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Com Ciro Nogueira na berlinda, PT cobra investigação do Banco Master

Parlamentares do PT associaram a ação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), nesta quinta-feira, 7, às recentes votações do Congresso – a rejeição de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, o que permitiu a anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Tais votações, segundo deputados, sugerem um acordão entre bolsonaristas e parte do Centrão para tentar impedir a instalação de uma CPI destinada a investigar o caso Banco Master. 

Numa nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira foi o alvo central. A PF investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.

O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), voltou a defender a criação de uma CPI para investigar os negócios do Banco Master

“Não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações do Banco Master”, afirmou Pimenta. O deputado acrescentou que “o povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos”.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que o senador, que também foi ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, é um dos articuladores do acordo político que resultou na derrubada do veto do Presidente Lula ao PL da Dosimetria. Segundo o parlamentar, tal movimentação também estaria relacionada a tentativas de barrar investigações envolvendo o Banco Master. 

“Ciro Nogueira articulou, junto com Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre, a proteção de duas organizações criminosas”, afirmou Uczai, ao se referir à redução das penas dos golpistas e aos envolvidos no caso Master. O líder petista acrescentou que o episódio demonstra “quem é o grande artífice da campanha de Flávio Bolsonaro”, apontando para o nome de Ciro Nogueira em vídeo publicado nas redes sociais.

Operação Compliance Zero

Segundo as investigações, o senador teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil do empresário. Nesta quinta-feira, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar.

Na decisão que autorizou a nova fase da operação, o ministro André Mendonça apontou Ciro Nogueira como “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente pagas por Vorcaro. Mensagens encontradas no celular do empresário registrariam pagamentos destinados a uma pessoa identificada como “Ciro”.

“Emenda Master”

A Polícia Federal também aponta indícios de troca de favores entre o senador e o Banco Master. Um dos elementos investigados envolve uma proposta apresentada por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Segundo a PF, a proposta teria sido elaborada dentro do próprio Banco Master e entregue pessoalmente ao senador. Em mensagens obtidas pelos investigadores, Daniel Vorcaro comemorou a apresentação da medida afirmando: “Saiu exatamente como mandei”. A proposta, apelidada de “Emenda Master”, acabou não sendo aprovada pelo Senado.

Rede PT de Comunicação com informações da Liderança do PT na Câmara.

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