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Em carta à militância, Dirceu afirma que hora é de unidade e mobilização

Companheiras e companheiros,

As eleições de 2026 já batem à nossa porta. Diante delas, o PT, seus militantes, dirigentes, filiados e simpatizantes precisam estar à altura de sua história e da responsabilidade que têm com o Brasil. Somos parte da geração que derrotou a ditadura, conquistou a democracia na Constituição de 1988, retomou o fio de um Brasil soberano e justo nos governos Lula e Dilma e, em 2022, construiu a aliança que derrotou a extrema-direita e o bolsonarismo.

O momento exige organização, unidade, rumo político e diálogo com todas as forças democráticas, progressistas e populares. Nossa tarefa é preservar as conquistas do governo Lula, impedir o retrocesso autoritário e ultraliberal representado pelo bolsonarismo e disputar os rumos do país com um projeto capaz de responder aos desafios dos próximos anos, abrindo caminhos de esperança para nosso povo e nossa juventude.

Só haverá avanço real com povo organizado, sindicatos fortes, movimentos sociais ativos e um partido vivo, presente nas ruas, nas redes, nos locais de trabalho, nas comunidades e no diálogo cotidiano com o povo. Precisamos falar às novas realidades sociais, tecnológicas, demográficas, ambientais e culturais; à juventude que entra com força na arena política, às mulheres que seguem na linha de frente da luta por direitos, contra a violência e o feminicídio, aos idosos, aos trabalhadores precarizados, informais, por aplicativos e ao empreendedorismo popular. Esses serão atores decisivos dos próximos anos, porque expressam as contradições mais vivas do Brasil real.

Há no país um anseio profundo de mudança diante da desigualdade, da violência, das condições precárias de vida e da falta de mobilidade social. E há também uma tomada de consciência cada vez maior da maioria dos brasileiros e brasileiras sobre uma injustiça histórica: os ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os trabalhadores e a classe média. Por isso, a reforma tributária e da renda será uma das batalhas centrais do próximo período, ao lado da defesa do trabalho decente, da proteção social e da organização dos novos setores da classe trabalhadora.

Depois de uma década de ataques, perseguições, do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e da prisão ilegal, sumária e política do presidente Lula, anulada pelo Supremo Tribunal Federal, retomamos o curso da história. O terceiro mandato de Lula assumiu a reconstrução nacional e recolocou o país na rota da democracia, da soberania e do desenvolvimento com justiça social.

Temos o que mostrar: defesa da democracia, da estabilidade institucional, do interesse nacional e da paz; crescimento econômico com redução das desigualdades, baixo desemprego, aumento da renda, inflação sob controle, valorização do salário mínimo, reconstrução dos programas sociais, fortalecimento da agricultura familiar, ampliação do crédito, financiamento habitacional, investimentos do PAC, Nova Indústria Brasil e transição ambiental e climática. No século XXI, não há soberania nacional sem controle sobre nossas riquezas minerais e sem soberania tecnológica e digital.

Mas é hora de avançar. Precisamos atualizar nosso projeto de futuro, com um plano de metas que combine distribuição de renda, desenvolvimento científico e tecnológico, inteligência artificial, minerais críticos, energias alternativas, fármacos apoiados na biodiversidade, reindustrialização, cadeias produtivas locais e geração de empregos qualificados para a juventude brasileira.

A reeleição do presidente Lula é decisiva para o Brasil, para a América Latina, para os Brics, para o Sul Global e para o campo democrático. Precisamos alertar o país sobre o risco de uma candidatura bolsonarista aliada ao trumpismo e à extrema-direita internacional. Igualmente decisiva é a eleição de um novo Congresso Nacional, menos conservador, mais progressista e mais conectado com as necessidades, os direitos e as esperanças do povo brasileiro.

Nosso compromisso é defender o governo Lula, o PAC, a transição energética e ambiental, a reforma tributária progressiva, a revisão do Imposto de Renda dos ricos, a participação dos trabalhadores no Orçamento, a reforma agrária, a agricultura familiar, as estatais, os bancos públicos e o Estado de Bem-Estar Social conquistado na Constituição de 1988. Também precisamos colocar no centro de nossa ação a emergência climática, a proteção dos direitos trabalhistas, da Justiça do Trabalho e do sindicalismo diante da ofensiva patronal, assim como a luta dos trabalhadores por aplicativos, dos informais e dos precarizados. O apoio massivo ao fim da escala 6×1 mostra que esse modelo de exploração está com os dias contados e que há disposição social para uma nova agenda de direitos, tempo livre, dignidade e qualidade de vida.

Não basta falar pelas redes. É preciso estar presente nas diferentes frentes de batalha. Convido cada militante a se engajar nessa luta com diálogo, abertura para as críticas, firmeza e presença nas bases, nas ruas, nas mobilizações e no contato direto com cada eleitor e cada eleitora.

Falo também a partir da experiência de quem, ao lado de tantos companheiros e companheiras, atravessou anos de julgamento público, ataques injustos e tentativas de apagar a história do PT e de suas lideranças. Foi a convicção de que a política deve servir ao povo e ao Brasil que manteve viva em mim, e em tantos outros, a disposição de seguir lutando e de voltar, quando necessário, ao exercício das responsabilidades públicas.

Agora, diante do diagnóstico de um linfoma, enfrento mais uma batalha, em duas trincheiras: a da vida e a da luta pelo Brasil. Faço isso com serenidade, confiança na equipe médica, no tratamento e na solidariedade que sempre recebi. Mais do que nunca, sigo como um soldado nesta batalha, defendendo o PT, a reeleição do presidente Lula e a construção de uma maioria progressista, popular e democrática no Congresso Nacional.

Essa é a âncora da minha pré-candidatura e de tantas outras candidaturas capazes de mudar a face do Congresso. Precisamos de uma bancada que enfrente a concentração de renda, os altos juros, o endividamento das famílias, a política monetária restritiva do Banco Central, a reforma tributária e da renda, e que dê suporte a um projeto soberano e sustentável de desenvolvimento nacional. Uma bancada capaz de ouvir as mulheres, a juventude, os idosos, os trabalhadores formais, informais, por aplicativos e precarizados, e transformar essa nova consciência social em reformas concretas, direitos e poder popular.

Precisaremos avançar também na reforma política, na revolução educacional e científica de que o Brasil necessita, na reforma do sistema de Justiça e em uma nova política de segurança pública, com combate às facções criminosas, ao feminicídio e reforma das polícias e do sistema penitenciário.

Em São Paulo, com a pré-candidatura de Fernando Haddad, enfrentaremos o vazio deixado pela propaganda do governador Tarcísio de Freitas. Sua gestão ficou marcada por violência policial, aumento do feminicídio, avanço de organizações criminosas, ausência de política industrial, desmonte da pesquisa e inovação, privatismo na educação e na saúde, sucateamento das Fatecs e Etecs, privatização criminosa da Sabesp e incapacidade de dialogar com a sociedade civil.

2026 será também ano de Copa do Mundo. A bandeira nacional, o verde e amarelo e a defesa de um Brasil soberano, democrático e popular pertencem ao povo brasileiro, não à extrema-direita. O Brasil que torce pela seleção é o mesmo que quer emprego, salário digno, comida na mesa, escola pública, saúde, moradia, direitos e soberania.

A hora é de organização, unidade e mobilização.

O PT nasceu da luta do povo brasileiro. É nessa luta que deve se reconstruir, se renovar e se preparar para vencer novamente. Com unidade e esperança, seguiremos em defesa do Brasil, da democracia e de um futuro com justiça social para o nosso povo.

José Dirceu

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