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Professores têm dificuldade de avançar negociação com Alckmin

Há 25 dias em greve, os mais de 60 mil professores da rede estadual de educação de São Paulo culpam a falta de diálogo com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pela continuidade da paralisação.

Em nova tentativa de acordo, a categoria fará uma assembleia na sexta-feira (10), em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. A última reunião com o governo foi no dia 30 de março, mas as demandas apresentadas pelos professores não foram consideradas pelo governo.

Segundo a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, as negociações com o estado estão paradas. Até o momento, a única proposta do governo foi negociar a questão da categoria “O”, modalidade de contratação precária, por meio da qual, a cada fim de período letivo lecionado, o professor terceirizado deve ficar um ano sem contrato com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Maria Izabel afirma que essa foi a condição apresentada pelo secretário de Educação, Herman Voorwald, para a suspensão da greve.

De acordo com a dirigente, outras pautas mais urgentes, como a valorização salarial e a superlotação das salas de aula, não foram discutidas.

“Essa é uma proposta de 2013, que ele (Alckmin) não cumpriu. Ele está pensando que vamos suspender uma greve por causa de um acordo não cumprido. É, no mínimo, irracional”, enfatizou.

Segundo a sindicalista, as salas de aulas estão superlotadas devido ao fechamento de unidades pelo governo. A Apeoesp informa que foram fechadas cerca de três mil salas de aulas, ocasionando turmas com até 50 ou mais estudantes.

Promessas – A dirigente ressalta a disposição do sindicato em negociar, inclusive com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo ela, o que não pode acontecer é o governo receber os professores, negociar e não cumprir.

“A força do movimento impõe. Vamos para o Bandeirantes, há de abrir para negociar. Ele sabe que o que está no centro são os salários e a superlotação de sala de aulas”, destacou Maria Izabel.

A CUT enviou ao governador, na quarta-feira (1°), uma solicitação de audiência colocando-se à disposição para colaborar nas negociações do processo.

Segundo o presidente da CUT estadual de São Paulo, Adi dos Santos Lima, até o momento o governo não respondeu à solicitação. “A solicitação foi protocolada, mas até o momento não há nenhum retorno”, informou.

Para Adi Lima, o governo não está agindo diferente de como sempre fez, ao dar as costas para a CUT, para a Apeoesp e para o servidor público, como um todo. Segundo o dirigente sindical, o governador tem uma dificuldade em lidar com os movimentos sociais e com os servidores públicos.

“A greve está em curso porque não houve diálogo. Mas não é porque a greve continua que nós vamos ficar assistindo acontecer, sabe-se lá até quando. Por isso, o pedido de audiência foi no sentido de colaborar, mas o governo do estado não respondeu e a gente só lamenta porque poderíamos estar dialogando com o governo”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado e com a assessoria do Palácio dos Bandeirantes. Até o fechamento desta edição, não retornaram as solicitações de entrevista.

Por Guilherme Ferreira, da Agência PT de Notícias

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