamente ao novo mundo do trabalho, ao novo papel das mulheres, dos negros e negras, nós teremos enorme dificuldade frente os desafios extraordinários que o neo-fascismo nos expõe no próximo período”, disse Pimenta.

A secretária de mulheres, Anne Karolyne, destacou o compromisso que o PT tem com as mulheres jovens e defendeu que é preciso abrir cada vez mais espaços para a juventude. “A vontade de mudar, de revolucionar e inventar novas formas de organização precisa referenciar o partido”.

Para Emidio de Souza, a conjuntura de hoje é muito desafiadora. “A conjuntura de hoje é uma situação que nem nós, em 40 anos de militância, esperávamos. A democracia não parecia um problema, mas algo incorporado a paisagem, que não precisava mais de tanto esforço”.

“Há um obscurantismo que vai muito além das questões econômicas, que se coloca sobre a liberdade de escolha. A questão é o que Bolsonaro anuncia. De que a universidade publica não tem importância como atribuímos, a agricultura familiar.”

“Não vamos nos conformar, pois esse governo é superável e para cada gesto de truculência tem que haver militância e juventude na rua”, defendeu Emidio.

O presidente da FPA, Márcio Pochmann, falou sobre a formação do capitalismo brasileira e as mudanças com a transição da sociedade agrária para a urbana industrial. Depois citou os fenômenos novos que impactam a sociedade, como globalização, mas defendeu que a sociedade atual é uma sociedade de serviços, não mas com as características do que entendiamos como a sociedade urbano industrial. Ele destacou que é preciso repensar as práticas de organização política com base nessa nova realidade, superando certos paradigmas associados ao modelo do passado.

Da redação da Agência PT de notícias

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