O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind). A instituição terá sede em Brasília e poderá se expandir por todo o território nacional. A previsão é que 2,8 mil estudantes sejam atendidos nos quatro primeiros anos de implantação.
A cerimônia de assinatura do projeto ocorreu no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, 28, com a presença de ministros do Governo Federal, além de representantes dos indígenas.
Aprovado pelo Congresso em 5 de maio de 2026, depois de consultas a quase 30 povos originários, o projeto de lei 6.132/2025, que propôs a criação da universidade, é de autoria do Poder Executivo. Depois de sancionar a lei, Lula reiterou seu apoio à educação pública e destacou a relevância da sabedoria ancestral para o Brasil.
“A gente não pode prescindir do conhecimento que os povos indígenas acumularam ao longo de tanto tempo nesse país e no mundo. Portanto, eu acho que hoje é um dia gratificante”, afirmou.
“Cabe agora ao Estado brasileiro pegar o prédio, que foi conquistado, prepará-lo, para que a gente possa, no menor prazo de tempo, fazer uma festa com os novos alunos que vão entrar na nova universidade”, sugeriu o presidente.
Presidente Lula sanciona lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind) https://t.co/FmpagM3MK1
— Lula (@LulaOficial) May 28, 2026
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, relembrou a demanda histórica dos povos indígenas pela criação da Unind. “Essa foi uma luta de mais de 16 anos dentro do Ministério da Educação, recentemente em articulação com o Ministério dos Povos Indígenas, e hoje é um dia de celebração, não só para os povos indígenas, mas para toda a educação brasileira”, disse.
“O valor da verdadeira reparação histórica”
O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e anfitrião da cerimônia, José Guimarães (PT-CE), chamou a sanção do PL de “momento histórico”. “É uma solenidade aparentemente simples, mas tem o valor da verdadeira reparação histórica que nós estamos fazendo”, avaliou.
Com lágrimas nos olhos, a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, discorreu sobre o conhecimento originário, fundamental à preservação da natureza. Para ela, na concepção das universidades brasileiras, esse saber foi deixado de lado, mas agora é reconhecido por lei.
“Não se trata apenas de oferecer uma universidade para os indígenas, trata-se de reconhecer que os indígenas têm conhecimento científico e acadêmico para oferecer ao mundo”, definiu Guajajara. “Nossa sabedoria sobre as florestas, sobre a biodiversidade, sobre os ciclos da vida e da natureza, é fundamental no planeta em emergência climática”, pontuou, em seguida.
Igualmente emocionada, Rita Potyguara, representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI), fez questão de agradecer Lula pela criação da Unind.
“O Brasil dá hoje um passo muito importante, um passo civilizatório. E esse passo acontece porque este governo compreendeu que nós, povos indígenas, não podemos mais ser tratados apenas como destinatários de políticas públicas. Nós já somos protagonistas da nossa história, da construção desse país, da construção do Estado brasileiro. A construção da universidade é, portanto, um marco do presidente Lula”, reconheceu Potyguara.
Universidade Federal Indígena
Iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Unind volta-se para a formação dos povos originários, nos níveis de graduação e pós-graduação, com base em modelo educacional que fortalece a identidade e os saberes tradicionais em diálogo com o conhecimento acadêmico não indígena.
Em 2024, foram concluídos 20 seminários em todas as regiões do Brasil, apoiados por instituições de ensino superior, no intuito de escutar e fazer intercâmbio com os indígenas.
Entre os cursos de graduação a serem oferecidos pela nova universidade, destacam-se Formação de Professores, Gestão Educacional, Saúde Indígena e Gestão Territorial e Ambiental. Confira abaixo os pilares da Unind:
– Autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural.
– Valorização de saberes, línguas e tradições indígenas.
– Produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais.
– Fortalecimento da sustentabilidade socioambiental.
– Formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov, MEC e MPI.

