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Guia reforça preparação política e comunicação ética das candidaturas do PT

O Guia de Comunicação Responsável para Candidaturas – Eleições 2026, elaborado pela Escola Nacional de Formação do PT, é um instrumento político e pedagógico voltado à preparação de candidatas, candidatos, dirigentes e equipes de campanha do Partido dos Trabalhadores para os desafios do debate público nas eleições de 2026.

Mais do que um manual de linguagem, o documento apresenta orientações práticas sobre postura política, responsabilidade pública e comunicação inclusiva, partindo da ideia de que não existe neutralidade na fala e de que toda comunicação expressa valores e projetos de sociedade.

O guia orienta, de forma descomplicada, sobre a importância da preparação antes de debates, entrevistas e atividades públicas. O material também salienta que candidatas e candidatos devem manter alinhamento político de suas falas com os princípios históricos do partido, como igualdade, diversidade, justiça social e defesa dos direitos humanos.

O documento também propõe uma reflexão sobre os impactos de falas discriminatórias ou preconceituosas. Expressões racistas, machistas, LGBTfóbicas, capacitistas ou xenofóbicas podem gerar crises, afastar apoiadores e comprometer o vínculo das campanhas com os setores populares.

“O Guia veio para ser um material objetivo, dinâmico, não é uma cartilha onde a gente vai entrar, aprofundar nos temas dos segmentos, porque cada um deles é uma discussão muito complexa, a gente traz objetivamente o que cada candidatura pode assumir, na sua forma de comunicação, para que não gere crises durante o processo de eleições. A gente já verificou que, inclusive, esse Guia, ele serve não só para candidaturas, mas para a militância como um todo para os filiados e filiadas do PT”, diz Isadora Trajano, integrante equipe pedagógica da Escola Nacional de Formação do PT e idealizadora da publicação.

Comunicação inclusiva

Diferentes dimensões das opressões estruturais presentes na sociedade brasileira são discutidas com linguagem direta e pedagógica, oferecendo exemplos de termos e expressões que devem ser evitados, além de apresentar alternativas de linguagem mais inclusivas. 

Na seção sobre racismo, por exemplo, o material orienta a substituição de expressões naturalizadas no cotidiano, como “a coisa tá preta”, “mercado negro” e “denegrir”, explicando como essas formulações associam a população negra a sentidos negativos.

Já no debate sobre machismo e sexismo, o guia chama atenção para práticas recorrentes em campanhas e espaços políticos, como interrupções constantes às falas de mulheres, foco na aparência feminina e desvalorização de lideranças políticas mulheres. O documento incentiva atitudes de escuta ativa, compartilhamento de protagonismo e defesa de políticas públicas voltadas às mulheres.

O material também dedica capítulos específicos à luta contra a LGBTfobia e o capacitismo. As orientações incluem respeito ao nome social e aos pronomes corretos, eliminação de piadas preconceituosas e cuidado com expressões capacitistas frequentemente reproduzidas na linguagem cotidiana.

Além disso, o guia orienta sobre como evitar o etarismo (que é o preconceito relacionado à idade), território, religião e origem nacional, reforçando que campanhas populares precisam dialogar com toda a diversidade do povo brasileiro. Com a proposta de ampliar o acesso ao documento e a acessibilidade, o guia está disponível em diversos formatos, como explica Isadora Trajano.

“A gente também trouxe ali um mecanismo de acessibilidade, então, a pessoa que deseja escutar ele em áudio também está disponível. Tem também outros materiais que se relacionam com o guia que estão disponíveis no site para baixar, que são infográficos, são apresentações que tratam sobre o mesmo tema. Então, o guia não tem só um formato, são vários formatos justamente para a gente atender à necessidade de uma acessibilidade”.

Reconhecendo os erros

Outro aspecto importante do documento é a orientação sobre como agir diante de erros públicos. O guia recomenda reconhecer equívocos sem relativizações, assumir responsabilidade pelo impacto causado, pedir desculpas de maneira objetiva e corrigir falas ou conteúdos inadequados.

“Falas e condutas podem gerar responsabilização civil e criminal, inclusive no período eleitoral. Discursos discriminatórios podem configurar ilícitos eleitorais, crimes ou violações de direitos. No âmbito partidário, condutas incompatíveis com os valores do PT podem ser analisadas pela Comissão de Ética, conforme o Estatuto do Partido”, orienta o documento

Cultura democrática

Ao lançar um documento como esse, o PT demonstra a intenção de fortalecer uma cultura política baseada no respeito, na inclusão e na coerência entre discurso e prática. 

A iniciativa reforça o entendimento de que campanhas eleitorais são espaços de formação política e disputa de valores. Nesse sentido, o guia procura consolidar uma comunicação capaz de ampliar o diálogo com a sociedade, fortalecer vínculos com os movimentos populares e evitar a reprodução de violências simbólicas contra grupos historicamente marginalizados.

O documento conclui reafirmando que ser candidata ou candidato do PT significa assumir compromisso público com a dignidade humana, a igualdade de direitos e o enfrentamento de todas as formas de opressão.

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