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Fim da escala 6×1 é interesse da sociedade, mas projeto segue parado no Senado

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Governo Lula estão ampliando articulações e pressionando para que o Senado Federal vote a proposta de emenda constitucional que trata do fim da escala 6×1 antes do recesso parlamentar, previsto para iniciar na sexta-feira, 17. Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a medida conta com amplo apoio da população: 73% dos brasileiros são a favor, indicam pesquisas mais recentes.

A aprovação da redução da jornada, na visão do PT e do presidente Lula, representará uma mudança histórica e necessária, que vai garantir mais dignidade e qualidade de vida para pelo menos 37 milhões de brasileiras e brasileiros. Parlamentares petistas têm insistido, nas últimas semanas, que a votação do projeto no Senado é de interesse da sociedade, e não de um partido ou de determinados segmentos políticos.

Em publicação da rede social X, nesta terça-feira, 14, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, compartilhou uma imagem da reunião com lideranças do PT antes do recesso do parlamento. O ministro tem atuado na construção de um diálogo respeitoso entre o Governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que possa destravar a tramitação da proposta que extingue a escala 6×1.

“Última reunião com os líderes do governo antes do recesso parlamentar. Estamos em sintonia com nossas lideranças no Congresso Nacional para avançar na votação de projetos prioritários em favor do povo brasileiro”, escreveu o ministro.

No início da semana, Guimarães defendeu a aprovação da medida por questões econômicas, sob o argumento de que um dia a mais de folga na semana renova a motivação da classe trabalhadora e aquece a economia do país.

“E é um resultado óbvio, tanto que praticamente todo o mundo ocidental adota uma escala 5×2. Além disso, o trabalhador com mais tempo consome mais, viaja mais e movimenta mais a economia. A dignidade das pessoas não tem preço, mas já está claro que a reforma da jornada trabalhista só trará ganhos ao conjunto da economia brasileira”, publicou Guimarães, na mesma rede social.

Pauta da classe trabalhadora

Durante discurso no plenário do Senado, na segunda, 13, o senador Paulo Paim se posicionou pela redução da jornada de trabalho e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a militância para ampliar o debate no país. “O presidente Lula assumiu publicamente esse compromisso com os trabalhadores brasileiros e está fazendo a sua parte. O presidente Lula só está pedindo que o Senado vote. Vote como a Câmara votou”, ponderou.

Paim também lembrou que a proposta foi acatada pela quase totalidade da Câmara, apenas 19 dos 513 deputados votaram contrariamente. O petista argumentou que o fim da escala 6×1 não constitui pauta partidária ou eleitoreira, mas uma reivindicação justa por parte da classe trabalhadora.

“Esse tema não pertence a um partido, a um governo ou a uma oposição; pertence ao povo brasileiro. Pertence aos milhões de trabalhadores e trabalhadoras que todos os dias enfrentam longas jornadas de trabalho e deslocamentos exaustivos”, definiu o senador do PT.

Na semana passada, o senador Rogério Carvalho concedeu entrevista à TV Senado. Ele destacou que a redução de aproximadamente 10% da jornada semanal permite a adaptação gradual da economia e das empresas.

“Estamos discutindo uma redução de 44 para 40 horas semanais, ou seja, uma diminuição de cerca de 10% na jornada, e não a metade, como alguns sugerem. Essa mudança não acarreta um aumento de custo que não possa ser absorvido pela modernização dos processos e pela incorporação de novas tecnologias”, indicou o senador.

Pressão da Bancada do PT na Câmara

Na segunda, 13, deputados do PT intensificaram a mobilização nas redes sociais para que o Senado vote a proposta aprovada pela Câmara, que conta com o apoio integral do partido em ambas as Casas Legislativas. O texto institui a jornada de 40 horas, em escala 5×2, garantindo dois dias de descanso por semana, sem redução de salário.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai, cobrou a votação do projeto pelo Senado e destacou que a mudança atende ao desejo da maioria da população brasileira. Segundo Uczai, pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

“Como deputado e líder da bancada, tenho cobrado incansavelmente para que o projeto pelo fim da escala 6×1 avance no Senado Federal. Os números comprovam que essa não é apenas uma bandeira minha, mas um desejo de 71% dos brasileiros”, considerou o petista.

Já o deputado federal Dimas Gadelha ressaltou a urgência da votação antes do início do recesso parlamentar. “Esta é a última semana para o Senado aprovar o fim da escala 6×1. Se a proposta não for aprovada agora, ficará para depois das eleições, para o ano que vem ou, quem sabe, nunca mais. Vamos pressionar muito!”, convocou.

Na mesma linha, o deputado federal Carlos Zarattini observou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica dos trabalhadores e criticou o adiamento da discussão no Senado. “Enquanto milhões de trabalhadores esperam por mais dignidade e qualidade de vida, o debate sobre o fim da escala 6×1 segue travado”, lamentou.

O deputado federal Lindbergh Farias considera que a mobilização popular poderá garantir a votação da proposta: “Vamos iniciar a última semana antes do recesso parlamentar pressionando o Senado a votar o fim da escala 6×1. Somente uma grande mobilização popular pode pressioná-lo a votar antes do recesso”.

A deputada federal Juliana Cardoso também cobrou o avanço das votações. “O fim da escala 6×1 não pode continuar travado no Senado, enquanto milhões de trabalhadores sofrem com jornadas exaustivas. É hora de pressionar e fortalecer a luta por trabalho digno”, afirmou.

Para o deputado federal Rogério Correia, a aprovação da medida não pode mais ser adiada. “O Senado precisa colocar a PEC Proposta de Emenda à Constituição] do fim da escala 6×1 em votação. Chega de sentar em cima da PEC. Só a mobilização popular vai fazer essa pauta avançar”, declarou.

Já a deputada federal Maria do Rosário incluiu o fim da escala 6×1 no rol de prioridades que considera urgentes e reforçou o apelo ao Senado: “Fim da escala 6×1. Vota já, Senado!”.

A deputada federal Natália Bonavides contabilizou o tempo perdido pelo senadores desde a aprovação pela Câmara. “Faltando uma semana para o recesso no Senado, a PEC do fim da escala 6×1 segue engavetada. São mais de 40 dias sem qualquer avanço. Enquanto isso, milhões de trabalhadores esperam o direito de ter duas folgas por semana”, criticou.

Por fim, o deputado federal Bohn Gass disse que “a pressão deve ser para que o Senado ponha em votação a PEC do fim da 6X1”.

Da Rede PT de Comunicação.

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