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Com apoio do PT, Congresso aprova diretrizes do Orçamento 2026

Congresso Nacional aprovou, nesta quinta-feira (5), a LDO 2026

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (4), com o voto favorável da Bancada do PT, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2026). O texto, que segue para sanção presidencial, estabeleceu prazo para que o Poder Executivo pague 65% do total das emendas parlamentares de execução obrigatória. A liberação orçamentária deve ocorrer até o final do primeiro semestre de 2026. A preocupação é com a restrição de gastos em ano eleitoral.

A regra vale para emendas individuais e coletivas destinadas a fundos de saúde e de assistência social e para as transferências especiais, chamadas de “emendas Pix”.

Superávit A proposta prevê superávit de R$ 34,3 bilhões em 2026, o equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, pelo texto aprovado, o governo poderá considerar o limite inferior da meta para fazer limitações de gastos. A meta pode variar 0,25% para cima ou para baixo.

O projeto original da LDO fixava como prioridade o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e 27 objetivos do Plano Plurianual (PPA – 2024/2027). Após o acolhimento de emendas, o anexo passou a contar com 64 programas e 128 objetivos.

Orçamento para as mulheres A deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da Bancada Feminina na Câmara, destacou a relevância do orçamento público federal e citou que existe um projeto na Secretaria das Mulheres que trata o orçamento sob a perspectiva de gênero. Ela explicou que, por mais que se façam ações interseccionais e transversais na saúde, na educação, na segurança, na assistência, no esporte e na cultura, é preciso estabelecer normativas específicas para aplicação de recursos públicos nas ações de combate e prevenção de violência contra as mulheres e meninas brasileiras. O objetivo é que o país possa ter um futuro conforme rege a Constituição Federal, em que homens e mulheres são iguais.

“Seguindo a mesma premissa constitucional, que nos coloca como iguais, não é assim dentro do orçamento público brasileiro. Nós ainda vemos municípios e governos de estados que sequer colocam o Orçamento nas ações de visibilidade, seja de promoção da defesa dos direitos das mulheres, seja de promoção quando falamos do pertencimento, das oportunidades, da geração de emprego e renda, do aumento dos índices de alfabetização, do acesso à educação e tantos outros”, argumentou Jack Rocha.

A parlamentar ainda fez um apelo para que, de 2025 para 2026, não fossem cortados recursos destinados às políticas para as mulheres. “Porque isso é algo muito importante e, se isso acontecer, é o Parlamento brasileiro que estará negando a visibilidade de uma agenda que é prioritária”, afirmou.

Salário mínimo Entre os parâmetros econômicos usados na LDO, o salário mínimo a partir de janeiro poderá ser R$ 1.627,00, mas o valor final só será conhecido após a divulgação do IPCA de novembro.

Principais pontos da LDO-2026

Déficit primário Durante a discussão da LDO-2026 em Plenário, o relator da matéria, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), apresentou um complemento de voto. A primeira mudança é na meta de déficit primário (gasto maior que arrecadação, sem contar juros da dívida pública). Com o novo texto, não serão consideradas na meta despesas do Programa de Dispêndios Globais de empresas até o limite de R$ 10 bilhões.

A segunda mudança é na Lei de Responsabilidade Fiscal. O projeto da LDO proíbe, em 2026: ampliação, prorrogação ou extensão do gasto tributário; criação de novas despesas obrigatórias; e criação de quaisquer espécies de fundos para financiamento de políticas públicas. As proibições não valem no caso de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional.

Vetos mantidos Na mesma sessão, por acordo, o Congresso manteve veto do governo a parte do projeto de lei que originou a Lei 15.077, que atualiza regras de concessão do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e reingresso no Bolsa Família. Se não fosse vetado, o trecho impediria concessão do BPC a pessoa com deficiência leve.

Foi mantido também o veto presidencial a dispositivo do PL 6.212/2023, que previa a manutenção dos dados de condenados no Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais por dez anos após o cumprimento integral da pena. E ainda foi mantido o veto a trecho do PL 3.159/2024, que normatiza vantagens pessoais para servidores, aposentados e pensionistas da Câmara dos Deputados.

Vetos derrubados Também por acordo, foi derrubado o veto total ao projeto de lei (PL 2694/21), que isenta a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) das taxas cobradas para registrar pesquisas, tecnologias e produtos. Pelo texto, que será agora transformado em lei, a Embrapa ficará isenta por prazo indeterminado de cobranças feitas pelos seguintes órgãos: Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, do Ministério da Agricultura; Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama); e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Também foram derrubados os vetos ao PL 3965/21, que deu origem à Lei 15.153/25, que destina parte do dinheiro arrecadado com multas de trânsito para custeio da carteira de habilitação de pessoas de baixa renda. Assim, quatro dispositivos serão introduzidos no texto da lei, entre eles a exigência de comprovação de resultado negativo em exame toxicológico para se obter a primeira habilitação (para condutores de todas as categorias de veículos).

Vânia Rodrigues, com Agência Senado

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