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Efeito Guedes-Bolsonaro: preço do gás já tira 13,2% do salário mínimo

No Brasil de Guedes, o gás de cozinha, vendido parcelado, virou artigo de luxo

A pressão inflacionária, explosiva no desgoverno de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro, é hoje parte essencial do cenário de guerra enfrentada pelos brasileiros na batalha cotidiana para trazer alimento para a mesa. Levantamento divulgado pelo UOL nesta quarta-feira (2) revela que o gás de cozinha, hoje artigo de luxo na vida da população, já compromete até 13,2% da renda que ganham um salário mínimo no país. É o maior percentual desde 2006, quando o salário mínimo valia R$ 300. Hoje o valor do botijão de 13 kg já chegou a  inacreditáveis R$ 160 em estados como Santa Catarina, abocanhando parte do hoje achatado salário mínimo, de R$ 1.212.

A agência de notícias informa que utilizou dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e também do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, que acompanha a evolução do salário mínimo.

Não é à toa que o consumo do gás de cozinha voltou ao nível de 2019, uma vez que as famílias agora precisam escolher o que elas poderão pagar dentre aqueles itens que são essenciais ao consumo. Somente neste ano, 1,8 milhão de botijões de gás deixaram de ser vendidos por mês entre janeiro e abril, em comparação ao mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 3,3%, de acordo com dados da ANP.

Promessa de Guedes não cumprida

O site do UOL lembra ainda da promessa furada de Paulo Guedes, que no primeiro ano de governo, assegurou que o valor do botijão cairia pela metade, a partir de uma suposta “abertura de mercado”. Mais um engodo do ministro-banqueiro. Ao invés disso, entregou uma inflação de dois dígitos, disseminada pela cadeia de bens e serviços, e que arrasou o poder de compra dos trabalhadores. Como resultado, desde 2019, o gás subiu mais de 60%, para desespero das famílias mais pobres.

“O que aconteceu nesse período [2019 a 2022] é que não houve nenhuma mudança [no mercado de gás], pelo contrário”, declarou ao UOL o coordenador técnico do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Rodrigo Leão, no mês passado.

“A política de preços do GLP ficou cada vez mais próxima à dos outros derivados, seguindo o PPI [Preço de Paridade de Importação] da Petrobras. Com o preço do barril de petróleo aumentando e o câmbio se desvalorizando, o gás de cozinha seguiu o aumento que a gente viu nos outros combustíveis”, criticou.

Para Lula, gás deveria ser item da cesta básica

A análise do técnico ai de encontro à avaliação do ex-presidente Lula, para quem o gás de cozinha deveria ser tratado pelo governo como um item da cesta básica, essencial para a vida das famílias. Durante os dois mandatos do petista, entre 2003 e 2010, o preço do botija não subiu nem R$ 10. No final de seu segundo mandato, o gás custava em torno de R$ 40.

“Não tem sentido nesse país alguém pagar R$ 122 num botijão de 13 quilos de gás e ter gente cozinhando no meio da rua em São Paulo e no Rio de Janeiro com tijolo e lenha porque não tem dinheiro para comprar o gás”, disse Lula, em abril, quando o botijão estava um pouco mais baixo.

“Durante todo o período que governamos o Brasil, nós não aumentamos o gás na Petrobras. O gás tem que ser considerado um bem da cesta básica. É isso que nós temos que fazer”, apontou.

“Se eu voltar a governar esse país, nós vamos abrasileirar o preço do gás, o preço do óleo diesel, os preços da gasolina”, disse Lula, recentemente. “Nós somos autossuficientes, o petróleo é prospectado em real, as sondas são feitas em reais, os trabalhadores ganham salário em real, portanto não há explicação para dolarizar”, explicou.

Da Redação, com UOL, CNNlula.com.br

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