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Em votação, deputados pró-golpe citam de Jerusalém a torturadores

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Na votação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, registrada na Câmara dos Deputado no domingo (17), boa parte dos deputados federais esqueceu a acusação que recaia sobre a presidenta – as pedaladas fiscais, que não são crime de responsabilidade – para justificar os votos das maneiras mais inusitadas.

Entre as justificativas daqueles que votaram a favor do processo de impeachment contra a presidenta, houve quem falou sobre Jerusalém ou até mesmo aqueles que clamaram para que as crianças “não troquem de sexo com seis anos”. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), por exemplo, “homenageou” o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido por ser um dos torturadores mais violentos da ditadura militar.

Em mais uma das justificativas sem embasamento, a deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) dedicou o voto “sim” ao marido. ““O meu voto é para dizer que o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso a todos nós com sua gestão”. a ironia é que Ruy Adriano Borgez Muniz, marido de Raquel, foi preso pela Polícia Federal nesta manhã.

Os discursos dos parlamentares foram duramente criticados por cientistas políticos e pelos brasileiros nas redes sociais.

Veja quais foram os argumentos daqueles que votaram a favor do impeachment:

Ronaldo Fonseca (Pros-DF)
“Pela paz de Jerusalém”.

Delegado Éder Mauro (PSD-PA)
“Esses bandidos querem destruir com propostas de que crianças troquem de sexo e aprendam sexo nas escola com seis anos de idade”.

Fernando Jordão (PMDB-RJ)
“Ó verde do teu mar, ó, Angra dos Reis! A luz do teu luar, ó, Angra dos Reis! O brilho do teu sol, ó, Angra dos Reis””.

Paulo Martins (PSDB-PR)
“Pelo Paraná e pela república de Curitiba”

Jair Bolsonaro (PSC-RJ)
“Perderam em 1964, perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em salas de aula que o PT nunca teve. Contra o comunismo, pela nossa liberdade. Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff,. Pelo exército de Caxias do Sul, pelas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo, por Deus acima de tudo”.

Tenente Lúcio (PSB-MG)
“Em nome do grupão de amigos de Uberlândia e região”.

Mandetta (DEM-MS)
“Por causa de Campo Grande, a morena mais linda do Brasil”.

Josué Béngtson (PTB-PA)
“Pela família quadrangular e evangélica em todo o Brasil”.

Wladimir Costa (SD-PA)
“Pela minha mãe, nega Lucimar”.

Domingos Sávio (PSDB-MG)
“Pelos homens de bons costumes”

Raquel Muniz (PSB-MG)
“O meu voto é para dizer que o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso a todos nós com sua gestão”. (no dia seguinte, o prefeito de Montes Carlos, Ruy Adriano Borges Muniz, marido de Raquel, foi preso pela Polícia Federal acusado de buscar benefícios ilegais ao hospital de sua família)

Eduardo Bolsonaro (PSC-SP)
“Pelos militares de 64, hoje e sempre, pelas polícias, em nome de Deus e da família brasileira”.

Professor Victório Galli (PSC-MT)
“Já dizia Orlavo de Carvalho na década de 90: o PT daria PT no Brasil. Perca total!”

Hermes Parcianello (PMDB-PR)
“Sinto o cheiro das mesmas aves de rapina de 54 que levaram Getúlio ao suicídio (…) mas meu voto é sim”.

Sérgio Moraes (PTB-RS)
“Pelos meus trabalhadores da indústria fumageira do estado do Rio Grande do Sul, eu voto ‘sim’. Feliz aniversário, Ana, minha neta”

Marco Feliciano (PSC-SP)
“Com ajuda de Deus, pela minha família e pelo povo brasileiro, pelos evangélicos da nação toda, pelos meninos do MBL, pelo Vem pra Rua, dizendo que Olavo tem razão”.

Por Bruno Hoffmann, da Agência PT de Notícias

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