A defesa da soberania nacional é um dos eixos resolução aprovada pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. No documento, o PT afirma que o Brasil vive uma escolha entre dois projetos de país: de um lado, a reconstrução nacional liderada pelo presidente Lula; de outro, uma agenda marcada pela submissão a interesses estrangeiros, pelo autoritarismo e pelo enfraquecimento das políticas públicas.
A resolução sustenta que a reconstrução do Brasil exige reafirmar um princípio fundamental: “Não há desenvolvimento sem soberania”. Para o partido, defender a soberania nacional significa proteger a capacidade do país de decidir livremente seus rumos, preservar recursos estratégicos, fortalecer a democracia e garantir que as decisões sobre economia, território e povo brasileiro sejam tomadas pelos próprios brasileiros e brasileiras.
“Defender a soberania nacional significa proteger nossa capacidade de decidir livremente os rumos do país, preservar nossos recursos estratégicos, fortalecer nossa democracia e garantir que as decisões fundamentais sobre nossa economia, nosso território e nosso povo sejam tomadas pelos brasileiros e brasileiras”, afirma o texto.
O falso patriotismo contra o Brasil
O documento também faz críticas diretas à atuação da família Bolsonaro no exterior. Segundo a resolução, Flávio e Eduardo Bolsonaro atuam fora do país para estimular medidas econômicas contra o próprio Brasil, usando o prejuízo nacional como instrumento de cálculo eleitoral.
“Repudiamos toda tentativa de subordinar os interesses nacionais a projetos estrangeiros ou a disputas políticas internacionais”, diz a resolução.
Na sequência, o texto afirma ser “gravíssimo que Flávio e Eduardo Bolsonaro atuem fora do país para estimular medidas econômicas contra o próprio Brasil, negociando o prejuízo do povo brasileiro como instrumento de cálculo eleitoral”.
Para o PT, esse comportamento revela o caráter entreguista do projeto bolsonarista. A resolução afirma que, ao pedir que tarifas contra produtos nacionais fossem aplicadas somente depois das eleições, os filhos de Bolsonaro demonstram não hesitar em sacrificar empregos, empresas brasileiras, a produção nacional e a soberania do país em benefício de seus próprios interesses.
O texto classifica essa postura como a de “vendilhões da pátria” e afirma que ela “afronta a história do povo brasileiro” ao tentar transformar o Brasil em “quintal norte-americano”.
A resolução contrapõe essa atuação à postura do presidente Lula. Segundo o PT, a resposta firme do presidente reafirma que o Brasil mantém diálogo com todas as nações, mas não aceita chantagens, tutelas ou interferências estrangeiras sobre sua democracia, sua economia e seu destino.
“Defender o Brasil é defender sua autonomia política, econômica, tecnológica e diplomática contra qualquer projeto de submissão nacional”, afirma o documento.
Soberania também é tecnologia, Pix e desenvolvimento
O tema da soberania também aparece na defesa do Pix. A resolução afirma que o sistema de pagamento instantâneo se tornou “um patrimônio da população”, por democratizar o acesso aos meios de pagamento, reduzir custos para consumidores e pequenos empreendedores, ampliar a inclusão financeira e consolidar uma inovação brasileira reconhecida internacionalmente.
Para o PT, atacar ou enfraquecer o Pix por motivações políticas ou interesses externos também faz parte da disputa sobre soberania. O documento afirma que defender o sistema é defender a capacidade de inovação do Estado brasileiro, a soberania tecnológica nacional e o direito de milhões de pessoas a uma ferramenta pública, eficiente, segura e gratuita.
“Defender o Pix é defender a capacidade de inovação do Estado brasileiro, a soberania tecnológica nacional e o direito de milhões de brasileiros e brasileiras de utilizar um sistema público, eficiente, seguro e gratuito, construído para servir ao interesse do país e de seu povo”, diz a resolução.
O documento ainda amplia o conceito de soberania para áreas como segurança pública, tecnologia, inteligência artificial, infraestrutura digital, dados, minerais estratégicos, indústria e ciência. Segundo o PT, a disputa internacional por recursos naturais e cadeias produtivas recoloca o desenvolvimento nacional no centro da agenda política.
Nesse contexto, o partido defende fortalecer a indústria brasileira, ampliar a capacidade científica e tecnológica do país, investir em infraestrutura, construir soberania digital e proteger empresas estratégicas. Para o PT, a defesa do Brasil passa pela autonomia econômica, tecnológica, política e diplomática.
A resolução também afirma que a eleição de 2026 não será apenas uma disputa entre candidaturas, mas entre dois projetos de país. O projeto liderado por Lula é apresentado como comprometido com democracia, soberania nacional, desenvolvimento econômico, geração de empregos, redução das desigualdades, valorização do trabalho, cultura, ciência e políticas públicas. Do outro lado, o texto aponta a tentativa de retomada de um projeto neoliberal e autoritário, que governou para poucos, desmontou o Estado e subordinou interesses nacionais a agendas externas.

