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Dirigentes do PT reagem ao flerte golpista e antidemocrático de Flávio Bolsonaro

Após novas declarações de Flávio Bolsonaro contra as urnas eletrônicas, dirigentes do PT denunciaram a tentativa de desacreditar o sistema eleitoral.

Dirigentes do Partido dos Trabalhadores reagiram ao ataque feito por Flávio Bolsonaro ao sistema eletrônico de votação. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repetiu o discurso golpista do pai e fez declarações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas durante uma reunião com diplomatas estrangeiros, em Brasília. A narrativa inverídica já foi desmentida inúmeras vezes pela Justiça Eleitoral. O PT, PCdoB e PV protocolaram uma representação  no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro e políticos bolsonaristas que disseminaram nas redes o mesmo conteúdo falso.

Para a secretária nacional de Formação Política do PT, Tássia Rabelo, a política democrática pressupõe limites. O debate público pode e deve ser intenso, mas precisa estar ancorado na realidade e no respeito às regras do jogo.

“Quando um pré-candidato à Presidência difunde informações sabidamente falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, especialmente na presença de representantes de outros países, não estamos diante de uma divergência legítima, mas de uma atuação criminosa, baseada na disseminação deliberada de mentiras para desacreditar instituições que são referência internacional”, afirma.

Flávio Bolsonaro recorre ao mesmo expediente do pai e retoma a ofensiva bolsonarista contra as instituições que serviu de combustível para os ataques contra a democracia brasileira e para o 8 de janeiro de 2023.

Segundo o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, Flávio Bolsonaro confirma ser um político extremista e não há como sustentar a imagem que sua campanha tentou pregar, de que ele é moderado. “Ele é o que é: um bolsonarista raiz. E, como tal, flerta com o golpismo, os ataques às instituições e com uma postura submissa, entreguista a interesses estrangeiros. A melhor definição de Flávio partiu de Donald Trump: Bolsonaro Júnior”, disse.

Em 2022, Jair Bolsonaro, agora preso, utilizou o Palácio da Alvorada para reunir embaixadores e propagar as mesmas mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro. O episódio foi considerado abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação pelo TSE, resultando na inelegibilidade do ex-presidente.

Ataque à democracia

As urnas eletrônicas são utilizadas no Brasil há 30 anos e jamais foi comprovada qualquer fraude capaz de alterar o resultado de uma eleição. Nesse período, o sistema elegeu vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes de diferentes partidos e espectros políticos, inclusive Jair Bolsonaro para sete mandatos parlamentares, Flávio Bolsonaro para deputado estadual, deputado federal e senador, além de outros integrantes da família.

Segundo o cientista político Alexandre Bandeira, quando o Flávio Bolsonaro divulga uma informação falsa (das urnas), ele dá um tiro no pé. A narrativa do bolsonarista, para Bandeira, pode criar resistências em parte do eleitorado brasileiro que não apoia o extremismo.

“Dentre os problemas que [Flávio Bolsonaro] tem para resolver o mais emergente é o Tariflávio, tem depositado no colo do bolsonarismo, via Trump, que o Tariflávio é obra e orquestração da direita bolsonarista no Brasil”, declara.

“A experiência recente demonstrou que esse tipo de discurso alimenta a polarização extrema, fortalece teorias conspiratórias, incentiva a violência política e cria as condições para aventuras golpistas. Foi exatamente esse processo que levou aos acampamentos em frente aos quartéis e culminou na tentativa de golpe materializada nos ataques de 8 de janeiro de 2023”, constata Tássia Rabelo.

Onde foram dadas as declarações

O encontro “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site ‘The Brazilian Report’ e pela agência Novo Selo Comunicação, reuniu um corpo diplomático de nações como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Alemanha e Paraguai, entre outros.

No evento, Flávio tentou associar as urnas brasileiras à empresa Smartmatic e citou, de forma descontextualizada, documentos relacionados às eleições venezuelanas para insinuar, sem qualquer prova, que o sistema eleitoral brasileiro seria vulnerável a fraudes. A sua fala, entretanto, foi prontamente desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reafirmou que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas para as eleições brasileiras.

Federação Brasil da Esperança reage

A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) protocolou uma representação no TSE contra Flávio Bolsonaro e os políticos Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta. A representação sustenta que houve um movimento articulado para espalhar desinformação sobre a integridade das urnas eletrônicas, reutilizando argumentos falsos já rejeitados pela Justiça Eleitoral.

A federação pede a remoção das postagens, aplicação de multas previstas na legislação eleitoral e vedação a qualquer impulsionamento ou disseminação nas plataformas.

O ataque serve como mais uma prova que a família Bolsonaro atua contra a democracia e a ruptura institucional, indo na contramão do que a população brasileira acredita e contra a Justiça Eleitoral.

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