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Crise política prejudica ganhos sociais, diz presidente do Ipea

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e sociólogo, Jessé de Souza, disse que não houve, no Brasil, nenhuma melhora nas condições das classes populares que não tenha vindo do Estado. No entanto, ele alertou para o risco que corre esse grupo, que ascendeu socialmente nos últimos 15 anos, aos esforços de “demonização” do Estado, visto como o único corrupto e ineficiente.

“Foi uma inflexão importante quando dezenas de milhões de pessoas conseguiram melhorar seu salário, aumentar seu poder de compra, ter acesso a empregos formais. Não conheço uma mudança mais importante para o Brasil nos últimos 50 anos”, afirmou.

“Obviamente que o Estado sempre pode ser mais eficiente, mais enxuto, mais ágil e isso é sempre bom, mas deve servir antes de tudo para eliminar desigualdade e garantir a todos oportunidades iguais”, completou.

Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente do Ipea afirmou que sua maior preocupação não é a crise política e econômica, mas social. Para ele, a situação tanto econômica quanto política o interessa apenas na medida em que ela pode ser viabilizadora de uma melhora do social.

Souza está confiante de que a presidenta Dilma Rousseff terminará seu mandato, lamentou a divisão atual na política e defendeu que as questões importantes ao país sejam discutidas com serenidade diminuindo o acirramento de ânimos.

“Eu tenho 55 anos e não me lembro de ter vivido uma época com tanta polarização. Mas acho que ela tem que dar espaço a uma discussão que tem que ser argumentativa e racional. Para que aí a gente possa ver onde está o interesse da maioria da população”, disse.

Apesar dos ânimos aflorados e das brigas políticas atuais, o sociólogo disse que o mais importante, agora, é que houve efetivamente uma diminuição da desigualdade brasileira como não havia desde meio século. “Essa me parece ser a grande herança digna de ser mantida”.

Jessé de Souza foi questionado sobre a ética do governo atual e sobre o que não é digno de ser mantido pelas últimas gestões. “Acho que a questão da ética na política não se refere apenas a alguns partidos e alguns políticos. É uma questão extremamente difícil em todos os lugares”, explicou.

Segundo ele, o Brasil tem ganhos importantes na tentativa de tornar a ética cada vez mais transparente, o que não acontecia antes. Souza afirmou que toda essa situação na política dá um ganho muito grande para o país já que foi exatamente isso que ajudou a aumentar a transparência dos negócios públicos.

“Ninguém está pondo nada debaixo do tapete. E essa questão não está ligada a partidos específicos, é uma questão muito mais complexa, que lida com as relações entre economia e política. É uma problemática em todo lugar e o Brasil está no meio de um aprendizado em como lidar melhor com isso”, concluiu.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do jornal “Valor Econômico”

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