Inúmeras dúvidas continuam a pairar sobre os vínculos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso preventivamente desde março e investigado por fraudes bilionárias contra o sistema financeiro. Há duas semanas, foram divulgadas mensagens em que o senador pede R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões.
Ao tentar justificar o encontro do pré-candidato à Presidência com Vorcaro, já com a prisão decretada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, complicou ainda mais a situação do senador. Em entrevista à GloboNews, Costa Neto disse que Flávio Bolsonaro esteve na casa do banqueiro, com tornozeleira, para tentar levantar o resto do dinheiro para o filme.
“Foi visitar depois [da prisão] para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, afirmou Valdemar.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro admitiu ao portal Metrópoles que esteve com o ex-dono do Master após primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Pressionado pelos questionamentos da imprensa e pelo avanço das investigações sobre o Banco Master, conduzidas pela Polícia Federal, Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos (EUA) no domingo, 24, alegando ter encontro marcado com o presidente Donald Trump. As agendas da Casa Branca, entretanto, não mencionam o nome do senador.
No mesmo dia do embarque de Flávio rumo a Washington, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, noticiou que a Polícia Federal (PF) se debruça sobre um fundo nas Bahamas ligado a Vorcaro de onde pode ter saído o dinheiro para financiar o “Dark Horse”.
Oficialmente, os recursos bilionários estão em nome de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono do Grupo Entre. De acordo com a PF, a Entre Investimentos encarregou-se de intermediar e transferir R$ 61 milhões para que Flávio, supostamente, custeasse o filme. O próprio senador admitiu ter recebido US$ 12 milhões de Vorcaro. A polícia quer elucidar a origem, o controle real e a finalidade dos ativos mantidos em paraíso fiscal.
Fundo Havengate
O “Dark Horse” teve mais de 90% do orçamento bancado com dinheiro do Master. Em entrevista à GloboNews, na terça-feira, 19, Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, responsável pelo longa, confirmou que a verba já executada está em cerca de US$ 13 milhões (o equivalente a R$ 65,7 milhões).
Karina relatou que, após a prisão de Vorcaro, foi necessário buscar novos financiadores para viabilizar o filme. De acordo com ela, o ex-dono do Master atuou mais como um intermediador do dinheiro do que como um investidor. A dona da GoUp sustentou que não recebeu recursos diretamente do banqueiro ou de empresas ligadas a ele, mas do Havengate, fundo sediado no Texas, EUA, e administrado por aliados do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.
A PF busca saber se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para pagar as contas de Eduardo nos EUA em vez de financiar o “Dark Horse”. No Texas, onde vive hoje, Eduardo se empenhou em prol das sanções do presidente Donald Trump contra a economia e autoridades brasileiras. Teve bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de perder o mandato de deputado por faltas.
Residência no Texas
As investigações apuram também a triangulação financeira envolvendo a compra de uma casa nos arredores de Dallas no valor de R$ 3,6 milhões. A residência é habitada por um aliado de Eduardo Bolsonaro que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 164 mil nas eleições de 2024, quando concorreu a vereador em Salvador pelo PL. Ele é André Porciúncula, ex-secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Governo Jair Bolsonaro. Tais valores seriam incompatíveis com o padrão de vida ostentado por Porciúncula no Texas.
A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo na sexta, 22, e confirmada pelo ex-secretário. O fundo Mercury Legacy Trust, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo, adquiriu o imóvel. Calixto é igualmente responsável pelo fundo Havengate.
Na prestação de contas, Porciúncula informou manter apenas um automóvel Honda HR-V, avaliado em R$ 86 mil, uma moto Honda NXR160, de R$ 8 mil, e participações societárias que somam R$ 70 mil. Além disso, registros da Justiça Eleitoral indicam que o patrimônio dele caiu 68% em 2 anos. Em 2022, o ex-secretário declarou apenas R$ 522 mil. Na época, a lista de bens incluía um terreno no condomínio Alphaville Brasília, avaliado em R$ 350 mil, que não consta da declaração de 2024.
Da Rede PT de Comunicação.

