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Saldo do G7: Lula negocia alianças estratégicas com potências industriais

A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à França, convidado a participar, pela décima vez, da Cúpula do G7, reforça alianças estratégicas com países parceiros, amplia mercados consumidores e reitera a defesa da soberania brasileira. O G7, que reúne as democracias mais industrializadas do mundo, realizou a conferência na cidade de Évian-les-Bains. L

Na viagem, o presidente ampliou o diálogo em prol da cooperação no enfrentamento ao crime organizado transnacional e fez um apelo às grandes potências para que busquem soluções para os desafios da atualidade, sendo a desigualdade social e econômica o principal deles.

No G7, Lula teve encontros bilaterais com os presidentes da Suíça, Guy Parmelin; da França, Emmanuel Macron; da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Também se reuniu com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; com o presidente do Conselho Europeu, António Costa; e com secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Na rede social X, Lula compartilhou um balanço da participação brasileira na Cúpula do G7 e das reuniões bilaterais que teve.

“Defendi que o desenvolvimento mundial depende de ampliar oportunidades, para incluir bilhões de pessoas que ainda estão à margem do consumo e da economia. Não podemos olhar apenas para nós mesmos. É preciso olhar para o mundo. Há muitas regiões com enorme potencial de crescimento no continente africano, na América Latina, na Ásia. O problema é político. A solução tem que estar nas nossas decisões.”

“A experiência brasileira mostra que crescimento econômico e inclusão social podem caminhar juntos. Com distribuição de renda, políticas de combate à desigualdade, aumento de investimentos e da geração de empregos, é possível crescer e cuidar da população ao mesmo tempo”, completou Lula.

A Cúpula do G7 também debateu a regulação no ambiente digital. Para Lula, os avanços tecnológicos precisam servir à população e resguardá-la é tarefa do Estado. “Reafirmei a posição do Brasil em defesa da proteção de crianças e mulheres, ressaltando os esforços na aprovação do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] Digital, e da construção de um ambiente digital mais seguro e democrático”, relatou o presidente.

Supercomputadores, defesa e terras raras

Anfitrião da Cúpula do G7, o presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu Lula na segunda-feira, 15, para uma conversa de 40 minutos. O francês expressou o interesse de seu país em participar dos esforços do Governo Federal para adquirir supercomputadores, em benefício da soberania digital do Brasil.

Além disso, Lula e Macron avaliaram os avanços no setor de defesa, especialmente o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), e concordaram em aprofundar a cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o Amapá.

Na rede social X, Lula compartilhou uma imagem da reunião que teve com o presidente francês e agradeceu o convite para comparecer à Cúpula do G7. O petista fez questão de rememorar antiga parceria com a França em saúde, firmada por ele no primeiro mandato, duas décadas atrás.

“Destaquei ainda que este ano marca os 20 anos da criação da Unitaid, organização criada por mim e pelo então presidente Jacques Chirac em 2006, com o objetivo de promover a ampliação do acesso a medicamentos pelos países do Sul-Global. Um exemplo concreto de combate às desigualdades e de reafirmação da solidariedade internacional”, publicou.

Antes de se reunir com Macron, Lula foi recepcionado em Évian-les-Bains, logo que chegou na segunda, 15, pelo presidente da Suíça. Com Parmelin, o petista tratou do comércio bilateral e de temas sensíveis, como o aquecimento global e a exploração das terras raras.

“Decidimos expandir a cooperação em áreas como inteligência artificial, transição energética, minerais críticos, biotecnologia, saúde e defesa, entre outras. O presidente Parmelin cumprimentou o Brasil pela realização da COP30, em Belém, e ressaltou os avanços que o país tem mostrado no combate ao desmatamento”, comemorou Lula.

Lula e Parmelin ainda se comprometeram a trabalhar pela diversificação da pauta de exportações entre Brasil e Suíça. Ambos concordaram que o Acordo Mercosul-EFTA constitui oportunidade para ampliar as trocas comerciais, enquanto o cenário global segue deteriorado pelo protecionismo e pelo unilateralismo.

Mercosul-Japão

Também à margem do G7, na terça, 16, Lula se reuniu com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Os dois líderes discutiram questões relevantes à parceria estratégica entre o Mercosul e o Japão e afirmaram o interesse mútuo de aprofundar os laços econômicos e comerciais.

Lula e Takaichi aproveitaram a ocasião para anunciar a abertura das negociações do Acordo de Parceria Econômica entre o Mercosul e o Japão na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, prevista para o fim do mês, em Assunção, capital do Paraguai.

“Conversamos sobre o fortalecimento dos laços entre o Brasil e o Japão. Também tratamos do Marco de Parceria Estratégica entre o Japão e o Mercosul, lançado em 20 de dezembro de 2025, sob o qual temas como comércio, investimento e o atual contexto internacional estão sendo discutidos”, escreveu Lula.

Brasil-União Europeia

Ainda na terça, 16, Lula esteve com a presidenta da Comissão Europeia e com o presidente do Conselho Europeu, com quem tratou das medidas de restrição a produtos brasileiros impostas recentemente pelos europeus. A reunião serviu para estabelecer um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão que possa identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto na siderurgia.

Lula, Ursula von der Leyen e António Costa convergiram para buscar soluções que observem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, assim como os legítimos interesses exportadores do Brasil, conforme estabelece o acordo Mercosul-União Europeia.

Veja aqui os principais momentos de Lula no G7:

Fotos: Ricardo Stuckert/PR

 

Da Rede PT de Comunicação, com informações do Planalto

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