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Em conversa com Putin, Lula defende que potências promovam diálogo pela paz

Segundo comunicado, Lula “expressou sua decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o diálogo entre as grandes potências como caminho para a paz durante conversa por telefone, nesta terça-feira, 4, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo nota divulgada pela Presidência da República, Lula “sublinhou a importância do diálogo entre as grandes potências em busca da paz”.

A ligação durou cerca de uma hora e abordou a situação geopolítica internacional e os principais temas da agenda bilateral. De acordo com o comunicado, Lula “expressou sua decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] em encaminhar uma solução para os conflitos”.

O presidente brasileiro também chamou a atenção para as consequências humanitárias das guerras. A nota destaca que Lula ressaltou a situação das populações atingidas e lamentou “a perda de vidas humanas, inclusive civis”.

A posição reforça a atuação do governo brasileiro em favor de soluções diplomáticas, do respeito à soberania dos países e do fortalecimento das instituições multilaterais para enfrentar conflitos e crises internacionais.

Cooperação estratégica e exportações

Durante o telefonema, Lula e Putin conversaram sobre os principais temas da relação entre os dois países. “Os presidentes reforçaram o caráter estratégico das relações Brasil-Rússia”, registra a nota, acrescentando que ambos manifestaram interesse em intensificar a cooperação em energia, ciência e tecnologia e na área naval.

Os presidentes também destacaram as reuniões realizadas neste ano, em Brasília, no âmbito da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN) e da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC).

Em fevereiro, a Comissão de Alto Nível reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin. Na ocasião, os dois países avançaram em uma agenda que inclui indústria, agricultura, energia, inovação, tecnologia e cultura.

Lula ressaltou ainda a importância do comércio bilateral, especialmente do fornecimento russo de diesel e fertilizantes ao Brasil. Ao mesmo tempo, conforme o comunicado, destacou “a necessidade de buscar maior equilíbrio no intercâmbio comercial, com aumento das exportações brasileiras para a Rússia”.

Em 2025, o comércio entre os dois países alcançou US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 1,5 bilhão, enquanto as importações provenientes da Rússia chegaram a US$ 9,4 bilhões. O Governo Lula trabalha para diversificar essa pauta e abrir novas oportunidades para os produtos brasileiros. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Brics e defesa do multilateralismo

Lula e Putin reafirmaram ainda a disposição de atuar conjuntamente nos organismos internacionais. “Ambos expressaram determinação de continuar trabalhando conjuntamente nos foros internacionais, especialmente no Brics [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul]”, informa a nota.

Os presidentes destacaram a importância do bloco diante das transformações em curso no cenário internacional e concordaram quanto ao valor do multilateralismo baseado em um mundo multipolar, com maior participação dos países do Sul Global nas decisões mundiais.

Ao final da conversa, Lula mencionou a eleição para o comando da ONU e reiterou o apoio brasileiro à candidatura da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral. O Brasil tem mantido publicamente esse apoio à candidatura. A indicação foi apresentada originalmente pelos governos de Brasil, Chile e México.

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