O Brasil voltou a ser referência internacional em imunização após anos de queda nas coberturas vacinais observadas no governo negacionista de Jair Bolsonaro. Em três anos, a atual gestão do Ministério da Saúde (MS), sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu ampliar a cobertura de todas as vacinas do calendário infantil e reconstruir o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com a incorporação de novas vacinas e estratégias para ampliar a proteção da população.
De acordo com o diretor do PNI, Eder Gatti, o cenário encontrado em 2023 era crítico.
“Quando nós chegamos, boa parte das vacinas estava abaixo de 80%, na casa dos 70%”, afirmou.
Segundo ele, a recuperação foi possível graças a uma combinação de investimentos e políticas públicas, como o reforço do financiamento aos municípios, a retomada das campanhas de multivacinação e da vacinação nas escolas, além da adoção de ferramentas digitais como a caderneta de vacinação no celular.
Segundo o MS, os resultados já aparecem. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, voltou a atingir níveis elevados de cobertura: a primeira dose saiu de 80% em 2022 para mais de 95% em 2024. Em 2025, os dados preliminares indicam 92%. Outras vacinas fundamentais, como as que protegem contra pneumonias e meningite, também superaram a marca de 90%.
O avanço na vacinação permitiu ao país recuperar, em 2024, o certificado de eliminação do sarampo, perdido em 2019.
“Hoje, diante do cenário global do sarampo e considerando que há uma explosão de sarampo na América do Norte, o Brasil tem a condição de país livre do sarampo. Isso graças às ações de vacinação e nós ganhamos a certificação de país livre do sarampo em 2024, coisa que nós perdemos em 2019. Então, nós recuperamos a vacinação do país e, consequentemente, tivemos aí melhorias epidemiológicas. Houve sim uma priorização durante o governo Lula da vacinação e agora a gente começa a colher resultados”, destacou Eder Gatti, alertando, porém, para o risco de reintrodução da doença devido à circulação internacional do vírus.
De acordo com o MS, a vacinação contra o HPV também registrou crescimento expressivo. O Brasil alcançou cobertura cinco vezes maior que a média mundial entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Entre meninas, a taxa chegou a 85%, enquanto entre meninos saltou de 45,6% em 2022 para 73,25%. Só em 2025, mais de um milhão de estudantes foram vacinados por meio do Programa Saúde na Escola.
Ainda segundo a pasta, entre os povos indígenas, os indicadores também avançaram. Em 2025, diversas vacinas do calendário infantil ultrapassaram 90% de cobertura, e o índice de esquema vacinal completo para crianças menores de um ano atingiu 83,3%.
No enfrentamento à dengue, quase 10 milhões de doses já foram aplicadas desde 2024 em crianças e adolescentes. Neste ano, o país iniciou a vacinação com o imunizante 100% nacional e de dose única do Instituto Butantan, inicialmente em municípios-piloto, com previsão de ampliação a partir do segundo semestre.
Para o diretor do PNI, a recuperação das coberturas reflete a prioridade dada à saúde pública pelo governo Lula após um período de desestruturação iniciado em 2016. “A curva se inverte quando o presidente Lula retoma o poder. Agora começamos a colher os resultados, mas é fundamental manter os investimentos e as ações para avançar ainda mais”
Já a campanha contra a gripe segue em andamento e soma mais de 21,8 milhões de doses aplicadas em 2026, sendo 14,5 milhões destinadas a grupos mais vulneráveis, como crianças, gestantes e idosos. Eder aproveitou a oportunidade para destacar a importância da imunização:
“O Brasil tem um dos programas de imunização mais robustos do mundo. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante vacina de graça para a população e está acessível em todos os postos de saúde. As vacinas usadas no SUS são vacinas de qualidade, que são seguras e elas são muito efetivas”.
“Diante disso é muito importante que as famílias procurem os postos de saúde para colocar a vacinação de todos em dia, a vacinação das crianças, dos adolescentes, dos adultos, dos idosos e também das grávidas, ou seja, nós temos calendário para cada um desses grupos e é muito importante que todos estejam com a vacinação em dia para proteger todo mundo”, defendeu.
O Ministério da Saúde reforça que os dados mais recentes ainda são preliminares e podem sofrer atualizações. Ainda assim, o cenário atual já indica uma retomada consistente da confiança da população nas vacinas e no SUS, considerado um dos sistemas de imunização mais robustos do mundo.

