Primeira mulher negra nascida na Região Norte a ocupar um cargo na Executiva Nacional do PT, Claudinha Lima tem, em 2026, uma tarefa fundamental: levar o debate político de volta aos territórios de todo o país. O desafio é grande, mas a paraense, que desde criança acompanhou os pais nas lutas e nos debates do movimento sindical rural, conhece bem o caminho da mobilização popular.
Filha de uma professora e de um trabalhador rural, fundadores do movimento sindical em sua região, Claudinha construiu sua trajetória política a partir da organização de base. Aos 12 anos, passou a atuar no movimento de mulheres; aos 16, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores.
Hoje, à frente da Secretaria Nacional de Nucleação do PT, sua missão é fortalecer a organização partidária nos territórios, aproximando o partido das comunidades, dos locais de trabalho, das universidades, das igrejas e dos movimentos sociais. A estratégia passa pela reconstrução dos núcleos de base e pela mobilização dos Comitês Populares de Luta, considerados peças centrais para ampliar o diálogo com a sociedade e preparar a militância para os desafios políticos de 2026.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Claudinha Lima fala sobre sua trajetória, explica o papel da Secretaria Nacional de Nucleação e detalha como pretende fortalecer a presença do partido junto à população em todo o Brasil.
Rede PT: Quem é Claudinha Lima?
Claudinha Lima: O meu nome é Maria de Jesus dos Santos Lima e eu sou Claudinha Lima, porque é meu nome dado pela minha família, que desde criança me chamaram assim por isso. Claudinha Lima é meu apelido, mas é assim que eu gosto de ser chamada. Eu entrei no movimento sindical, sou filha de sindicalistas rurais, a minha mãe é a professora e meu pai era trabalhador rural. Eles são fundadores do movimento sindical rural na região de onde eu sou. Eu sou paraense de uma região do estado do Pará, onde nós travamos uma grande luta. E eu digo nós, porque eu era bem criança ainda. Quando eu comecei acompanhando meus pais na nas reuniões em defesa da terra, da luta dos trabalhadores e das trabalhadoras para tomada dos sindicatos para mão dos trabalhadores e das trabalhadoras, defendendo a terra e o direito de produzir.
Aos 12 anos, eu fui chamada para coordenar a ala juvenil do Movimento de Mulheres do Nordeste paraense e de onde vem toda a minha formação como mulher, como feminista, como construtora da luta, dos direitos das mulheres trabalhadoras rurais, mas também de todas as mulheres do Brasil. Então, é a partir do movimento de mulheres que eu me construo como uma mulher feminista e me identifico como uma feminista negra, trabalhadora, rural e dirigente do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.
Aos 16 anos, me filiei ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, o único partido que eu sou filiada até hoje. E logo depois eu assumi espaços na direção nacional da direção estadual do PT do Pará. Fui secretária geral do PT do Pará por dois mandatos. Fui secretário de Finanças também do PT do Pará, por dois mandatos e ocupei o Diretório Nacional do PT na gestão anterior.
Rede PT: Como foi sua trajetória dentro do Partido dos Trabalhadores?
Claudinha Lima: Aos 16 anos, me filiei ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, o único partido que eu sou filiada até hoje. E logo depois eu assumi espaços na direção nacional da direção estadual do PT do Pará. Fui secretária geral do PT do Pará por dois mandatos. Fui secretária de Finanças também do PT do Pará, por dois mandatos e ocupei o Diretório Nacional do PT na gestão anterior. Hoje tenho a honra de ser a primeira mulher paraense, negra e da Região Norte a ocupar uma secretaria na Executiva Nacional do partido.
Rede PT: Qual é a missão da Secretaria Nacional de Nucleação?
Claudinha Lima: A Secretaria Nacional de Nucleação é nada mais nada menos do que a nossa necessidade da gente retomar os territórios do Brasil. O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras foi construído a partir da organização de base na luta da luta do chão, da fábrica, da luta dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais, das igrejas, dos sindicatos e a partir daí foi que foi construído o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Todos nós, de algum lugar, nós viemos de algum núcleo, seja da igreja, seja da fábrica, seja do sindicato. Nós nos construímos no núcleo e foi a partir dos núcleos que nós entramos no PT.
Mas ao longo da nossa história, da nossa construção também, até pelos espaços que nós fomos. Nós somos um partido político, vocacionado ao poder e a nossa luta sempre foi de ocupar o território, mas também de ocupar os espaços de decisão da política.
Rede PT: Por que essa retomada dos territórios é tão importante?
CL: Ao longo da nossa trajetória, nós também fomos ocupando outros espaços e o território deixou de ser a nossa principal ocupação. Ao longo do tempo, parte dessa presença foi se enfraquecendo. Precisamos reconstruir esse vínculo direto com a população, fortalecendo o diálogo permanente e a participação popular. Então, o papel da Secretaria Nacional de Nucleação e coordenar esse processo de diálogo é de fazer com que o PT em cada local, esteja mais próximo do povo brasileiro. Então é ouvir o povo estar ouvindo as necessidades reais das pessoas, porque as pessoas estão no território.
Como esse trabalho será colocado em prática?
CL: Por meio da criação e fortalecimento dos núcleos de base, incentivando a participação da militância e aproximando o partido das pessoas. A organização popular continua sendo uma das maiores forças do PT. O papel da nucleação é exatamente organizar o povo onde elas estão, seja na rua, na sua casa, no seu bairro, na universidade, na igreja, no seu local de trabalho. E o PT está onde o povo está.
Nesse contexto, você está com a missão de implantar um projeto estratégico para 2026, os Comitês Nacionais de Luta. conta mais pra gente sobre essa ação.
CL- Como secretária Nacional de Nucleação, eu tive o prazer de ser convidada a participar da coordenação nacional da pré-campanha do presidente Lula. Uma das minhas tarefas e responsabilidade é organizar os Comitês Populares de Luta no território brasileiro, ou seja, construir uma grande rede de mobilização territorial e, junto com isso, a gente organizar um grande bloco nacional para que a gente possa, na virada de chave, a gente poder colocar o bloco na rua para que a gente possa realmente continuar governando esse país com mais democracia e fortalecendo a nossa soberania.
Então, no dia 15 de julho será o lançamento dos Comitês Populares de Luta e esses comitês, eles estão integrados a uma rede de mobilização territorial que tem três pilares: o Pode Espalhar, o Porta Vozes do presidente Lula, que são nossas redes de mobilização digital, pra que a gente possa fazer a disputa da narrativa nas redes sociais.
Mas também nós precisamos continuar dialogando com o povo onde eles estão no território, olhando o olho no olho, visitando cada casa, conversando com as pessoas sobre as política e fazendo inclusive a comparação entre o que o presidente Lula fez em três anos de governo que literalmente reconstruiu o país e o projeto que o presidente Lula recebeu de total destruição do nosso país.
Qual é o principal desafio para 2026?
CL- Organizar a militância, fortalecer os territórios e ampliar o diálogo com a sociedade para defender a democracia, a soberania nacional e apresentar os resultados das políticas implementadas pelo governo do presidente Lula. Convido todas e todos a participarem dessa grande mobilização. É com organização popular, diálogo e participação que construiremos um Brasil cada vez mais democrático, justo e comprometido com a melhoria da vida do povo brasileiro.

