O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e Singapura por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União na terça-feira, 28. Primeiro tratado dessa natureza firmado pelo bloco com um país asiático, o acordo entra em vigor em 1º de agosto e garante tarifa zero imediata a todos os produtos exportados pelo Mercosul ao mercado singapurense. A medida reforça a estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais em meio ao tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.
Além do acordo com Singapura, o governo Lula participou da conclusão do tratado entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026, depois de 26 anos de negociações. O acordo comercial passou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio.
Desde o início do terceiro mandato de Lula, o Brasil alcançou 642 aberturas de mercado para produtos agropecuários em 91 destinos, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores. A estratégia de diversificação comercial já estava em andamento antes do agravamento das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos.
Desde 2025, o Governo Trump vem impondo tarifas adicionais a parte das exportações brasileiras. A rodada mais recente foi estabelecida no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana, após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
O Governo Lula sustenta que o tarifaço possui motivação política e busca uma solução por meio de negociações diplomáticas. Considerados os países individualmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
Na rede social X, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comemorou a promulgação do acordo Mercosul-Singapura.
“Ninguém segura o comércio exterior brasileiro!”, publicou.
Singapura no comércio brasileiro
Em 2025, Brasil e Singapura movimentaram US$ 10,7 bilhões, com superávit de US$ 4,1 bilhões para a balança comercial brasileira. As exportações ao parceiro asiático totalizaram US$ 7,4 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Óleos combustíveis, máquinas, equipamentos e carnes estiveram entre os principais produtos vendidos.
Singapura ocupa a sétima posição entre os principais destinos das exportações brasileiras e é um dos mais importantes centros econômicos, financeiros e logísticos da Ásia. A cidade-Estado insular tem cerca de 6 milhões de habitantes, Produto Interno Bruto (PIB) per capita próximo de US$ 99 mil e importou US$ 504 bilhões em 2025. O país também apresenta um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da Ásia.
Novos mercados para os produtos brasileiros
No primeiro semestre, o crescimento das exportações brasileiras para China, Europa e Índia alcançou US$ 16,1 bilhões, valor mais de seis vezes superior à redução de US$ 2,6 bilhões registrada nas vendas destinadas aos Estados Unidos, de acordo com dados apresentados pela ApexBrasil.
A diversificação também aparece no desempenho das empresas apoiadas pela agência. Das cerca de 2,4 mil companhias que comercializavam com o mercado estadunidense e receberam suporte da ApexBrasil, 72% passaram a exportar para pelo menos um novo destino entre junho de 2025 e maio de 2026.

