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Lula defende investimentos em ciência e educação por futuro do Brasil

Lula conhece as estruturas do Projeto Sirius e reforça importância de investir em ciência.

Em dia histórico para a soberania tecnológica do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, nesta segunda-feira, 18, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius. Elas servirão para ampliar a capacidade do país em pesquisa nas áreas de saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais. Lula defendeu investimentos públicos em educação, ciência e inovação como forma de desenvolver o país.

“Quando se apresenta um projeto muito importante, seja ele para a área que for, a gente sempre fica dizendo: ‘Eu não tenho dinheiro’ ou, muitas vezes, ‘custa muito caro’. E a gente nunca se pergunta: se custa caro fazer, quanto custa não fazer? Se a gente não responder essa pergunta de quanto custa fazer, a gente nunca vai ter nada”, observou, defendendo ousadia nas decisões governamentais.

O importante, segundo o presidente, é pensar no impacto futuro do investimento para a sociedade e o país. “A verdade é que a gente não tem que perguntar quanto custa, porque qualquer quantidade de milhões que nós colocarmos é muito pequena diante da quantidade de milhões que isso vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira“, prosseguiu o presidente.

Riquezas minerais, terras raras

Lula também aproveitou a cerimônia em Campinas para reiterar como o Governo Federal vai lidar com o setor estratégico dos minerais críticos, que são cobiçados pelos Estados Unidos. Em recente viagem a Washington, o petista tratou com o presidente Donald Trump a exploração das chamadas terras raras, mas manifestou estar aberto a negociações com outros países, respeitada a soberania do Brasil.

“Nós não temos veto a ninguém, nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, pode vir alemão, pode vir francês, pode vir japonês, pode vir americano, pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania, para dizer: ‘os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro'”, afirmou Lula, sob aplausos.

O presidente esteve acompanhado, entre outras autoridades, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos; do ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda; do diretor-geral da CNPEM, Antonio José Roque da Silva; e da presidenta do Conselho de Administração do CNPEM e da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Marcela Chami Gentil Flores.

“Supermicroscópio”

Em Campinas, Lula conheceu instalações e experimentos do Sirius, infraestrutura científica brasileira de quarta geração que funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar materiais em escala atômica e molecular.

O presidente ainda acompanhou o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, desenvolvido para fortalecer a soberania tecnológica nacional. Ele servirá ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.

O Sirius atende pesquisadores do Brasil e do exterior em estudos sobre saúde, energia, agricultura, meio ambiente e novos materiais. Entre 85% e 90% dos componentes do Sirius foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil, fortalecendo cadeias industriais de alta precisão e a engenharia nacional. O equipamento é uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo.

A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro. Ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta, chegando aos raios X. Com o uso dessa luz especial é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.

O seu amplo espectro permite realizar diferentes tipos de análise com as diferentes radiações que a compõem. Já o alto brilho permite experimentos extremamente rápidos e a investigação de detalhes dos materiais na escala de nanômetros. Com a luz síncrotron, é possível acompanhar a evolução no tempo de processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em frações de segundo.

Conheça as quatro linhas inauguradas por Lula

Linha de Luz Tatu: É a primeira a ser inaugurada no contexto da segunda fase do projeto Sirius. Financiada pelo Novo PAC, com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, será também a primeira em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. A linha é capaz de investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas.

As pesquisas desenvolvidas na Tatu poderão contribuir para avanços em áreas como telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz, além de ampliar as possibilidades de investigação em ciência de materiais e sistemas biológicos.

Linha Sapucaia: É voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, além de pesquisas no contexto da parceria científica entre Brasil e China.

Linha Quati: A linha Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de  pesquisas em terras raras e minerais críticos.

Linha Sapê: As pesquisas realizadas na linha de luz Sapê terão impactos no desenvolvimento de materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov.

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