O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia, realizado no domingo, 9, pelo Grupo Bandeirantes, foi marcado por um embate direto entre o projeto liderado pelo PT, com o atual governador Jerônimo Rodrigues, e a velha política representada por ACM Neto (União Brasil). O petista respondeu a todos os ataques do adversário e levou a discussão para um terreno incômodo para o grupo oposicionista: quem representa mudança e quem representa o passado?
Enquanto Neto insistia em pintar um retrato sombrio da Bahia atual, Jerônimo apontou os avanços do estado sob os governos petistas e a importância da continuidade de um projeto alinhado ao presidente Lula. O governador enfatizou, ainda, que o povo da Bahia sabe bem qual é a política do grupo que dominou por décadas o Palácio de Ondina, os representantes do carlismo.
Bolsonarista disfarçado
Cobrado mais de uma vez sobre o que pensa de uma possível reeleição de Lula, Neto se esquivou várias vezes, e só confirmou apoio a Ronaldo Caiado (União Brasil-GO). Além disso, Neto foi lembrado que, publicamente, ele já declarou, em 2005, que gostaria de “dar uma surra” em Lula.
Jerônimo foi direto ao ponto depois do debate: classificou o adversário como bolsonarista e disse que ele “quer pegar carona nos votos do Lula” sem nunca assumir de que lado está.
Obras para mostrar
O governador Jerônimo Rodrigues apresentou as ações do governo em diversas áreas, como na segurança pública: ampliação de armamento, novas delegacias, viaturas, investimento em inteligência e expansão do uso de câmeras corporais.
ACM Neto tentou desqualificar a gestão estadual, mas o governador relembrou a proximidade do candidato do União Brasil com Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo hoje preso com um fuzil em casa — nome que, segundo o governador, ajudou a desenhar o plano de governo de Neto.
Na educação, o governo de Jerônimo entregou, até junho, 117 escolas construídas e entregues, além de uma extensa agenda de modernização de unidades existentes.
Em Salvador, por exemplo, o Colégio Estadual de Tempo Integral Duque de Caxias, na Liberdade, foi modernizado e passou a contar com 31 salas de aula, oito laboratórios, biblioteca, teatro, quadra coberta, campo de futebol e estrutura para atendimento educacional especializado. A unidade atende mais de 1.500 estudantes.
É uma política que dialoga diretamente com uma das marcas dos governos petistas na Bahia: ampliar o ensino em tempo integral e transformar a escola pública em um equipamento de educação, alimentação, esporte, cultura e convivência.
Na infraestrutura, outro projeto voltou ao centro da discussão: a Ponte Salvador–Itaparica. O empreendimento entrou em uma nova etapa em junho de 2026, quando foram autorizadas as intervenções em terra para a construção do sistema viário. O projeto prevê uma ponte de 12,4 quilômetros sobre o mar e pretende integrar Salvador à Ilha de Itaparica e a centenas de municípios baianos.
Não é uma obra pequena. Tampouco é uma promessa abstrata de campanha. É justamente por isso que o projeto se tornou um dos principais símbolos da defesa que Jerônimo faz de sua administração, o que mostra o efetivo comprometimento do governador com o povo baiano.
Na geração de empregos, dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, com base no Caged, mostram saldo positivo de 28.058 postos formais no primeiro trimestre de 2026.
O primeiro debate estabeleceu o tom da campanha. No confronto, Jerônimo deixou claro sua parceria com o presidente Lula, defendeu sua gestão com dados e números, atacou politicamente a herança do carlismo e obrigou ACM Neto a explicar suas posições no cenário nacional e seu alinhamento disfarçado com a extrema direita.

