No Brasil, o 12 de março é, a partir de agora, o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data marca a primeira morte confirmada em território nacional em decorrência do vírus. Durante a cerimônia de sanção da lei, realizada nesta segunda-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro “levou o país a um sacrifício desnecessário” durante a pandemia. Lula relembrou episódios de negacionismo, desinformação e ataques à ciência atribuídos à antiga gestão federal.
Ao discursar no Palácio do Planalto, o presidente defendeu que o país preserve a memória sobre os mais de 700 mil mortos pela doença e responsabilize aqueles que contribuíram para a disseminação de informações falsas durante a crise sanitária. “Só tem sentido a gente criar alguma coisa para lembrar o passado se a gente conseguir cravar o nome de quem foi responsável pelo que aconteceu”, afirmou o presidente.
Resgatando declarações feitas pelo ex-presidente ao longo da pandemia, Lula disse que houve uma estratégia deliberada de desinformação.
“Eu parto do pressuposto que os presidentes não são obrigados a saber tudo, mas ele tem que, pelo menos, ouvir quem sabe. E o que se reivindicava naquela época? Que ele [Bolsonaro] montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros, para que pudesse o Estado ter orientação no trato com a sociedade brasileira”, disse. “Bolsonaro dizia: ‘a pressa da vacina não se justifica’. Essa fala foi em entrevista publicada em canal de YouTube do seu filho, aquele fujão que está nos Estados Unidos tentando pregar golpe contra o Brasil”, completou.
O presidente também criticou a postura dos ministros da Saúde da época e de médicos e parlamentares que mantiveram indicações de medicamentos que não tinham comprovação científica de eficáfia no tratamento da doença. “Eles fizeram questão de que a desinformação fosse passada pelos meios de comunicação”, ressaltou.
Durante o seu discurso, Lula voltou a defender que os responsáveis pela condução negacionista da pandemia sejam identificados publicamente. “Se a gente não faz isso, cai no esquecimento. E é tudo que eles desejam, que caia no esquecimento”, ressaltou o presidente, relembrando as mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no país.
Nunca esquecer o que vivemos
Em sua fala, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que o Brasil não teria passado pela “calamidade” que passou caso Lula estivesse no governo. “O presidente não faria chacota sobre quem não conseguia respirar em Manaus. Não falaria que quem toma vacina vira jacaré”, afirmou. Destacando as ações da gestão atual, como a reorganização do Plano Nacional de Vacinação, e a reestruturação da Força Nacional do SUS, Padilha afirmou que Lula “defende a vida, a ciência e dá toda a força e apoio para o SUS”.
Ao comentar sobre a lei sansionada, Padilha afirmou que a memória sobre a pandemia tem “dois papéis fundamentais”: acolher o sofrimento das famílias das vítimas e impedir que os erros cometidos durante a condução da crise sanitária se repitam no país.
Presente à cerimônia, a primeira-dama Janja se emocionou ao lembrar a perda a mãe, que morreu após contrair a doença, e defendeu a responsabilização dos atos cometidos durante a pandemia.
“Eu sempre me preparei psicologicamente para perder minha mãe para o Alzheimer, mas ver ela sendo arrancada de mim pela covid-19, pela falta de incentivo à máscara. Eu não vou esquecer jamais. A memória é isso. Não podemos esquecer nunca do que aconteceu e a justiça precisa acontecer”, enfatizou.
Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19
Autor do projeto que cria a data de memória às vítimas da Covid-19, líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), também esteve presente durante assinatura da lei. Ele destacou que o 12 de março marca a morte da primeira vítima da doença no Brasil, a técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano.
Para Uczai, a data traz uma forte lembrança para a sociedade sobre o que aconteceu na história recente do país. “Foram mais de 700 mil mortos pela Covid, órfãos e sequelados pela negação da ciência e da vacina”, afirmou o parlamentar. “Que a gente possa trazer o 12 de março como denúncia, mas também como sinal de esperança.”
Rede PT de Comunicação.

