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“Com racismo não tem jogo”, defende Anielle Franco ao Café PT

Em entrevista, ministra da Igualdade Racial detalha ações do governo Lula no combate ao racismo, fala sobre acordos nacionais e internacionais, letramento antirracista e o papel transformador do esporte

Reprodrução/TvPT

Anielle Franco reiterou que a ocupação de espaços por pessoas negras é uma medida reparatória e estruturante

Desde o início do governo Lula, o Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Ministério do Esporte e o Ministério da Justiça, coordena um conjunto de ações para combater o racismo nos esportes . “Desde que nós entramos no governo, ainda lá em 2023, fizemos um acordo, inclusive junto com o MJ na época porque a gente via e entendeu a dimensão do que era combater o racismo no esporte, não somente no futebol”, afirmou Anielle Franco ao Café PT nesta segunda-feira (14).

A estratégia inclui capacitação de profissionais, letramento antirracista e elaboração de leis em conjunto com entidades como a CBF e a Conmebol. “Esse fomento a práticas antirracistas vai desde categorias de base, que abarcaria os próprios pais, os técnicos da base, os juízes, até chegar em situações como o que aconteceu com Vini Júnior”, explicou.

Durante uma entrevista, a ministra informou que o acordo de cooperação técnica foi intensificado após reunião com a Conmebol, motivado por casos como o do jogador Luís Guilherme, do sub-20 do Palmeiras. “Ele mesmo denunciou e deixou isso evidente. O descontento, a dor… Vamos falar de dor, porque só quem sofre sabe”, disse Anielle.

A atuação do governo Lula também se deu em episódios internacionais. No caso de Vini Júnior, o MIR distribuiu um acordo com a Espanha. “A gente incomodou muito quando falou com eles, quando colocamos o dedo na ferida em relação ao Vini Júnior. Mas nem todo mundo teve a vontade política de fazer”, afirmou.

Punição aos clubes

Anielle Franco relatou uma reflexão de seu pai, torcedor tricolor: “O dia que os clubes foram punidos quando os seus torcedores cometem atos racistas, eles vão sossegar”. Ela defendeu a responsabilização institucional como meio de avanço. “Se a gente conseguiu minimamente essa universalidade de proteção, talvez tivéssemos uma mudança no quadro da sociedade”.

A ministra destacou a gravidade de casos de racismo entre próprios colegas de equipe. Citou o exemplo de um jogador que atirou uma banana em outro atleta.

“Nós não estamos falando apenas das situações entre torcedores e jogadores, mas com os dirigentes e os próprios colegas de profissão”, escreveu.

Ela reforçou a importância do letramento e da formação antirracista nos clubes, com envolvimento direto dos atletas e comissões técnicas.

“Os clubes e os esportes são formados por pessoas. Não adianta… Eu joguei no Botafogo e passei por uma situação de racismo dentro de quadra. Isso marca”.

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Representatividade, costas e resistência

Anielle Franco reiterou que a ocupação de espaços por pessoas negras é uma medida reparatória e estruturante. “É muito difícil você falar. Vamos combater o racismo’, sendo só pessoas brancas em espaços de decisão e de poder”, afirmou.

Ela contornou que ingressou por cotas na UERJ e na UFRJ, e que se desenvolveu em uma professora negra: “Quando você se vê naquela pessoa é diferente”.

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Governo Lula

Anielle Franco celebrou sua trajetória e o orgulho de compor o governo Lula. “Eu fui criado por uma família muito lulista. Lembro que usava calça jeans e tênis na Ceilândia, balançando a bandeira do PT”. Ela contou como as políticas públicas do PT mudaram sua vida.

“Lembro quando a gente para de comer miojo e salsicha mesmo sendo atleta… A primeira vez que minha mãe conseguiu comprar carne moída. Meu pai comprou um carro. Isso foi durante o governo Lula”.

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Da Redação