O Partido dos Trabalhadores e os partidos progressistas fortalecem o diálogo com comunidades evangélicas em defesa da justiça social e da democracia, em busca de convergências para a construção de um Brasil mais justo, igualitário e fraterno. Na abertura do IV Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT, nesta segunda-feira, 8, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou que toda fé deve ser respeitada e que a crença religiosa não pode ser ferramenta para as disputas eleitorais de outubro. O evento foi realizado em Brasília, na sede do PT.
“Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político-eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo”, ressaltou Edinho.
Com o tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”, o encontro reuniu lideranças evangélicas, pastores, parlamentares, militantes e representantes de movimentos sociais de diversas regiões do país para debater o papel da fé na defesa da democracia, da justiça social e da soberania nacional. Organizado pelo Setorial Nacional Inter-religioso do PT, pelo Núcleo Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT (NEPT) e pela Fundação Perseu Abramo, o evento também prevê a elaboração de uma carta política em defesa da dignidade humana e da valorização da vida.
Edinho Silva destacou que os princípios que orientam a atuação histórica da esquerda dialogam diretamente com valores presentes no Evangelho, especialmente a defesa dos mais vulneráveis e o combate às desigualdades. “O Evangelho não legitima a injustiça, não legitima a exclusão, não legitima a fome e a miséria. Ao contrário, a proposta cristã, como mostra o Evangelho de João, é assegurar que todos tenham vida e tenham vida em abundância.
“É isso que nos move. Se é isso que nos move (…) onde é que está a contradição entre nós e as comunidades evangélicas? Não. Eu acho que nós temos mais convergência do que divergência”, afirmou.
O projeto de mundo defendido pelo PT, acrescentou o presidente Edinho, prega o fim da fome, da miséria, da exclusão social, uma sociedade de igualdade, de igualdade de direitos.”O nosso projeto de mundo é o projeto das comunidades evangélica.”
Pontes com diálogo e tolerância
Ao defender a construção de pontes com o segmento evangélico, Edinho afirmou que o Partido dos Trabalhadores deve responder à intolerância e à polarização com diálogo e respeito. “Quando a gente consegue mobilizar lideranças evangélicas de todos os estados brasileiros para estarmos aqui hoje conversando sobre isso, é muito importante. A gente não constrói o diálogo hostilizando. A gente constrói o diálogo chamando para conversa”, afirmou.
De acordo com o petista, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um histórico de respeito e valorização da comunidade evangélica. “O presidente que mais de forma efetiva respeitou a comunidade evangélica foi o presidente Lula. Nenhum presidente fez tanto para reconhecer a comunidade evangélica quanto o presidente Lula”, declarou.
Fazendo referência à primeira-dama Janja, que também estava presente no evento, e seus trabalhos de diálogo mulheres vítimas de violência, o dirigente petista destacou o apoio à luta feminina como um braço importante da causa religiosa. “Quando nós levantamos a bandeira dos direitos das mulheres, nós estamos dialogando com o Evangelho do Cristo (…) A mulher é central no evangelho de Cristo”, disse, relembrando passagens bíblicas da morte e ressurreição de Cristo.
Mobilização e defesa da democracia
A senadora Eliziane Gama (PT-MA) ressaltou a importância de ampliar o diálogo com as comunidades evangélicas em todo o país e de comunicar melhor as ações do governo federal para o segmento. “Temos um grande desafio hoje, que é o desafio de levar essa mensagem aos quatro pontos do país. A comunicação é fundamental para que as pessoas conheçam a realidade”, afirmou.
Segundo a parlamentar, é necessário estabelecer canais permanentes de conversa com diferentes públicos dentro das igrejas, incluindo mulheres, homens e jovens evangélicos. “Precisamos sentar com cada espaço evangélico e mostrar aquilo que o governo tem feito e que dialoga com a vida dos evangélicos brasileiros”, disse.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) destacou a necessidade de fortalecer a mobilização política progressista diante do avanço da extrema direita e do crescimento da desinformação. “Precisamos combater as fake news e ter protagonismo neste governo. Precisamos trabalhar com nossos iguais e diferentes em liderança”, afirmou.
Benedita também destacou a importância da unidade em torno da reeleição do presidente Lula e classificou o petista como uma liderança reconhecida internacionalmente. “Lula é esse extraordinário líder que nós temos. Hoje é um líder universal, respeitado em todo o mundo”, declarou.
De acordo com os organizadores, o IV Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT ultrapassa os limites partidários ao reunir lideranças de diferentes denominações religiosas e correntes políticas em torno da defesa da democracia, da justiça social, da solidariedade e dos interesses do povo brasileiro.
Para o coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, o encontro também reafirma a presença histórica dos evangélicos dentro do partido.
“O PT também é um partido de evangélicos. São centenas de milhares de filiados e filiadas que professam a fé evangélica e ajudam a construir o partido em todo o país”, afirmou.
Em seu discurso, a secretária nacional de Movimento Populares e Políticas Setoriais, Lucinha Barbosa, enfatizou que “o setorial inter-religioso cumprirá um papel importante e determinante para o nosso partido, para a esquerda e para a reeleição do presidente Lula”.

