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‘Se você quer mudar seu bairro, sua cidade ou o Brasil, precisa participar da política’

A indignação diante das injustiças não basta. É preciso transformá-la em participação. Esse é o recado da secretária nacional de Juventude do PT (JPT), Julia Kopf, 29 anos, para jovens que ainda enxergam a política com distanciamento ou desconfiança.

Julia coordena uma estrutura partidária voltada aos filiados que têm entre 16 e 29 anos e celebra o espaço que a sigla abre, criando meios de incentivo para promover a renovação, como a reserva de 20% das vagas nas direções partidárias para jovens, além de políticas específicas de fomento às candidaturas e formação da militância.

Em entrevista à Rede PT de Comunicação, ela fala sobre a importância de engajamento e da ação coletiva.

Se você não gosta de alguma coisa do seu bairro, da sua cidade, do seu estado ou até mesmo do país, você tem a capacidade de mudar isso. O Lula ensina muita gente que a luta coletiva pode transformar a realidade do nosso país. Quando a gente escolhe só reclamar e não fazer nada, alguém vai decidir por nós. Por isso, é importante tomar o futuro nas nossas mãos para construir o Brasil que a gente quer“, afirma.

A Secretaria da Juventude também atua na articulação política entre diferentes organizações. Ela cita a criação, em 2026, do Fórum das Juventudes Progressistas, que reúne representantes de sete partidos, além de movimentos sociais e jovens de outras legendas, para discutir propostas para o país. 

O Fórum tem como objetivo atuar de forma permanente, tecendo uma rede de articulação política em torno de agendas comuns, formulando respostas conjuntas aos desafios e ampliando os espaços de incidência das juventudes no debate público. Um dos focos do coletivo é alertar para o avanço da extrema direita, criando um bloco de respos­tas estratégicas, com a política cada vez mais conectada ao povo brasileiro.

“Mesmo com diferenças partidárias, quando o objetivo é construir um Brasil melhor, a juventude consegue dialogar, formular propostas e construir consensos importantes. A gente inclusive compartilha nesse espaço dores e delícias de ser das juventudes dos nossos próprios partidos. Compartilhamos experiências, compartilhamos o desafio que é em relação a nossos parlamentares, jovens ou candidatos jovens nas eleições”, celebra.

“Num ano como esse, que é um ano de eleição, que tem muitos desafios, a gente acha que é importante primeiro ter a nossa unidade interna, porque se a gente não tiver unidade, nitidez estratégica entre a gente,não consegue enfrentar a extrema direita, enfrentar quem não quer o bem do nosso país”, reflete.

 

Intercâmbio na China

Julia participou recentemente do Fórum Mundial da Juventude na China. Lá, conta, teve a oportunidade de interagir com representantes de partidos políticos, governos, movimentos sociais e empreendedores de dezenas de países para discutir desenvolvimento, inovação e cooperação internacional.

Ela relata que a experiência permitiu compreender melhor diferentes projetos de desenvolvimento e fortalecer o diálogo com jovens lideranças de diversas partes do mundo.

“Foi muito inspirador. Apesar das diferenças culturais, há pessoas no mundo inteiro comprometidas com a construção de sociedades menos desiguais e com um desenvolvimento que respeite a soberania dos povos.”

Da efervescência de 2013 à Executiva do PT

Filha de professores e nascida no bairro de Pirituba, na capital paulista, Julia Kopf começou a se interessar pela política durante as manifestações de junho de 2013. O engajamento ganhou força quando ingressou na universidade, em meio ao processo que culminou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

“Desde o movimento estudantil, tenho inquietação com o que é a realidade na universidade, na nossa escola e saber que na luta do coletivo a gente consegue transformar aquela realidade não só pra gente, mas pros nossos colegas ali que estão ao redor.

Julia avalia que fazer política é mover sentimentos em prol de um objetivo comum. Apesar das dificuldades e frustrações que fazem parte da militância, ela diz que é justamente essa capacidade de mudar a vida das pessoas que mantém viva a paixão pela política.

“A gente resolve se engajar pelo sentimento de indignação, pela vontade de mudança. Desde o movimento estudantil, é a luta coletiva que transforma a realidade não só para nós, mas para quem está ao nosso redor.”

 

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