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Agressão a Marina Silva provoca onda de repúdio à violência política contra as mulheres

"Diante do amor, o ódio recua", afirma Marina

Marina Silva (Rede-SP), ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado, foi agredida por um homem durante uma caminhada de mulheres para marcar o início da campanha de Fernando Haddad (PT-SP) ao Governo de São Paulo na última segunda-feira, 17. O episódio de violência política de gênero se deu logo no início do percurso, entre a Praça da República e o Theatro Municipal, no centro da capital paulista.

Devido a uma lesão na coluna sofrida há cerca de seis meses, Marina precisou se afastar do centro da aglomeração para caminhar mais calmamente pela calçada. Foi nesse momento que o homem se aproximou, agarrou a candidata pelo ombro, encostou em sua barriga e a hostilizou perguntando se ela queria “voltar para a cena do crime”.

Militantes e assessores cercaram o agressor para que ele se retirasse e Marina se abrigou em um comércio local. Ela não teve ferimentos.

No trio elétrico posicionado em frente ao Theatro Municipal, Marina discursou enfatizou que não se deixará intimidar. “Uma pessoa, de forma muito agressiva, colocou-se na minha frente. Mas ele não sabia que, diante do amor, o ódio recua. Eu não dou um passo atrás. Diante da verdade e da justiça, a gente não recua”, declarou.

À imprensa, Marina reforçou seu compromisso com uma campanha pacífica: “Na minha campanha tem inclusive um código de postura de não aceitar qualquer forma de violência. Aqueles que não desautorizam esse tipo de prática acabam dando sua assinatura para essa forma de atingir a nossa democracia”.

Simone Tebet (PSB-SP), ex-ministra do Planejamento e também candidata ao Senado, denunciou a violência política de gênero: “Poderia ter sido com Haddad. Por que não foi com Haddad? Porque foi com uma mulher. Então é sempre assim, é uma mulher”.

Haddad, que concentra parte de suas propostas no combate à violência contra as mulheres, prometendo ampliar o horário de funcionamento das delegacias da mulher e criar redes integradas de atendimento, associou a agressão ao clima de intolerância promovido pela extrema-direita.

“Quando o governante dá o exemplo do respeito, isso chega em toda a sociedade. Essa intolerância contra as mulheres e os negros aumentou muito por causa dessa extrema direita que não respeita as diferenças, que não respeita o outro. Como a Marina, que não conseguiu fazer uma caminhada de 300 metros porque tinha alguém da extrema-direita para tentar impedi-la”, declarou o ex-ministro.

A chapa majoritária em São Paulo é formada por Haddad, Marina e Tebet.

Onda de solidariedade

O ataque a Marina Silva provocou reações imediatas de solidariedade entre dirigentes partidários, ministros e parlamentares, que reforçaram que a misoginia não pode ser usada como instrumento para afastar mulheres da vida pública.

O presidente do PT, Edinho Silva, repudiou a agressão e reforçou a “longa trajetória de luta e resistência” de Marina. “A violência política, principalmente contra as mulheres, é intolerável. Extremistas não vão apagar a história de quem sempre lutou pela democracia”, declarou o dirigente.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB-SP), afirmou que “intimidação e violência são inaceitáveis” e defendeu a “vida marcada pela coragem e pelo compromisso com o Brasil” que tem a ex-ministra. 

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT-PR), disse que a luta contra a violência política de gênero “segue firme […] com coragem e compromisso na defesa de um Brasil onde mulheres possam exercer plenamente seus direitos”. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, defendeu que “essa política do ódio tem que acabar”.

“Não podemos aceitar que uma mulher seja intimidada ou agredida por ocupar a política e defender suas ideias”, afirmou Anielle Franco (PT-RJ), ex-ministra da Igualdade Racial e candidata a deputada federal.

As deputadas petistas Benedita da Silva, Erika Kokay e Jack Rocha exigiram apuração rigorosa dos fatos e reafirmaram que a violência política contra lideranças femininas é um ataque direto às bases da democracia brasileira.

“O que aconteceu hoje com Marina Silva não pode ser tratado como normal. Durante anos, a extrema-direita transformou o adversário em inimigo e a agressividade em método político. Quando essa violência se volta contra uma mulher, há algo ainda mais grave”, declarou Nísia Trindade (PT-RJ), ex-ministra da Saúde e candidata a deputada federal.

“Marina é uma referência de coragem e compromisso. E justamente por isso é atacada por aqueles que não sabem conviver com a democracia e com a participação das mulheres”, declarou a ex-ministra dos Povos Indígenas e candidata a deputada federal Sônia Guajajara (Psol-SP).

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