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O jovem não quer saber de política ou é política que não alcança a juventude?

Victoria Genuino, Secretária Nacional da Juventude, diz que o trabalho digno, a redução da jornada, é pauta que interessa os jovens.

Com sua trajetória marcada pelo compromisso com a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento de vozes negras, periféricas e populares como protagonistas, Vitória Genuino, 30 anos, lidera  a equipe do Governo Lula que articula políticas públicas para as demandas dos jovens brasileiros.

Mulher negra, pernambucana, mãe e formada em Direito por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), Vitória afirma que foi no movimento estudantil da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) que passou a compreender as desigualdades que atravessavam sua própria história.

A experiência na luta abriu caminho para sua atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), onde passou a organizar a juventude sem-teto e aprofundou sua militância em defesa do direito à moradia, do trabalho digno e da justiça social. Mais recentemente, esteve à frente do gabinete da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL-CE), no Recife, até ser convidada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, para assumir a Secretaria Nacional de Juventude.

Em entrevista à Rede PT de Comunicação, a secretária nacional fala sobre a presença de jovens na política, a importância de se trabalhar com novas formas de comunicação para a inclusão deste público nas decisões e como que a pauta jovem se relaciona com outras temáticas da sociedade, como o fim da escala 6×1.

Para Vitória, “a juventude é o presente”. Ao defender que políticas públicas voltadas aos jovens ocupem lugar central nas decisões dos governos, ela incentiva uma participação cada vez maior da juventude na vida política do país. Para a secretária, participar da política significa interferir diretamente nas condições concretas da vida cotidiana. “A política é o ônibus que você pega, é a comida que você come, é a escola que seu filho vai ter. Se você não participa, outras pessoas vão decidir por você”, declarou.

Juventude participa, mas de novas formas

Para Vitória Genuíno, a ideia de que os jovens perderam o interesse pela política não corresponde à realidade. Segundo ela, o principal desafio está na capacidade das instituições dialogarem com uma geração que se organiza para além dos espaços tradicionais.

“Muitas das vezes é a política que acaba não alcançando a juventude. Essa é uma das tarefas que a gente tem nessa gestão: conversar com esses jovens que não estão tradicionalmente organizados nos modelos que a gente costuma observar ou costuma atuar”, declarou.

Ela explica que batalhas de rima, coletivos culturais, iniciativas comunitárias, movimentos territoriais e redes digitais se consolidaram como espaços legítimos de participação política, ainda que nem sempre sejam reconhecidos dessa forma. “A gente precisa entender que essa juventude pauta trabalho, saúde e melhoria de vida através de outras mobilizações”, afirmou.

A secretária ressaltou que o Governo Lula tem buscado adaptar sua comunicação e ampliar esse diálogo. Um exemplo é o prêmio Vozes Periféricas, realizado em parceria com a Secretaria de Diálogos Sociais, que levou representantes do governo às batalhas de rima para apresentar políticas públicas e reconhecer coletivos culturais como importantes formas de organização juvenil.

Políticas públicas para uma juventude diversa

Ao abordar os desafios enfrentados pelos jovens brasileiros, Vitória destacou que não existe uma única juventude. Ela citou iniciativas do Governo Federal voltadas a essa diversidade, como o Plano Nacional de Juventude, o programa Juventude Solidária, o plano Juventude Negra Viva, desenvolvido em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, além de políticas conduzidas pelo Ministério da Educação, como o Pé-de-Meia e a ampliação dos cursinhos populares.

Para a secretária, essas ações demonstram o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a reconstrução das políticas públicas para a juventude após um período de desestruturação institucional. “A Secretaria Nacional de Juventude também passa por um momento de reconstrução. O governo Lula é um governo de reconstrução e tem colocado a juventude como prioridade”, afirmou.

Trabalho digno também é política para juventude

Durante a entrevista, Vitória também relacionou o debate sobre o fim da escala 6×1 às condições de vida da juventude brasileira. Segundo ela, grande parte dos trabalhadores submetidos às formas mais precárias de trabalho, como os aplicativos, é composta por jovens. “A gente fala daquele jovem que não tem tempo para sonhar, para viver, só tem tempo para trabalhar”, observou.

Na avaliação da secretária, defender jornadas mais equilibradas significa garantir que os jovens tenham condições de estudar, conviver, cuidar da saúde mental e desenvolver seus projetos de vida. Ela lembrou ainda que o governo criou um grupo de trabalho para dialogar com trabalhadores por aplicativo e buscar soluções para as novas formas de precarização do trabalho.

Embora o Brasil registre atualmente um dos menores índices de desemprego de sua história, Vitória afirmou que ainda existem desafios importantes relacionados às transformações do mercado de trabalho e que o Governo Federal tem buscado construir respostas para essa realidade.

“Quando a gente fala, sobre a unificação da juventude em torno desse debate, é porque fala diretamente sobre a vida dessas pessoas”, disse.

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