A balança comercial brasileira encerrou junho com superávit de US$ 9,8 bilhões. Esse resultado é 66,6% superior ao do mesmo mês de 2025 e foi impulsionado pela venda de commodities como petróleo, carne, ferro e soja ao exterior. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações avançaram quase 25% no período. Já a soma de tudo que o Brasil vendeu e comprou atingiu a cifra de US$ 62,8 bilhões, a maior da série histórica.
As exportações brasileiras cresceram para a maior parte dos principais mercados, incluindo os Estados Unidos (EUA), apesar dos contenciosos comerciais estabelecidos pelo presidente Donald Trump. Em meio às negociações para evitar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, as vendas para os estadunidenses subiram 3,7% entre maio e junho.
O desempenho positivo do comércio exterior no primeiro semestre obrigou o MDIC a revisar para cima sua projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.
Assim, a previsão de exportações foi elevada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões e as importações passaram de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
Confira abaixo os principais números divulgados pelo MDIC:
– Superávit: US$ 9,8 bilhões (+66,6% ante junho de 2025)
– Exportações: US$ 36,3 bilhões (+24,9%)
– Importações: US$ 26,5 bilhões (+14,4%)
– Corrente de comércio: US$ 62,8 bilhões (+20,3%)
Exportações em alta
A ascensão das exportações em junho foi liderada pela indústria extrativa, seguida pela indústria de transformação e pelo agronegócio. Veja:
– Indústria extrativa: US$ 9,9 bilhões (+58,4% ante junho de 2025)
– Indústria de transformação: US$ 18 bilhões (+14,7%)
– Agropecuária: US$ 8,1 bilhões (+18%)
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) sobre as exportações brasileiras, embora já existam relatos de maior interesse de importadores europeus. As vendas de produtos nacionais cresceram em quatro continentes:
– Ásia: US$ 17,4 bilhões (+29,9%)
– Europa: US$ 6,4 bilhões (+43,9%)
– América do Norte: US$ 4,9 bilhões (+8,5%)
– América do Sul: US$ 3,9 bilhões (+7%)
A carne bovina brasileira
Análise divulgada na segunda-feira, 6, pela empresa de serviços financeiros StoneX, aponta que o Brasil já preencheu 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China até junho. Os chineses, maiores importadores da proteína brasileira, definiram uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, no intuito de proteger a produção interna.
Conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec) e dados oficiais do Governo Federal, as vendas de carne bovina brasileira atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita.

