Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, 29, a equipe do Governo Lula debateu todas as ações em curso para mitigar os impactos do fenômeno “climático El Niño”, que acentua secas e inundações em diversos pontos do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil nunca esteve “tão preparado” para enfrentar adversidades climáticas que são consequência, frisou o presidente, dos transtornos que nós, humanos, causamos à natureza.
A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, fez uma longa apresentação sobre estudos e plano de ações do governo federal para o enfrentamento do El Niño e destacou a importância do planejamento prévio para proteger populações vulneráveis e evitar tragédias humanas e materiais.
Lula reforçou que a articulação com estados e municípios é a chave para o sucesso de qualquer plano de contingência: “O que me deixa muito feliz é que tomamos consciência de que não é possível a partir de Brasília resolver o problema. […] Se o prefeito estiver envolvido, a chance da gente evitar a desgraça é muito maior, porque ele está no território. Ele sabe onde pode faltar água, onde pode pegar fogo, onde vai ter dificuldade.”
Prefeitos e governadores envolvidos
O presidente sugeriu que seja organizada uma teleconferência com todos os prefeitos e governadores do país. “Eu acho que se você pudesse fazer uma apresentação dessa numa teleconferência mostrando o que está sendo preparado no Brasil, isso serviria de estímulo para que os prefeitos assumissem a responsabilidade de trabalhar junto conosco”, disse Lula a Miriam Belchior.
O presidente também citou tragédias ambientais recentes em outros países para enfatizar a importância do preparo preventivo, como os incêndios na Espanha e a diferença de efeito dos terremotos no Japão e na Venezuela. “Eu sinceramente não sei se, em algum lugar do mundo, alguém teve a preocupação de fazer o tipo de preparação que nós fizemos aqui no Brasil […] para enfrentar o El Niño”, declarou.
“A partir dessa nossa experiência e dessa preparação, acho que o Brasil pode ajudar outros países a trabalharem para que se possa enfrentar com mais tranquilidade a revolta climática gerada pelo transtorno que nós, humanos, causamos à natureza”, concluiu Lula.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, também participou da reunião. Nela, ressaltou a importância do encontro ministerial e destacou os trabalhos de Miriam Belchior e da Casa Civil na coordenação do planejamento de ações do Governo Federal no combate aos efeitos do El Niño. Ao relembrar avanços do governo Lula nas questões ambientais, como a queda em 50% no desmatamento da Floresta Amazônica e os progressos na produção de biocombustíveis, Alckmin afirmou que o Brasil é “um exemplo para o mundo de combate às mudanças climáticas”.
24 ministérios e cientistas trabalhando em conjunto
A ministra trouxe análises e precauções levantadas por 24 ministérios e por cientistas e destrinchou os investimentos federais até o momento. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o “El Niño” de 2026 se formou em junho, com intensidade variando de forte a muito forte e pico previsto entre outubro e dezembro.
Ao lado de Lula, Miriam Belchior detalhou os quatro pilares da estratégia desenvolvida pelo Governo Federal para proteger o Brasil do “El Niño”:
- A unificação e monitoramento de dados e mapeamento de riscos;
- A antecipação de ações e proteção de populações vulneráveis;
- O diálogo como a sociedade;
- A mobilização de estados e municípios.
“Fizemos muitas reuniões com especialistas para entender, consolidar o entendimento de como nós devíamos trabalhar. Mas também fizemos diálogos com as entidades da sociedade civil, especialmente através da Secretaria-Geral [da Presidência da República], mas não só. E também através do conselho da federação da Secretaria de Relações Institucionais, reuniões com os estados e com as associações municipalistas para alertar do problema e discutir o que deve ser feito por estados e municípios”, afirmou a petista.
Belchior explicou que o fenômeno climático pode atingir o país de maneiras diversas, a depender da região. Segundo ela, no Norte e Nordeste, a tendência é a seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, atraso das chuvas. Já no Sul, as chuvas acima da média devem se manter.
“No Norte, […] os impactos podem ser redução do acesso à água para consumo e para produção, piora a navegabilidade dos rios porque diminui a vazão, incêndios, risco de isolamento das comunidades e desabastecimento de água, combustível e alimento. Deve ocorrer entre agosto e dezembro”, antecipou a ministra.
“No Nordeste, […] o que se espera pelas avaliações que nós estamos fazendo hoje é que seja nas áreas agrícolas e produtivas o maior impacto, especialmente lá no Matopiba, região do cerrado lá do Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia. No Sudeste, o risco é de incêndio e de grandes ondas de calor, tudo pode acontecer, de setembro a dezembro. No Centro-Oeste, incêndios e impactos em áreas agrícolas e produtivas, de julho a outubro. E no Sul, enchentes e deslizamentos no período de julho a dezembro”, prosseguiu Belchior.
Os investimentos do Governo Lula
A ministra da Casa Civil garantiu que o país está muito mais preparado hoje do que antes de Lula assumir a Presidência da República para um terceiro mandato, em 1º de janeiro de 2023.
Belchior pontuou todas as ações do Governo Federal para diminuir os impactos dos desastres naturais, como prevenção e combate a incêndio, medidas contra o desmatamento e financiamento climático, prevenção a desastres provocados por chuvas intensas, investimentos em segurança hídrica e energia elétrica, entre outros.
A petista destacou a queda do desmatamento alcançada pelo Governo Lula nos últimos três anos como fundamental para frear o aquecimento global. “Então, a redução do desmatamento em todos os biomas: queda de 50% da Amazônia, 32,5% no Cerrado, 63% no Pantanal. Fundamental para reduzir o impacto das mudanças climáticas. Também fizemos os Plano de Ação de Prevenção para todos os biomas”, enumerou Belchior.
Em relação à prevenção de desastres, a ministra contabilizou os investimentos do Novo PAC até o momento, mais de R$ 18 bilhões para drenagem urbana e contenção de encostas. Cada região do país está contemplada pelos aportes: Norte (R$ 1,6 bilhão), Nordeste (R$ 4,9 bilhões), Centro-Oeste (R$ 0,3 bilhão), Sudeste (R$ 8,8 bilhões) e Sul (R$ 9,6 bilhões).
“Aqui esses recursos foram destinados aos estados e municípios, para que eles façam essas obras estruturantes para proteger as cidades dos efeitos das chuvas intensas, seja nos córregos, seja nas encostas”, explicou Belchior, antes de fazer referência ao Rio Grande do Sul, que recebeu toda a atenção do Governo Lula por conta das chuvas de 2024.
Controle das chuvas
A ministra listou ainda os investimentos para antecipar chuvas e tempestades. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) recebeu novos equipamentos pluviométricos para monitorar o volume de água e produzir dados que permitam antever eventos extremos.
Os municípios capacitados saltaram de 992, em janeiro de 2023, para 1.043 mil, em julho de 2026. A previsão é de que cheguem a 1.083 mil em 2027. Os recursos totalizaram R$ 113 milhões.
O Inmet expandiu e modernizou a rede de estações metereológicas. De 2023 a 2026, o número de estações cresceu de 567 para 725, das quais 639 foram convertidas de leitura manual para digital. A meta de ampliação é chegar a 995 estações em 2027.
“Tão importante quanto aumentar a quantidade, é a mudança de tecnologia”, comparou Belchior.
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