A ex-ministra e deputada federal Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores classificou de “ilícita” a utilização de inteligência artificial (IA) durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), no último sábado, 25, para transmitir uma mensagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de reclusão.
Em entrevista ao ICL Notícias nesta terça-feira, 28, a petista comentou também sobre a guerra comercial travada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, as eleições de outubro no Brasil e no Paraná, seu berço político e a questão da soberania.
“O problema não é a só a utilização de IA (…) mas é o que que foi vinculado, que era a figura do pai dele, que não podia ter uma comunicação externa, que está cumprindo uma pena, está com prisão domiciliar, está com tornozeleira. Ele não pode se comunicar, nem por carta, nem por email, nem por nada, nem por mensagens assim. Então aí, o caso é mais grave ainda, porque não foi só a utilização de IA na campanha eleitoral, foi a utilização de uma IA para cometer um ilícito, que é a exposição da figura do pai e uma fala sua”, declarou Gleisi.
A deputada do PT também ressaltou ser importante que qualquer tentativa de interferência externa nas eleições de outubro seja exposta aos eleitores, como o tarifaço dos EUA, por exemplo. Na avaliação de Gleisi, a população brasileira é avessa a ingerências de outros países. “Com certeza, [o nosso povo] vai se colocar contra isso, vai ser contrário à campanha do candidato que eles querem apoiar”.
A deputada também comentou sobre a presença do presidente argentino, Javier Milei, representante da ultradireita latino-americana, na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio. “Essa vinda do Milei foi um desastre. Um cara tão desqualificado, colocar as relações de dois países, que têm relações centenárias, que têm amizade, em uma situação dessa, com essa desqualificação. Eu acho que foi muito ruim, é ruim para tudo. E as pessoas olham isso e são críticas”, prosseguiu Gleisi.
Segundo a parlamentar, não há problemas se outros líderes da ultradireita quiserem manifestar apoio à candidatura bolsonarista, mas não da maneira feita por Milei. “Vir aqui, fazer aquela coisa espalhafatosa, desqualificada, xingar o presidente Lula, xingar ministro do Supremo. Isso não pode. Não pode fazer, acho que isso tem que ficar claro. A Argentina tem que ser cobrada sobre isso. Isso tem impacto nas relações dos países”, condenou a petista.
“E também não pode uma intervenção, do ponto de vista político efetivo, material, dos EUA. Mexer nas plataformas, direcionar, fazer intervenção econômica aqui. Isso aí não pode. Se o Trump quiser declarar apoio para o Bolsonaro, que declare, o problema é dele”, completou.
Tarifaço de Trump
Acerca dos sucessivos tarifaços determinados por Trump contra parte das exportações brasileiras, Gleisi defendeu a recente decisão do governo Lula de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), porque, segundo ela, é um direito do Brasil e os embargos são “injustos”. “Não corresponde à realidade das nossas relações comerciais e econômicas com os americanos. Aliás, eles têm superávit na balança de comércio com o Brasil. Não tem justificativa a imposição dessas tarifas”, rebateu.
Os embargos unilaterais devem fazer parte da estratégia do PT em outubro, afirma Gleisi, além dos avanços econômicos e sociais alcançados pelo governo Lula: “E obviamente, a soberania, que sempre foi nossa bandeira. Eles [a ultradireita] que roubaram, querendo se fazer de patriotas, se enrolando na bandeira nacional, com as cores da nossa bandeira, com o verde e com o amarelo, mas nunca foram patriotas”.
Eleições no Paraná
A deputada disse que ainda há muita água para rolar debaixo da ponte na disputa no estado. Até o momento, Sergio Moro (PL) aparece à frente nas pesquisas mas, na visão de Gleisi, “ele também tem um teto”.
“Ele deu uma queda e estabilizou. O nosso candidato, o Requião Filho [PDT], está com cerca de 20%, dependendo da pesquisa, 23%”, observou, otimista.

